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    Liderança


    Troca de líderança do Governo repercute entre deputados da Aleam

    Em processo de cassação, Joana Darc (PL) pode ser substituída na liderança do governo da Aleam.

     

    De licença-maternidade, Joana Darc (PL) pode se manter afastada das atividades do cargo por um período de até 120 dias
    De licença-maternidade, Joana Darc (PL) pode se manter afastada das atividades do cargo por um período de até 120 dias | Foto: (Divulgação)

    Manaus - Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputados repercutem nos bastidores a possibilidade de substituição da liderança do governo no parlamento, sem representante há cerca de 40 dias. De licença-maternidade, Joana Darc (PL) pode se manter afastada das atividades do cargo por um período de até 120 dias.

    Nos bastidores, o deputado estadual Belarmino Lins (PP) é uma das apostas como alternativa à liderança do governo. Questionado sobre a possibilidade de assumir a vaga, o parlamentar não confirmou ou negou interesse. O deputado, entretanto, pontuou requisitos para o exercício de uma boa liderança.

      “É necessário capacidade e humildade à função, junto à bancada oposicionista. Além disso, é preciso transitar fluentemente com as autoridades do governo, estabelecendo um nível de credibilidade e respeitabilidade em receber e transmitir informações. Apenas com equilíbrio, serenidade, controle emocional e respeito, você merecerá o respeito de todos”, afirmou Belarmino.  

    Já para Therezinha Ruiz (PSDB), que também compõe a base do governo na Assembleia, ainda não há mobilização encaminhada para tal mudança.

    “Eu me sinto preparada, mas infelizmente nem fui convidada. Além disso, também não disponho do tempo necessário para executar tal função –  que é muito importante para que o governo tenha um interlocutor na assembleia. O perfil diz respeito a alguém com experiência, disponibilidade de agenda para acompanhar e conhecer as ações governamentais, e que tenha um bom relacionamento com os demais colegas parlamentares”, completou a parlamentar, membro titular da Comissão de Turismo.

    Também cotado para liderança do governo, o deputado estadual João Luiz (Republicanos) negou o desejo de compor o cargo. "Sinto-me lisonjeado pela lembrança, mas não tenho interesse em assumir a vaga", declarou o parlamentar e pastor evangélico.

    Articulações políticas

    Segundo Serafim Corrêa (PSB), a falta de liderança do governo na Assembleia é prejudicial. “Em minha leitura, entendo que sempre é importante a todos os governos a existência de uma liderança na Casa Legislativa, justamente para o devido acompanhamento de matérias. Caso contrário, o parlamento aparenta não ter quem responda pelo governo. Isso é ruim”, afirmou o líder do PSB na Aleam.

    Joana Darc enfrenta, ainda, um processo de cassação por quebra de decoro. Para o cientista político Helso Ribeiro, a saída definitiva da deputada é possível, principalmente por conta de seus atritos com grande parte do parlamento.

      “Noto que já foi gerado um desconforto por resultados, enquanto líder do Governo. Ao ser substituída, é possível que não haja retorno. Além disso, a parlamentar foi muito dura quanto à escolha do deputado Roberto Cidade (PV) para presidir a casa. Por conta disso, há um processo por quebra de decoro contra ela na Aleam”, afirmou o estudioso.  

    Ainda de acordo com Ribeiro, o alinhamento do Governo com Assembleias Legislativas é de fundamental importância. “Bom lembrar que vivemos um presidencialismo de coalisão, ou seja, é necessário que o presidente esteja de acordo com o parlamento, senão não será possível governar. Isso também se repete em unidades federativas. Governadores precisam ter alinhamento com assembleias legislativas, assim como prefeitos com as Câmaras de vereadores”, finalizou o especialista.

    Atrito com parlamentares

    Em dezembro de 2020, durante expediente, a deputada trocou farpas com parlamentares que votaram em Roberto Cidade (Partido Verde), eleito por 16 votos a 8 para a presidência da Assembleia. Na ocasião, Darc acusou Cidade por compra de votos. Sem apresentar provas, alegou, ainda, que a manobra custou cerca de R$200 mil por votante.

    À época, o Conselho de Ética da Aleam abriu processo de cassação do mandato da parlamentar. Em nota, todos 16 deputados estaduais que apoiaram o presidente da Casa manifestaram repúdio às declarações de Darc.

    Já em abril deste ano, o deputado estadual Dermilson Chagas (Podemos) pediu suspensão das apurações e prazos dos trabalhos da relatoria. De acordo com Chagas, a parlamentar só deve ser investigada pela comissão após o retorno ao trabalho.

    “A minha decisão decorre do fato de a deputada Joana Darc estar em pleno gozo de sua licença-maternidade. Esse é um direito dela, com amparo de ordem constitucional vigente no país”, apontou Chagas em sua justificativa.

    Em seu primeiro mandato, Joana Darc foi a parlamentar eleita com maior número de votos na capital, totalizando 26.816 votos. A deputada tornou-se, ainda, a primeira mulher a ocupar o cargo de líder de governo na Assembleia.

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