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    Eleições


    Parlamentares do Amazonas traçam estratégias para reeleição

    Representante do Republicanos, o deputado federal Capitão Alberto Neto foi um dos que não descartou a possibilidade de migração partidária

     

    Nos bastidores, a preocupação com a criação de alianças pode ser um grande obstáculo
    Nos bastidores, a preocupação com a criação de alianças pode ser um grande obstáculo | Foto: Divulgação

    Na corrida para as eleições de 2022, deputados federais e estaduais traçam estratégias, incluindo mudanças partidárias visando a reeleição. De acordo com cientistas políticos, partidos grandes como MDB, PSL, DEM devem receber o maior número de filiados por conta das mudanças da Reforma Eleitoral de 2020.

    Nos bastidores, a preocupação com a criação de alianças pode ser um grande obstáculo, caso as coligações para o Poder Legislativo continuem proibidas. Neste caso, a disputa pelas siglas será solitária tanto na Câmara Federal quanto na Assembleia Legislativa.

    Representante do Republicanos, o deputado federal capitão Alberto Neto foi um dos que não descartou a possibilidade de migração partidária. Segundo o parlamentar, apesar da dificuldade encontrada pela maioria dos partidos, ainda há uma possibilidade de reversão de tais mudanças.

     “Neste momento, na Câmara, existe um grupo de trabalho específico para levar novas propostas eleitorais. A mais forte que vejo quer uma aceitação da ‘verdade eleitoral’, em que os mais votados vençam uma eleição. Este é o processo natural, e acho que seria a maneira mais democrática (de candidatos) para o Congresso”, afirmou, destacando que tudo depende da reforma eleitoral.

    Atualmente, na bancada amazonense da Câmara dos Deputados, Capitão Alberto e Silas Câmara representam os únicos deputados federal do Republicanos, enquanto Marcelo Ramos (PL), Sidney Leite (PSD), Bosco Saraiva (SD), José Ricardo (PT), Delegado Pablo (PSL) e Atila Lins (PP) permanecem como os únicos representantes amazonenses de seus partidos.

    Questionado a respeito das dificuldades enfrentadas para as próximas eleições, o deputado federal Marcelo Ramos ressaltou que o obstáculo vale para todos. “Certamente, é mais difícil alcançar quociente sem coligação, mas a dificuldade será a mesma para todos porque a regra é a mesma para todos. Quem não tiver pelo menos um candidato com mais de 100 mil votos terá muita dificuldade de fazer o quociente eleitoral. Na eleição passada só 20 candidatos tiveram mais de 20 mil votos”, respondeu o parlamentar, que negou a possibilidade de migração partidária.

    Dificuldade enfrentada pelos partidos 

    Atualmente, partidos com baixo número de adesão nas bancadas tendem a enfraquecer, perdendo assim um quadro de representantes em 2022. Além disso, com nomes pouco competitivos na eleição, alguns destes podem não só desaparecer do Legislativo, mas também da cena política. Atualmente, é o caso de siglas como PC do B, PTB, Solidariedade, Patriota, Avante e Novo.

    Na Câmara Municipal, existem também muitos partidos que contam com pouquíssimos ou apenas um deputado. E para manter a cadeira, será necessário uma grande articulação. No momento, MDB, PSL, DEM tendem a absorver, até março de 2022, um grande número de adeptos.

    Janelas Partidárias e mudanças na regra para eleições

    Criada em 2015 pela reforma eleitoral, a janela partidária se tornou possível por meio da lei 13.165/2015, passando a permitir a mudança de partido efetuada durante o período de 30 dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.

    Até 2007, entretanto, o troca-troca era possível sem necessidade de justificativa. Naquele ano, o Superior Tribunal Federal chegou ao entendimento de que mandatos eletivos proporcionais pertencem aos partidos, e não aos políticos eleitos.

    Há, ainda, outras dificuldades instituídas recentemente pelo Congresso Nacional. Isso porque, na votação de deputados federais para 2022, foram proibidas as coligações no âmbito proporcional – o que engloba vereadores, deputados federais e estaduais. Além disso, as siglas precisam obter, no mínimo, 2% de votos totais nas eleições. Caso contrário, perde-se o direito à verba de fundo partidário e tempo de propaganda da TV e no Rádio.

    Para o cientista político Carlos Santiago, tais mudanças, entretanto, visam beneficiar apenas partidos considerados grandes. “O fim das coligações somente contempla os grandes partidos como PT, o MDB, o PSL, o PP, O PSD e o PL.  Alguns deles, inclusive, terão candidatos à presidência da República e ao governo dos estados. Isso também facilita na votação desses partidos”, ressaltou o estudioso.

    Ainda de acordo com Santiago, a mudança de partidos visa uma busca pela melhor estratégia para eleição ou reeleição. Há, no entanto, um lado ruim. “ Isso enfraquece a ideologia partidária e dificulta o entendimento do eleitor sobre a linha política do candidato. Por isso, no Brasil o voto ainda é muito personalista, e os partidos, na sua grande maioria, apenas siglas para disputar eleições”, finalizou o especialista.

    Em 2022, o período das janelas partidárias tem previsão para ocorrer por volta de março de 2022, seis meses antes das eleições gerais. As janelas, entretanto, não valem para prefeitos, governadores e senadores.

    Articulação da esquerda para as eleições de 2022

    Para o deputado federal José Ricardo (PT), se mantidas as regras da Reforma Eleitoral, a tendência é  uma reprise do as eleições municipais. “À nível majoritário, não há dúvidas de que haverá diálogos para a criação de alianças. A eleição para governador do ano que vem é importante, e serão discutidos projetos para cuidar do estado e do Brasil, e o Partido dos Trabalhadores tem um projeto de reconstrução do Brasil. No Amazonas, precisamos de uma proposta para cuidar da economia, inclusão social, geração de emprego, aproveitamento de riquezas e, enfim, cuidar da vida e dos povos amazônicos de nosso estado", concluiu o petista.

    Já Vanessa Grazziotin (PC do B) argumenta que, na esquerda, existe articulação para discutir soluções. “Eu e meu partido, particularmente, já defendemos há muito tempo a possibilidade da criação de federações, o que significa grandes coalisões, como existe em vários países do mundo. Isso ajudaria muito a politizar a população. Acho que dentro da política o que vale são as ideias e programas, e não pessoas. As pessoas vão e vem, e o programa fica ali”, ressaltou Grazziotin.

    Questionada a respeito de uma possível mudança de partido, tendo em vista sua ausência no âmbito político, a ex-parlamentar negou a ideia. "Não há hipótese, assim como nunca mudei minhas posições para me manter em mandato. Tive uma única filiação partidária a vida toda e sempre lutamos muito pela democracia e pelas liberdades e, de fato, por uma sociedade baseada na solidariedade, empatia e onde não exista tantas diferenças sociais e de classe", finalizou a ex-parlamentar.

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