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    Política nacional


    Com vitórias expressivas neste pleito, Centro se articula para 2022

    As siglas de centro-direita tiveram destaque e agora miram nas eleições gerais, o que pode ameaçar Bolsonaro

    Partidos se alinham para que centro possa mudar cenário político nas eleições gerais de 2022
    Partidos se alinham para que centro possa mudar cenário político nas eleições gerais de 2022 | Foto: Alexandre Sanches

    Manaus - Em uma eleição municipal fragmentada entre os partidos de direita e esquerda, siglas integrantes da ideologia centro-direita conseguiram se destacar neste ano. Em todo o Brasil, quatro partidos ligados a tal alinhamento político-ideológico conseguiram se destacar e eleger um expressivo número de candidatos: Democratas (DEM), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Partido Social Democrático (PSD). O resultado prepara um futuro cenário para as eleições gerais de 2022 e uma possível derrota do atual governo.

    Característico por não defender extremismos e composto por forças políticas moderadas, as siglas identificadas no centrismo político acabam conseguindo se aliar tanto a partidos de esquerda, quando de direita. A coexistência pacífica também é uma das características do centro, que abre portas para que possam se alinhar aos conceitos sociais da esquerda, formando o centro-esquerda, e aos conceitos majoritariamente capitalistas da direita, formando o centro-direita. 

    No resultado destas eleições municipais, a nível nacional, o MDB elegeu 776 prefeitos, PSD garantiu 651 prefeitos e o PSDB e DEM conseguiram eleger 513 e 460, respectivamente. No Amazonas, MDB também segue em vantagem, com 13 prefeitos, enquanto PSD teve seis e o PSDB e DEM elegeram três prefeitos, cada.

    A nível estadual, as siglas já começam a se articular para as eleições gerais de 2022, onde serão eleitos (ou reeleitos) o Presidente e Vice-Presidente da República, o Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. O secretário geral do MDB no Amazonas, Miguel Capobiango, explicou que as atividades políticas realizadas neste momento estão voltadas às burocracias envolvendo os candidatos eleitos e não eleitos nas eleições deste ano. Porém, já há um pensamento de identificar as lideranças em cada estado como forma de se preparar para a próxima eleição no país.

    "Na verdade o partido está sempre trabalhando para crescer. A gente busca o crescimento tanto no estado, país e nos municípios também. O que a gente têm procurado fazer agora é o apoio aos candidatos que ganharam e os que perderam. A nossa relação com o diretório nacional é muito boa, temos reuniões permanentes com o pessoal do partido junto com a Fundação Ulysses Guimarães, que é nossa fundação de inteligência do partido, e a gente têm mantido justamente essas estratégias de captura de liderança nos estados para que possamos estar cada vez mais fortes nas próximas eleições", declarou.

    Luiz Alberto Carijó, presidente do PSDB em Manaus, explicou que a sigla passa por um momento de reestruturação. Carijó argumentou que é esperado o fim da pandemia para que o partido possa ter uma atuação mais orgânica. Para o presidente do partido, a crise sanitária culminou em um número menor de candidatos eleitos do que em eleições anteriores. Além disso, afirmou que o crescimento da sigla é um processo de reposicionamento, que não acontece em um período menor que de 10 anos, local e nacionalmente.

    "O partido está passando por uma fase de transição, deve se reorganizar nacionalmente em um processo de requalificação de quadros, de busca da própria identidade. O partido, hoje, vem em uma posição que nós não sabemos se está contra ou a favor do governo federal, então isso está sendo discutido nacionalmente. Alguns diretórios têm um antagonismo em relação ao governo federal, outros são aliados. Eu acredito que essa discussão vá atravessar esse ano. Acredito que irá haver uma grande reformulação das bases, nós temos que aguardar", afirmou.

    Eleitorado indeciso

    O analista político Afrânio Soares explicou que após os resultados das eleições de 2018, quando a direita radical tomou força e conseguiu ter expressivo número de candidatos eleitos, uma parte do eleitorado, a nível estadual e nacional, passou a se identificar cada vez mais com as ideias centristas, mas ainda caminhando lado a lado com a direita.

    "A discussão sobre o espectro político tem estado bastante presente. O que a gente viu, a pouco tempo atrás, foi um crescimento da direita radical e, antes disso, a gente viu o crescimento da esquerda não radical. Nesse momento, a tendência do eleitorado nacional e local é buscar o centro desse processo. Um centro-direita ainda, na minha opinião, porque se fosse um centro-esquerda, ou uma esquerda moderada o José Ricardo, por exemplo, teria ido para o segundo turno", analisou.

    O especialista disse ainda que nas eleições municipais em Manaus, por exemplo, foi possível notar esta preferência do eleitorado quando nenhum candidato ideologicamente de esquerda ou direita, mesmo com maioria de quantidade de candidatos, conseguiu chegar ao segundo turno, justamente pela pulverização dos dois alinhamentos políticos.

    "Esse fenômeno é, provavelmente, decorrente, primeiro de uma tendência nacional e segundo dos nomes que se posicionam nessas categorias. Os dois que foram ao segundo turno em Manaus, faziam parte do centro. Amazonino um centro voltado à experiência e o David um centro voltado para a renovação. A direita veio fragmentada, com quatro candidatos. A esquerda, por sua vez, tinha três candidatos", explicou Afrânio. 

    Bolsonaro em risco

    Ao alinhar o resultado com um cenário de 2022, a derrota do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), é uma das possíveis consequências do andamento destas eleições. Soares afirmou também que o atual presidente, que faz parte de uma direita extrema, já ensaia uma flexibilização, como uma adaptação para se preparar para as eleições gerais.

    "Acredito que o eleitor não está ligado nessa ideologia espectral, mas ao interpretar o fenômeno você constata que não está sendo um bom negócio para os candidatos, governantes, fazer um caminho de radicalismo como foi feito em 2018, com a eleição do Bolsonaro. Na minha opinião, o Bolsonaro vai se posicionar como a direita moderada, vai se flexibilizar. Ele até já está fazendo isso com algumas atitudes, o auxílio emergencial foi um deles. Mas acho que ele irá precisar fazer isso para se adaptar a esses novos tempos", explicou o analista político. 

    A esquerda caracteriza-se, principalmente, por suas ideias voltadas à igualdade política, econômica e social. Os partidos que se encaixam neste alinhamento apresentam propostas de políticas públicas voltadas ao fim da desigualdade social, com distribuição de renda e melhorias educacionais, principalmente aos cidadãos de baixa renda. Esta ideologia se mostra contrária ao conservadorismo do regime de direita e à imposição do capitalismo, que favorece os mais ricos e ignora os mais pobres.

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