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    Com a palavra


    'Entrei para fazer o que os outros ainda não fizeram', diz Carpê

    Vereador destacou seu trabalho na Comissão de Segurança Pública, deixando claro sua preocupação com o bem-estar da população mais necessitada

     

     O parlamentar também destacou as ações que têm colocado em prática em seu primeiro mandato e o legado que pretende deixar para Manaus nos próximos anos
    O parlamentar também destacou as ações que têm colocado em prática em seu primeiro mandato e o legado que pretende deixar para Manaus nos próximos anos | Foto: Brayan Riker

    Em entrevista exclusiva ao Em Tempo, o vereador capitão Carpê (Republicanos) discorreu sobre os primeiros meses de seu mandato e os trabalhos como presidente da Comissão de Segurança Pública. Eleito vereador de Manaus com mais de 8 mil votos, o militar e graduado em direito destacou suas ações nos bairros em busca de prestação de serviço. Com foco na população de bem, demonstra o legado que quer deixar para Manaus nos próximos anos.

    Ele assegurou que na comissão de Cultura e Patrimônio Histórico, da qual é vice-presidente, e à Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) vai propor medidas que garantam o retorno das atividades econômicas do setor cultural e turístico de forma segura. O parlamentar também destacou as ações que têm colocado em prática em seu primeiro mandato e o legado que pretende deixar para Manaus nos próximos anos.

    EM TEMPO - Vereador, o senhor veio da Segurança Pública e resolveu entrar no campo político. Qual foi sua trajetória para chegar até a Câmara Municipal?

    No ano de 2009, ingressei na Polícia como soldado. Em 2010 graduei na faculdade de Direito e em 2011 passei, novamente no certame para policial. Em 2018 fui promovido a capitão de polícia e em 2020 coloquei meu nome, como qualquer outro cidadão com este direito político, à vereador, levantando a bandeira do que é certo.

    Moro há 25 anos em bairro, na Compensa, e sei da realidade. Graças a Deus, quase 9.000 acreditaram e confiaram em mim, e fui o quarto vereador mais bem votado neste pleito

    EM TEMPO - Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas nos seus primeiros meses de mandato, durante a pandemia?

    Recebemos uma herança da Covid-19 e infelizmente fomos pegos de surpresa. Não apenas nós manauaras, mas todo mundo. Falar da covid-19 é algo muito novo e precoce, pois até o momento ainda estamos tentando sobreviver. Profissionais têm levantado a bandeira de uma terceira onda, então é temerário falar sobre isso, pois não chegamos a uma solução permanente.

    O que se espera é que a vacinação em massa, de fato, resolva a crise para que consigamos sair de tudo isso. Até então, é algo muito novo. A vacinação ainda não mostrou sua eficácia 100%. Mas estamos vivendo uma nova realidade.

    O grande desafio dos políticos é conseguir passar por esse momento de crise sanitária sem precedentes em que precisamos salvar vidas e, ao mesmo tempo, salvar a economia. Pessoas passaram fome e necessidade, perdendo seus empregos. Empresas e empresários quebrando e, diante de tudo isso, muitas pessoas morrendo.

     

    Carpê vai propor medidas que garantam o retorno das atividades econômicas do setor cultural e turístico de forma segura
    Carpê vai propor medidas que garantam o retorno das atividades econômicas do setor cultural e turístico de forma segura | Foto: Brayan Riker

    EM TEMPO - Recentemente, o senhor lançou sua candidatura à presidência da recém-criada comissão técnica de segurança pública da CMM. Caso assuma o comando da comissão, qual será a sua contribuição junto ao colegiado?

    Tenho o grande orgulho de dizer que fizemos história na cidade de Manaus. Sempre houve um discurso na antiga gestão de que não cabia ao município discutir sobre segurança pública. Claro que a constituição federal, em seu artigo sobre segurança pública, discorre que isso é obrigação do estado. Mas o mesmo artigo diz que isso é responsabilidade de todos!

    Posso dizer que o primeiro projeto de lei aprovado em 2021 nesta legislatura foi o projeto de emenda à LOMAN (Lei Orgânica do Município de Manaus), criando a 23ª Comissão de Segurança Pública. E algumas pessoas acham que segurança pública é apenas o policial armado reprimindo o crime, mas é muito mais do que isso. É prevenção.

    Dentro de toda as esferas, podemos trabalhar em conjunto e me coloco à disposição. Me sentiria inútil sendo especialista em segurança pública,  tendo 12 anos de policia militar e não poder utilizar aquilo que tanto tenho conhecimento para melhorar a vida das pessoas. Acredito que Manaus pode sim ser uma cidade melhor para se viver e eu quero poder contribuir com isso! Devemos chamar a policia militar e forças de segurança para discutir o que é melhor para nosso estado e, especificamente, para nossa cidade.

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    O que se espera é que a vacinação em massa, de fato, resolva a crise para que consigamos sair de tudo isso "

    vereador Carpê sobre a imunização,

     

    EM TEMPO - De Janeiro a novembro de 2020, a SSP registrou 289 casos de importunação sexual em terminais de ônibus e no transporte público. No âmbito legislativo, o que pode ser feito para combater o assédio nesses ambientes?

    Infelizmente isso é uma realidade não só de Manaus, mas de todo o Brasil. Juntamente com nossa equipe, estamos desenvolvendo um projeto de campanhas de orientação dentro de coletivos, terminais e áreas centrais de Manaus.

    Hoje a mulher, muitas vezes, é assediada, não sabe o que fazer e muitas vezes nem sabe que está sendo assediada. É constrangedor! Muitos criminosos não tem pudor nem respeito por ninguém. Acham que, pela roupa que a mulher está usando, têm direito de fazer isso. Precisamos deixar claro que isso é crime, e as mulheres precisam saber disso.

    Começaremos a trabalhar com campanhas permanentes pela cidade, orientando essas mulheres e disponibilizando número de viatura . E aí entra o estado, a PM,  uma guarda municipal bem armada e estruturada, para dar apoio a esse tipo de ocorrência.

    EM TEMPO - Você tem algum projeto para melhorar a classe de moto-taxistas?

    Fui motoboy durante 10 anos da minha vida. É uma categoria que merece respeito e é, muitas vezes, marginalizada. Precisamos tratar essa categoria com responsabilidade e trazê-los para a mesa de negociação, legalizar e estipular o lugar que podem atuar, já que perderam tanto espaço para motoristas de aplicativo.

    Vemos milhares de pais de família que só querem trabalhar, sobreviver e pagar suas contas. Não é crime trabalhar. O que for o melhor para vocês e seus usuários, nós faremos. 

    EM TEMPO - Há um planejamento para o transporte publico de Manaus?

    Precisamos de um estudo técnico e mapeamento. Se for preciso trocar empresas, que sejam trocadas. Não dá para ter uma das maiores tarifas de ônibus do brasil e com um serviço precário.

    Essas empresas não estão aqui de favor. Ninguém os obrigou a trabalhar aqui. E se estão aqui, que ofereçam um trabalho de excelência para a população.

    Só no ano passado, até o meio do ano, tivemos mais de 1.400 assaltos a transporte coletivo. Todos os dias recebemos vídeos de reclamações, e isso é um absurdo. Precisamos trazer mais tecnologia e segurança para esses ônibus. A população está amedrontada pela violência e por não ter um serviço de excelência.

    EM TEMPO - Qual projeto você tem para autônomos e vendedores ambulantes?

    De fato, muito me preocupa a situação dos autônomos e ambulantes, pois nessa pandemia foram os que mais sofreram por não possuir segurança financeira. Infelizmente, precisamos de políticas públicas para proporcionar incentivos econômicos para que possam investir em seu trabalho.

    Sobretudo, estamos trabalhando para fazer um banco de cadastro. Marcarei reuniões com empresas do distrito industrial, supermercados de grande porte e outras empresas que possam nos informar a disponibilidade de vagas de emprego. Ajudaremos direcionando essas pessoas para que possam ter acesso a um trabalho fixo e seguro.

    Acredito que as pessoas precisam de oportunidades, e usamos a estrutura que temos para oferecer isso. Estamos aqui para intermediar e dar voz a essas pessoas. Com a pandemia, muitos ficam desempregados e sem poder levar pra casa o pão de cada dia. Enquanto isso, é necessário uma ajuda. 

     

    O vereador defende a capacitação da guarda municipal
    O vereador defende a capacitação da guarda municipal | Foto: Brayan Riker

    EM TEMPO - Durante a campanha eleitoral do ano passado, ouviu-se muito falar sobre armar a guarda municipal. Qual sua opinião sobre o assunto e o que pode ser feito para melhorar a qualidade dos serviços da guarda municipal?

    A guarda municipal foi abandonada pela gestão anterior, e está em atraso há 70 anos. É uma guarda caduca, há muito tempo desvalorizada e desrespeitada. Hoje, o guarda municipal recebe um salário mínimo de por volta de R$400,00. Precisamos valorizar quem está por traz da farda e melhorar suas vidas como profissionais.

    A guarda tem como contribuir, e muito, para a diminuição de crimes. Temos que tirá-la de uma caixa escondida para que ela possa contribuir com a segurança. Na constituição, a guarda municipal está prevista. Criamos, ainda, um projeto de lei que tramita na Câmara para armar a guarda municipal.

    Precisamos criar também, junto ao prefeito, a Secretaria Municipal de Defesa Social. Além disso, fazer concursos públicos (para o cargo de guarda municipal) e, sobretudo, atualizar esses guerreiros. Levar para uma sala de estudo, mostrar o que vem acontecendo no país e qualificá-los e proporcionar uma melhor estrutura.

    EM TEMPO - Embora a gestão anterior da prefeitura tenha trabalhado para melhorar a infraestrutura da cidade, ainda há muito a se fazer. Como o senhor pretende tratar dessas pautas e o que considera mais relevante no momento?

    Manaus é coberta por igarapés, e com a erosão do solo e fortes chuvas abrem-se mais buracos. Isso não é uma desculpa, mas precisamos reconhecer o trabalho que está sendo feito. Tenho dezenas de solicitações, e hoje, inclusive, acabei de sair do Bairro da Paz, onde uma caixa de esgoto invadiu a casa de um senhor e a erosão do solo acabou destruindo a parte interna de sua residência. Ali tem um cidadão! Temos que valorizar os bairros que votaram nos prefeitos, e essas pessoas são a prioridade.

    Muitas vezes, as pessoas não têm voz. Por isso, criei meu gabinete digital (capitãocarpe.com.br) e um gabinete externo no bairro, que mantenho com meu próprio salário. Acredito que o político precisa estar próximo da população.  Na maioria das vezes, o cidadão é eleito, se esconde no gabinete e não atende ninguém.

    Sempre deixei claro a todos que a população será atendida. Fui eleito para isso. Tinha 12 anos de polícia e provavelmente me aposentaria como coronel. Hoje, me aposentaria na polícia  num proporcional de 12 anos, e troquei isso por um mandato de 4 anos como vereador Não entrei para brincar, e sim para trabalhar e fazer aquilo que os outros não fizeram. Saí de uma viatura para que pudesse ser a voz das pessoas e da própria tropa.

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    Acredito que as pessoas precisam de oportunidades, e usamos a estrutura que temos para oferecer isso "

    vereador Carpê sobre os autônomos,

     

    EM TEMPO - Na tribuna da CMM, o senhor chegou a solicitar da prefeitura que os frequentadores de festas clandestinas sejam vacinados por último. Por que o senhor fez esse pedido e como seria a triagem?

    Todo e qualquer tem direito de acesso à saúde, essa é a verdade. Mas me posicionei sobre isso dando uma ideia bem simples. Se você que participa de festas clandestinas, não tem a noção de que mais de 10 mil pessoas morreram no Amazonas só pelo Covid-19, então você não se preocupa em ser vacinado. O justo seria que estas pessoas se vacinassem por último.

    A triagem seria feita da seguinte maneira: toda e qualquer abordagem policial que consiga flagrar essas pessoas colocaria seu nome no banco de dados da SEMSA, e essa pessoa seria automaticamente mapeada.

    Todos os finais de semana recebemos denúncias. A segurança pública está colapsada com um efetivo pequeno de policiais militares.

    Quando essa pessoa vai para uma festa clandestina, ela pode até sobreviver por ser jovem, mas levará o vírus para dentro de sua casa. Então, repudio qualquer tipo de atitude irresponsável. Esse momento é de salvar vidas. Estamos estudando se é possível entrar com um projeto de lei para que esta proposta seja formalizada.

    EM TEMPO - Como o legislativo pode ajudar na melhoria da qualidade dos serviços de atendimento das unidades básicas de saúde?

    Estou muito focado em meu mandato de vereador, e acredito que ainda temos muitas pautas para tratar. Tenho sido convidado e incentivado para tentarmos uma cadeira, mas nada foi decidido. Na verdade, meu foco é em Manaus, na Câmara Municipal. Mas, eu sou policial militar e sou cumpridor de missão e se a missão for determinada, iremos para cumprir. Neste momento, estou focado como vereador da cidade de Manaus.

    EM TEMPO - Vereador, o que a população   pode esperar da sua atuação política nos próximos anos? O senhor vai tentar uma cadeira na Assembleia ou na Câmara dos Deputados?

    Manaus tem muitas demandas e é difícil conseguir agradar a todos. Vivemos um momento de crise politica, ética, moral, econômica e sanitária em todo o país. Coloquei meu nome para ser vereador de Manaus pois acredito que posso ser sua voz, lhe representar e melhorar sua vida e segurança, já que isso eu não conseguia fazer dentro de uma viatura.

    Acompanhe a entrevista no programa 'Papo Franco' da Web TV Em Tempo:

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