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    Influência religiosa


    Influência da Igreja dá força e visibilidade a parlamentares eleitos

    Mesmo com uma perda mínima na quantidade de vereadores eleitos entre esta e a última eleição municipal, a ligação com a Igreja ainda dá força a muitos candidatos

    A partir do próximo ano, 29% da CMM estará composta por vereadores com forte ligação religiosa
    A partir do próximo ano, 29% da CMM estará composta por vereadores com forte ligação religiosa | Foto: Divulgação

    Manaus - O envolvimento da religião com a política tem surtido efeito, com cada vez mais evangélicos conquistando um espaço de poder. Exemplo disso, foi a participação da Igreja Universal que, pela segunda vez, elegeu um postulante ao cargo de vereador com maior quantidade de votos, no pleito municipal deste ano. O padrão reflete a força e a influência da Igreja no eleitorado manauara, que acredita nos benefícios da eleição de seus representantes. 

    Nas últimas duas eleições municipais, o eleitorado manauara elegeu como vereador mais votado da capital amazonense candidatos membros da Igreja Universal do Reino de Deus. Neste ano, João Carlos Mello (Republicanos) foi eleito com 13.880 votos. Em 2016, o cargo foi ocupado pelo atual deputado estadual, João Luiz (PRB) eleito com 13.978 votos.

    O vereador Joelson Silva (Patriota), atual presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), cumprirá mais um mandato, sendo eleito neste pleito com a segunda maior votação da capital, 12.493 votos, membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas. 

    Joelson afirmou que sua atuação independe de suas crenças religiosas e que atua para atender toda a população manauara, sem distinções de tipo algum. Além disso, o vereador afirmou que mesmo carregando a bandeira cristã, aprendeu a respeitar e compreender o próximo, sempre mantendo sua convicção de fé. 

    "Graças a Deus, fui eleito pelo povo de Manaus e represento, no parlamento municipal, a população da nossa cidade, formada por pessoas de várias classes, segmentos e independente da minha religião. Não fui eleito para representar apenas uma parcela da sociedade. Tenho minha fé, meus princípios cristãos e isso pauta toda a minha vida e meu trabalho. Respeito todas as religiões e crenças e reforço que trabalho pelo bem de toda a população da nossa cidade", destacou. 

    Ao todo, 11 vereadores foram eleitos com a apoio dos evangélicos para a próxima legislatura, o que representa uma parcela de 29% de todos os parlamentares. Entre eles, o pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira no Amazonas Eduardo Alfaia (PMN); Wallace Oliveira (Pode), da Igreja de Deus Pentecostal do Brasil; Professor Samuel (PL) da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD); pastora Yomara Lins (PRTB); Luis Mitoso (PTB), pastor da IEADAM Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas e Raiff Matos (DC), da Nova Igreja Batista (NIB).

    Raiff explicou que seu objetivo é atuar em defesa dos manauaras, independentemente de credo religioso, e não se define como representante de grupo algum. O vereador eleito destacou que entre seus eleitores estão cristãos que congregam na sua e nas mais diversas denominações, mas não se limitam a apenas estes.

    "Meu trabalho foi feito, em grande parte, nas redes sociais defendendo valores e princípios cristãos. Muitos dos meus eleitores também me conheceram antes de eu entrar na igreja, pelo meu testemunho de homem de caráter. Os eleitores buscam candidatos íntegros e coerentes. Vou atuar com toda a integridade e sem defender interesses de nichos. Obviamente, minhas bandeiras principais têm ligação com os princípios cristãos que defendi durante a campanha", contou o vereador eleito.

    Outros nomes que se elegeram com a influência religiosa foram Thaysa Lippy (PP), filha do deputado estadual e pastor da Igreja Presbiteriana de Manaus, Felipe Souza (Patriota); Jaildo Oliveira (PCdoB), ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia; Marcel Alexandre (Podemos), apóstolo do Ministério Internacional da Restauração, uma das lideranças evangélicas mais tradicionais de Manaus. 

    O taxista Manuel Bonfim, 72, afirmou ser a favor do envolvimento entre Igreja e política, principalmente por acreditar que suas crenças estão sendo representadas. O idoso acredita que a representatividade pode promover uma melhor atuação do vereador à população.

    "Tem que ter alguém evangélico no meio da política porque está muito bagunçado. Se não tiver, não funciona. Eu sou a favor, tem evangélico que é contra, mas contando que ele esteja lá e seja sincero, acabou o problema. Esses que são religiosos têm mais consciência do certo e do errado, é melhor", afirmou o idoso.

    Perda em números

    Na eleição municipal de 2016, o número de parlamentares eleitos ligados a igrejas chegou a 14, o que representa uma queda nos números atuais. Mesmo assim, não significa que a Igreja tenha perdido força ou que os vereadores da bancada evangélica tenham sido prejudicada.

    Além dos vereadores que garantiram a reeleição, a bancada evangélica que estará no poder até o fim deste ano é formada pelos vereadores Felipe Souza (PTN), Missionário André (PTC), João Luiz (PRB), Amauri Colares (PRB), Roberto Sabino (PROS), Dallas Filho (MDB), Chico Preto (PMN), Fred Motta (PR), Gilmar Nascimento (PSD), Junior Resgate (PDT) e Reizo Castelo Branco (PTB).

    O cientista político Helso Ribeiro explicou que a laicidade garantida ao povo brasileiro impede que haja interferência direta da religião nos assuntos do Estado, assim como o oposto. Porém, o que tem acontecido nos últimos anos é o ingresso cada vez maior de representantes da Igreja na política.

    "O Brasil é um país laico. Com isso, a religião não deveria se intrometer em assuntos do Estado e vice-versa. De um tempo para cá, algumas igrejas protestantes, principalmente com um viés neopentecostal, passaram a se interessar pelo poder e pela política e passaram a eleger mais representantes", explicou. 

    Além disso, o cientista político destacou que esse é um padrão seguido não só a nível municipal, mas estadual e nacional. No caso dos vereadores, estes possuem uma atuação limitada, mas independente do nível de atuação, as pautas das bancadas evangélicas são voltadas, em sua maioria, ao conservadorismo.  

    "De um tempo para cá essas Igrejas passaram a eleger cada vez mais pessoas, em todos os estados e municípios do Brasil. O que se observa é que quando há uma mistura muito grande, realmente isso ataca um pouco o estado laico brasileiro, mas não se pode impedir. A bancada evangélica acaba direcionando as pautas do parlamento, não importa qual, para um cunho mais conservador, eu diria", disse Ribeiro. 

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