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    Com a palavra


    'As bandeiras que me elegeram, vou defender até o fim', diz Thaysa

    A vereadora destacou suas principais pautas e a necessidade urgente da participação de mulheres no poder público

     

    Vereadora diz que o principal desafio foi estar preparada para lidar com questões burocráticas que a legislatura pede
    Vereadora diz que o principal desafio foi estar preparada para lidar com questões burocráticas que a legislatura pede | Foto: Brayan Riker

    Manaus - Recém eleita vereadora de Manaus, Thaysa Lippy é empresária, advogada, envolvida em atividades voluntárias e filiada ao Partido Progressista. Em seu primeiro mandato, aos 28 anos, a parlamentar já é presidente da Comissão de Acompanhamento de Leis, além de membro de outras comissões voltadas ao meio ambiente, saúde, direito das mulheres e direitos do autista.

    Em entrevista exclusiva concedida ao Em Tempo, a vereadora discorreu sobre suas principais pautas e a necessidade urgente da participação de mulheres no poder público para contribuições decisivas para a capital.

    EM TEMPO - Vereadora, a senhora está em seu primeiro mandato. Quais foram os principais desafios enfrentados nesses primeiros meses no parlamento?

    O principal desafio foi estar preparada para lidar com questões burocráticas que a legislatura pede. Comecei a estudar o regimento interno antes do início de meu mandato, ainda em dezembro. Muitas vezes, caso não haja esse preparo, você inicia um projeto de lei de uma maneira errada. Para otimizar o tempo, tive um preparo de estudo e dedicação para não haver entraves no planejamento de projetos.

    Sou, além disso, titular da CCJ, comissão que verifica a constitucionalidade dos projetos de lei que os vereadores propõem.  Por isso, além do cuidado com meus próprios projetos – para que sejam efetivos e legais –, lido com a análise de projetos de lei de outros colegas.

     

    Vereadora apresenta pautas em defesa das mulheres
    Vereadora apresenta pautas em defesa das mulheres | Foto: Brayan Riker

    EM TEMPO - Celebramos este mês o dia nacional de conscientização sobre o autismo. No Brasil, é cada vez mais comum o diagnóstico de pessoas portadoras do transtorno. Durante a pandemia, a senhora já realizou algum projeto ou solicitação ao executivo, voltados a esse público?

    Tenho vários projetos voltados ao autismo. Visitei, na semana passada, o Instituto do Amigo Rui (IAMAR), um espaço voltado para todo acompanhamento e diagnóstico de pacientes autistas. 

    Como falo bastante do assunto, tanto nas redes sociais quanto no plenário, algumas pessoas me relataram dificuldades do atendimento neste espaço, e assim fui ao local para entender o que estava acontecendo.

    O número de profissionais disponíveis – como fonoaudiólogos, assistentes sociais, psicólogos – para o devido acompanhamento da criança é desproporcional para a grande quantidade de crianças em busca de atendimento. Até o dia que estive lá, havia 3.426 crianças cadastradas para atendimento aguardando na fila de espera.

    Quando se fala de autismo, são várias dificuldades envolvidas, desde o comportamento, fala, socialização e expressão. Existe um momento de tratamento para que os ganhos sejam efetivos para a criança. Se demorar demais, o resultado pode ser reduzido. São cada vez mais crianças sendo diagnosticadas. Aqui no Brasil, segundo estudos, a cada 88 crianças, uma é autista.

      "Sou, além disso, titular da CCJ, comissão que verifica a constitucionalidade dos projetos de lei que os vereadores propõem"  

    EM TEMPO - A senhora é membro de uma Comissão voltada aos direitos das mulheres. Em Manaus, de acordo com dados da SSP, houve um aumento elevado dos índices de violência contra a mulher durante a pandemia. Quais suas propostas em relação a isso?

    No mês da mulher, em março, fiz uma proposta de lei para que a Prefeitura de Manaus solicite de empresas contratadas para serviços municipais a reserva de 5% de suas vagas para mulheres vítimas de violência doméstica. As pesquisas mostram que a maioria das mulheres que passam por essa situação não conseguem denunciar por dependerem financeiramente do agressor.

    Na maioria das vezes, essas pessoas estão apenas esperando por uma oportunidade, e esse emprego pode representar uma mudança de vida. Este projeto de lei está tramitando na Câmara, e espero a aprovação dos colegas e sanção dos prefeitos.

    EM TEMPO - Quais suas propostas para a Saúde municipal de Manaus?

    Uma das ações já implementadas foi o agendamento das vacinas. Até então não havia agendamento, e a vacinação estava sendo realizada com critério de idade. Fiz a indicação ao prefeito, e hoje as pessoas estão se cadastrando para evitar aglomerações e filas enormes, como era no início.

      "Precisamos cuidar do bem maior que possuímos no Amazonas"  

    EM TEMPO -  Sabemos que um dos destaques de seu mandato é a assistência social. Ao longo desta pandemia, como você pode destacar sua atuação no parlamento frente às necessidades da população?

    Em relação à pandemia, vivemos em janeiro um mês muito tenso. Nossa equipe foi às ruas para disponibilizar, nos hospitais e UBS, lanches e almoço para a população. Além disso, hoje o que mais a população está precisando é de ranchos, cestas básicas e emprego.

    Recebemos muitos currículos e os direcionamos para vários setores de Recursos Humanos com que temos contato, pois sempre há necessidade de contratação. Em relação à alimentação, recebemos diversas doações e fomos direcionando aos necessitados que entravam em contato.

     

    "Por ser jovem e mulher, as pessoas se perguntam se realmente entendo o que estou fazendo"
    "Por ser jovem e mulher, as pessoas se perguntam se realmente entendo o que estou fazendo" | Foto: Brayan Riker


    EM TEMPO - Recentemente, vimos uma grande empresa flagrada despejando detritos em afluentes de Manaus. O que é preciso para que tais empresas – principalmente aquelas instaladas no Polo Industrial – cumpram com as leis ambientais para a devida proteção de nossos mananciais?

    Acho que precisa haver uma fiscalização e punição maior. Não adianta detectar quem são, se não houver punição. Quando dói no bolso, você gera uma consciência. É uma situação delicada e de conscientização, também, por parte da população. Onde se vê há sacolas plásticas ou garrafas de vidro nos igarapés. Precisamos cuidar do bem maior que possuímos no Amazonas.


    EM TEMPO - No ano de 2020, a SSP registrou 269 casos de importunação sexual em terminais de ônibus e no transporte público. O que pode ser feito para combater o assédio nestes ambientes?

    No final do mês de março, lançamos em meu gabinete a “Cartilha da Mulher: meus direitos, minhas regras!”, e nela estão os direitos das mulheres, as seis principais leis, onde buscar ajuda e o endereço das três delegacias especializadas para a mulher. É uma questão de informar a população, pois uma vez informada, ela irá atrás de seus direitos.

    A cartilha está disponível, ainda, nas minhas redes sociais e em meu gabinete, de maneira virtual. Por isso, devemos levar essa informação a outras mulheres, pois esse tipo de crime deve acabar. É preciso empoderá-las para que saiamos deste alto índice de importunação.

    EM TEMPO - Vereadora, o que a população pode esperar da sua atuação na Câmara nos próximos anos? A senhora pretende tentar uma cadeira na Assembleia ou permanecerá como vereadora?

    Na verdade, penso que tudo tem seu tempo. Sou uma pessoa cristã, confio muito no Senhor e na vontade dele para minha vida. O que tiver que ser, será. Hoje, estou preocupada em fazer o melhor como vereadora de Manaus.

    EM TEMPO - A que a senhora atribui o fato de termos tão poucas mulheres no parlamento de Manaus? Não está na hora da mulher ocupar ainda mais destaque no poder público?

    Acho que são várias situações que influenciam.  Por exemplo, tenho 28 anos e, por ser jovem e mulher, as pessoas se perguntam se realmente entendo o que estou fazendo ou se caí de paraquedas (na Câmara). Esse preconceito existe, e sentimos isso tanto no ambiente de trabalho como lá fora, com a própria população. Se isso não existisse, com certeza haveria mais mulheres na CMM.

      "Muitas ainda não conversam sobre política ou não se atualizam e procuram ler a respeito"  

    Também falta a questão do próprio interesse da mulher. Muitas ainda não conversam sobre política ou não se atualizam e procuram ler a respeito. Por já ser um ambiente predominantemente masculino, há um certo receio. Hoje, são apenas quatro mulheres na Câmara, e eu sou a mais jovem. 

    Por isso, falta também o apoio dos homens às mulheres. Sou filha do deputado Felipe Souza (Patriota), e ele sempre me apoiou e me disse que eu poderia ser o que quisesse, desde que fizesse o meu melhor, estudasse e me capacitasse. Quero parabenizar os homens que incentivam suas mulheres para que essa realidade venha a ser mais recorrente.

    Nós, mulheres, representamos 52% da população brasileira, e esse número não reflete no parlamento. A mulher acaba, portanto, sendo sub-representada, e muitas pautas relacionadas à nós são decididas por homens. Precisamos de uma representação efetiva, com pautas femininas feitas por mulheres – que são as que sentem na pele!

    EM TEMPO - Qual recado você pode dar à população com relação às propostas de seu mandato?

    Quero deixar claro para a população de Manaus que as bandeiras que me elegeram, assim como os assuntos de maior importância ao povo, serão defendidos por mim até o final do meu mandato. Eu e minha equipe estamos abertos para ouvir a população e fazer sua voz ser representada na Câmara Municipal. Nossas bandeiras principais são pautas relacionadas ao autismo, à mulher e à saúde. Ouvir propostas é de suma importância. 

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