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    Covid-19


    Especialistas e políticos divergem sobre risco de terceira onda no AM

    Repercussão se deu após secretário de Saúde do Governo ressaltar a possibilidade de retorno da Covid-19 até maio

     

    O Secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, afirmou que uma 3ª onda de Covid-19 no estado pode começar em 60 dias
    O Secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, afirmou que uma 3ª onda de Covid-19 no estado pode começar em 60 dias | Foto: Brayna Riker/ Em Tempo

    Manaus - O risco de uma terceira onda da Covid-19 no Amazonas tem incitado debates entre cientistas e políticos do Estado. Apesar do secretário de Estado de Saúde, Marcellus Campêlo, ter dito que há probabilidade dos amazonenses enfrentarem uma terceira fase da pandemia, o vereador Marcelo Serafim (PSB) utilizou as redes sociais na segunda-feira (12) para enfatizar que a ideia de terceira onda pode ser considerada alarmista. 

    Em evento ao lado do governador Wilson Lima (PSC), na última terça-feira (6), o Secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, afirmou que uma 3ª onda de Covid-19 no estado pode começar em 60 dias. A fala repercutiu entre parlamentares em Manaus, trazendo opiniões divergentes na Câmara Municipal.

    Marcellus Campêlo declarou, ainda, que o Amazonas prepara um novo plano de contingência, onde dados serão monitorados para a decisão das medidas tomadas na hipótese de aumento de casos, internações e óbitos pela Covid-19. Além do secretário, Lima também não descartou a possibilidade, ressaltando uma preparação para o pior cenário possível. De acordo com o governador, tudo depende das medidas tomadas, principalmente com relação ao comportamento social.

    Parlamentares divergem de fala do secretário

    Nas redes sociais, o vereador Marcelo Serafim (PSB) afirmou que propagar sobre a possibilidade da terceira onda é  algo que não ajuda neste momento. Para o vereador, o que auxilia no combate ao vírus é evitar aglomerações, lavar bem as mãos, utilizar sempre as máscaras e o álcool gel.

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    Dessa forma, ampliando a vacinação em grupos com comorbidades e utilizando medidas não farmacológicas, certamente nossa cidade não viverá algo parecido com o que vivemos em janeiro "

    Marcelo Serafim, vereador,

     

    Questionado a respeito de um possível aumento nas internações nos últimos dias, tendo em vista recentes flexibilizações de distanciamento social por decretos do governo, o vereador ressaltou que é necessário diferenciar as palavras “onda” e “repique”.

    “É natural que, com reduções de medidas restritivas, você tenha um aumento do número de casos. Portanto, entendo que precisamos, sim, manter o distanciamento social e medidas de precaução. No entanto, os números que a FVS vem apresentando, até o presente momento, não indicam este aumento de casos, internações e mortes”, afirmou, enfatizando que tais números representam uma realidade à nível de pré-pandemia.

    Ainda segundo o vereador, não é possível manter a economia ativa sem a liberação do comércio. Entretanto, é preciso responsabilidade. "Como exemplo, temos os shoppings que estão funcionando bem e com todos os critérios de distanciamento. Por outro lado, o que aconteceu na Praça do Caranguejo no Eldorado, este fim de semana, foi um verdadeiro absurdo. É preciso abrir o que dá para abrir, mas os estabelecimentos que o fizerem de forma irresponsável devem ser fechados”, finalizou o parlamentar.

    O vereador Amom Mandel (Podemos), por outro lado, afirmou que a terceira onda do vírus é, de fato, uma realidade.

    "Alguns dados têm me deixado muito preocupado, como o fato de Manaus estar decrescendo no ranking de cidades que mais vacinam. Hoje, não somos mais uma das cidades que utiliza a maior parte das doses que recebe. Enquanto a cidade de São Paulo já utilizou 90% das doses de vacina recebidas, Manaus utilizou apenas 75%", disse o vereador, que alegou, ainda, ser necessário reforçar a fiscalização do distanciamento social na cidade.

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    Existem muitas doses estocadas e precisamos acelerar a vacinação, que é uma das principais formas de interromper esta cadeia de infecções "

    Amom Mandel, vereador,

    Aglomerações e descumprimentos do decreto governamental

    Na segunda-feira (12), estabelecimentos que funcionam na Praça do Caranguejo –  localizada no Conjunto Eldorado, no bairro Parque 10 de novembro –  foram interditados após denúncias de aglomerações durante o fim de semana. De acordo com o governador Wilson Lima, os restaurantes e bares permanecerão fechados por 15 dias, e apenas voltarão a funcionar quando apresentarem um plano de distanciamento social e cumprimento de protocolos de segurança sanitária.

    O vereador William Alemão (Cidadania), por sua vez, considerou a resposta do governo exagerada, ponderando que punições devem ser mantidas apenas a quem insistir em desrespeitar o protocolo. “O que está em jogo, principalmente, é a manutenção desses empregos. Que seja examinado exatamente quem errou, ou se foram todos, e haja a punição devida. Em nenhum momento eu vou defender, nesses próximos quinze dias, que a Praça do Caranguejo volte a funcionar do jeito que estava. Isso não tem a menor condição, mas lembro que há um decreto hoje, em que os estabelecimentos podem abrir com até 50% de capacidade dentro do seu espaço”, frisou o vereador.

    Opinião de especialistas

    Nesta terça-feira (12), o Boletim Diário da Covid-19 da Fundação de Vigilância Sanitária do Amazonas (FVS-AM) destacou a situação epidemiológica do estado com relação ao vírus. Até o momento, são 995 novos casos de Covid-19, totalizando 359.915 casos da doença no estado.

    De acordo com o boletim, ao longo do dia foram confirmados 23 óbitos por Covid-19, sendo seis ocorridos no dia 12/04. Além disso, 17 óbitos foram encerrados por critérios clínicos, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial, elevando para 12.294 o total de mortes.

    De acordo com o assessor da Sala de Situação de Saúde da FVS-AM, Daniel Barros, o ano de 2021 contou com um aumento da letalidade e mortalidade por Covid-19 em todos os grupos etários, principalmente em razão da nova variante P.1.

    “Em jovens de 20 a 59 anos, esse aumento foi ainda mais expressivo, principalmente em mulheres. Isso acontece, possivelmente, por este ser um dos grupos que mais se expõe – seja por motivos de trabalho ou por questões recreativas, em ambientes de festas. Percebemos, inclusive, que este cenário ocorre no restante do país”, explicou o epidemiologista.

    Além disso, o especialista ressaltou serem necessários mais estudos para verificar o motivo desta maior capacidade do vírus em gerar casos graves de infecção. "Independente da variante, as medidas de prevenção são as mesmas, e devemos intensificar o uso de máscaras, distanciamento social e higienização das mãos”, finalizou Barros.

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