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    Consequências


    Após gesto supremacista, Bolsonaro diz que irá demitir assessor

    Aos interlocutores, o presidente afirmou que o caso gerou enorme desgaste com o Congresso que já está com relação enfraquecida devido a pandemia

     

    Filipe alegou que estava arrumando o microfone do tipo lapela, preso ao terno, e negou ações supremacistas ou nazistas
    Filipe alegou que estava arrumando o microfone do tipo lapela, preso ao terno, e negou ações supremacistas ou nazistas | Foto: Divulgação

    Brasília - O presidente Jair Bolsonaro avisou a interlocutores que vai afastar do governo o assessor especial Filipe Martins. Na quarta-feira (24), ele fez um gesto obsceno, ligado a grupos supremacistas brancos nos Estados Unidos e na Austrália. O ato ocorreu enquanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (Democratas), discursava. Filipe acompanhava o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

    A cena foi transmitida ao vivo pela TV Senado para todo o país. A pessoas próximas, o presidente afirmou que o caso gerou enorme desgaste com o Congresso, que já está incomodado com o avanço da pandemia da covid-19 no país, que deixa um saldo de milhares de mortos por dia.

    Existe uma pressão de parlamentares do Centrão para a demissão do ministro, Ernesto Araújo. No entanto, fontes ouvidas pela reportagem apontam que o presidente resiste ao pedido. Um possível demissão de ambos não está fora de cogitação. O gesto de Martins foi notado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede), que pediu que a Polícia Legislativa fosse acionada para expulsar o assessor presidencial do prédio.

    Ideologia

    Filipe alegou que estava arrumando o microfone do tipo lapela, preso ao terno, e negou ações supremacistas ou nazistas. O assessor integra a ala ideológica do governo, que vem perdendo força para o Centrão, e já tinha seu espaço reduzido com a entrada de militares.

    O gesto, com dois dedos em formato de círculo, e outros três parcialmente levantados, foi feito por um atirador que atacou mesquitas na Austrália. Também é utilizado por grupos de supremacia branca nos Estados Unidos. Os supremacistas acreditam na teoria falsa de que brancos são melhores, mais evoluídos e mais "puros" que negros.

    A ideologia tem como base o nazismo, surgido na Alemanha na década de 20 e que levou a morte de milhões de judeus, negros e deficientes em todo o planeta em câmaras de gás e campos de concentração. Em janeiro do ano passado, o ex-secretário especial de Cultura Roberto Alvim foi demitido após fazer citação do ministro de propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, em um discurso para as redes sociais. O objetivo era divulgar o Prêmio Nacional das Artes.

    *Com informações da assessoria Correio Braziliense 

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