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    Repercussão negativa


    Membros da bancada se declaram contra retorno de Lula à cena política

    A recuperação da elegibilidade do ex-presidente para as próximas eleições não é bem vista por parlamentares integrantes da bancada

     

    Para a bancada, o retorno do ex-presidente pode tornar a eleição polarizada
    Para a bancada, o retorno do ex-presidente pode tornar a eleição polarizada | Foto: Divulgação

    Manaus - Com a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o consequente retorno de sua elegibilidade, um novo cenário surgiu para as eleições de 2022. Alguns parlamentares da bancada do Amazonas no Congresso Nacional se posicionaram contra o resultado e explicaram que o retorno do ex-presidente à corrida política contribui para a polarização, que já pode ser sentida, prejudicial à democracia no país.

    Na última segunda-feira (8), o ministro Edson Fachin, membro do Superior Tribunal Federal (STF), anulou as condenações do ex-presidente Lula pela Justiça Federal do Paraná em investigações da Lava Jato, o que garantiu a ele o retorno de seus direitos políticos e elegibilidade para as próximas eleições. O ministro determinou que as ações sejam remetidas para Justiça Federal do Distrito Federal, que vai analisar se é possível aproveitar provas.

    O senador Plínio Valério (PSDB-AM) ressaltou ser contra a decisão e disse que a anulação é prejudicial à corrida eleitoral de 2022 e à democracia. O parlamentar explicou que acredita que a anulação das condenações de Lula foi ainda uma manobra que descredibiliza a atuação do próprio sistema de Justiça.

    "Eu não concordo, de jeito nenhum, com a anulação das penas do ex-presidente Lula e a sua volta só favorece o radicalismo. Agora nós teremos a extrema esquerda e a extrema direita, infelizmente a tendência é polarizar bolsonarista contra lulista. Isso não é bom para a democracia nem para o país. Deus queira que apareça uma candidatura de centro que possa enfrentar", disse.

    De acordo com o deputado Delegado Pablo (PSL-AM), a anulação das acusações não inocenta o ex-presidente. O parlamentar destacou ainda que, mesmo que a corrida eleitoral do ano que vem não seja prioridade nas casas legislativas, após a saída do ex-presidente do poder, muito se foi descoberto em relação à acusações de corrupção.

    "O Brasil precisa de soluções hoje para recuperar a saúde e a economia da nação, as eleições 2022 não são a pauta prioritária. Os processos contra o ex-presidente Lula ainda estão em andamento, anular condenações não o torna inocente das sérias acusações que lhe foram imputadas. O ex-presidente Lula governou em tempos de crescimento econômico mundial e ainda assim, após a saída da esquerda do poder, inúmeros escândalos de corrupção e desvios vieram à tona. É esse governo que queremos de volta?", questionou o parlamentar.

    Conflitos

    Para o vice presidente da Câmara, deputado federal Marcelo Ramos, a entrada do ex-presidente Lula da no jogo eleitoral também pode influenciar as tomadas de decisão do presidente Jair Bolsonaro e suas iniciativas de olho na popularidade. Ramos confia, no entanto, no sistema de "freios e contrapesos" que impedirá guinadas drásticas.

    "Eu acho que o presidente Bolsonaro passa a ter uma sombra que ele não tinha. A força do presidente Lula com essas camadas mais pobres da sociedade, ela é inegável. E o fato de ele estar elegível, certamente do ponto de vista político, muda um pouco o tabuleiro do jogo. Pressiona um pouco o presidente da República e obviamente pode exigir do presidente da República movimentos pensando mais na sua popularidade do que na questão do fiscal do país", avaliou.

    Defesa

    Integrante do mesmo partido que o ex-presidente, o deputado federal José Ricardo (PT-AM) defendeu a anulação de Lula e disse que a decisão foi tardia, considerando que foi parte de um processo injusto. Ainda segundo o deputado, a expectativa é de que a decisão de anulação permaneça para que o ex-presidente possa seguir com os direitos políticos.

    "Eu entendo que a decisão do ministro Fachin, mesmo que muito atrasada, depois de vários anos, começa a fazer justiça em relação ao ex-presidente Lula. Ele foi acusado sem provas, foi condenado sem provas, tudo parte de um processo viciado, com o objetivo de impedir a participação do Lula nas eleições de 2018, onde ele era o favorito, conforme as pesquisas apontadas. Esperamos que a justiça seja completada para que Lula possa estar 100% livre e continuar trabalhando pelo país", afirmou.


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