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    Vacinação


    Professores querem prioridade na vacinação contra a Covid-19

    A vereadora Professora Jacqueline ressaltou a perda de 200 profissionais de ensino ao longo da pandemia de Covid-19

     

    Especialistas dizem que o ensino remoto durante a pandemia do coronavírus afetou negativamente o aprendizado de crianças e adolescentes
    Especialistas dizem que o ensino remoto durante a pandemia do coronavírus afetou negativamente o aprendizado de crianças e adolescentes | Foto: Divulgação

    Manaus - A presidente do Sindicato de Trabalhadores de Ensino do Amazonas (SINTEAM), Ana Cristina Rodrigues, disse nesta  terça-feira  (19)  que ainda é cedo para se falar em uma possível reabertura da rede pública de ensino enquanto não houver vacinação aos profissionais de educação.

    “Os trabalhadores em educação – professores, pedagogos, assistentes administrativos, merendeiras e outros – não se sentem seguros para retornar ao trabalho na escola sem a imunização, ou seja, sem as doses necessárias de cada vacina. Acreditamos que ainda levará um tempo até que a pandemia seja controlada no Amazonas. Como a vacina está chegando de forma lenta, isso atrasa esse controle”, declarou a representante.

    Em Manaus, as escolas particulares deram início ao retorno facultativo das aulas presenciais desde março (5), em razão de decreto governamental que liberou a rede privada para atividades presenciais para crianças de até 5 anos. A rede pública de ensino, por outro lado, mantém suas atividades de maneira remota.

    Já para a neuropsicóloga Danielle Verçosa, o ensino remoto durante a pandemia do coronavírus afetou negativamente o aprendizado de crianças e adolescentes.

    “Na maioria das vezes, não há um acompanhamento por parte dos pais durante as vídeo-aulas em casa. É importante lembrar que a criança, por si só, não possui amadurecimento para ficar em frente a uma tela e administrar o estudo, como é o caso de criação de salas virtuais e entrega de atividades por e-mail, por exemplo”, destacou a especialista em saúde mental.

    Segundo a profissional, cada fase de desenvolvimento cognitivo exige, necessariamente, o processo de convívio social. “Se isso não acontece, as conexões neurais são prejudicadas. Pensando no adolescente, há necessidade do contato com seus pares e iguais para o desenvolvimento da identidade, por exemplo. E por conta deste isolamento, atualmente temos tantos indivíduos – inclusive à nível mundial –apresentando sintomas de ansiedade e depressão”, finalizou Verçosa.

    Na Câmara 

    Durante sessão plenária nesta segunda-feira (19), a vereadora Professora Jacqueline (Podemos) reivindicou prioridade de vacinação a profissionais de educação, despertando reações entre parlamentares na Câmara Municipal de Manaus.

    Na ocasião, a parlamentar solicitou ao prefeito David Almeida (Avante) a inclusão dos profissionais no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19, tendo em vista um possível retorno presencial da rede pública de ensino.

    “Não podemos voltar às aulas sem a segurança da vacinação. Estamos inseridos em um grupo (da vacina contra a covid-19), mas estamos ao final da fila. Perdemos mais de 200 profissionais de ensino, e isso não pode acontecer de novo”, ressaltou a parlamentar.

    Ainda de acordo com a vereadora, o ensino remoto contínuo pode gerar grandes danos educacionais para crianças. “Especialmente na educação infantil, existe um prejuízo pedagógico irreparável, pois não há como garantir qualidade no processo de ensino e aprendizagem por meio de aulas remotas. Ninguém ensina alguém a ler por vídeo-aula! Precisa-se de relação afetiva, tirando as dúvidas das crianças presencialmente”, argumentou Jacqueline.

    Em consonância à colega, o vereador Rodrigo Guedes (PSC) destacou ser contra o retorno presencial da rede pública de ensino antes da devida vacinação de professores, seja à nível municipal ou estadual.

    “Com a vacinação do grupo, o retorno torna-se muito mais seguro. No entanto, os alunos continuam em risco. Mesmo que crianças e adolescentes tenham casos mínimos de contaminação ou casos graves de infecção, podem transmitir o vírus aos familiares e responsáveis. Isso pode influenciar no risco de uma terceira onda da pandemia no Amazonas”, enfatizou Guedes em entrevista ao Em Tempo.

     

    Para o vereador, o poder público deve, ainda, dispor de cuidados extras  para alunos e profissionais de ensino. “Além da vacinação de professores, acredito que o poder público deve prover todos os equipamentos de prevenção individual no combate ao coronavírus, como é o caso de máscaras e álcool-gel. Assim, é possível evitar que o retorno às aulas se torne um impulsionador de um novo surto de contaminação”, completou.

    Concordâncias no âmbito estadual

    Já na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), um movimento semelhante em favor da classe educadora  está presente dentre as propostas de alguns parlamentares, como é o caso da deputada Therezinha Ruiz (PSDB).

    “Participei de um movimento nacional com outros deputados estaduais em que entregamos documentos para o Ministério da Saúde e da Educação para priorização da vacinação de professores. É necessário olhar para a educação como uma atividade essencial, tendo em vista que todo país desenvolvido é aquele que investe e prioriza o ensino”, destacou Ruiz, que recentemente solicitou à Secretaria Municipal de Educação (Semed) a continuidade de fornecimento de merenda escolar para alunos hipossuficientes, mesmo com a suspensão das aulas.

    Além disso, para a deputada estadual, a vacinação deve ir além dos profissionais de saúde, incluindo todos os profissionais inseridos na rede pública de ensino. “Temos que preservar a saúde de todos os profissionais de educação, e não falamos apenas de professores, mas de todos os envolvidos na educação. Do porteiro e da merendeira até o gestor, para que recebam a vacina antes do início das aulas presenciais”, completou.

    Prefeitura

    Em nota, a Prefeitura de Manaus informou que o servidor "é uma das prioridades desta gestão", enfatizando que o trabalho pela vacina aos educadores vem sendo feito desde os primeiros dias da atual administração.

    "Com isso, a prefeitura conseguiu, por meio do estudo CovacManaus, a antecipação da vacina contra a Covid-19 para mais de 2500 profissionais da educação municipal com comorbidades (comprovadas por laudo médico), de idade entre 18 a 49 anos. Além disso, de acordo com o cronograma de vacinação da Prefeitura, 2.521 professores já foram imunizados", disse a Prefeitura em nota.

    Ainda no dia 14, o prefeito David Almeida afirmou em entrevista coletiva que solicitou à Procuradoria Geral do Município (PGM), junto à Justiça Federal,  uma autorização para o início da imunização de professores da rede municipal de ensino, bem como de motoristas e cobradores de ônibus que atuam no transporte público.

    De acordo com Almeida, também foi solicitada à Secretaria Municipal de Educação (Semed) uma nota técnica descrevendo o quantitativo de profissionais de educação que devem retomar as atividades presenciais no próximo mês de maio.

    “Preciso de uma autorização da Justiça Federal para que possamos vacinar contra a Covid-19, como foi feito com os profissionais da segurança. Temos em torno de 6 a 7 mil professores que precisam ser imunizados, para que possamos retornar com as aulas em maio. Mas precisamos voltar com segurança”, explicou o chefe do executivo municipal.

    Governo do Estado

    Em nota, o Governo do Estado disse que o governador Wilson Lima e os governadores dos outros nove estados que compõem a Amazônia Legal solicitaram ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que os profissionais da educação fossem incluídos nos grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI), contra a Covid-19. O retorno presencial dependerá da vacinação dos profissionais da área.

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