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    Conferência do Clima


    Cúpula de Biden reforça críticas à agenda ambiental de Bolsonaro

    Pressionado por comunidade internacional a melhorar política ambiental, Bolsonaro se reunirá esta semana na Cúpula de Líderes sobre o Clima.

     

    Recepcionado por Joe Biden, presidente dos Estados Unidos,  o evento reunirá 40 chefes de estado – incluindo Jair Bolsonaro –, nos dias 22 e 23 deste mês.
    Recepcionado por Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, o evento reunirá 40 chefes de estado – incluindo Jair Bolsonaro –, nos dias 22 e 23 deste mês. | Foto: Reprodução

    Às vésperas da Cúpula de Líderes sobre o Clima, críticas à gestão ambiental de Bolsonaro geram repercussão negativa entre diplomatas da comunidade internacional. Recepcionado por Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, o evento reunirá 40 chefes de estado – incluindo Jair Bolsonaro –, nos dias 22 e 23 deste mês.

    Na ocasião, o governo dos Estados Unidos pretende anunciar metas para redução na emissão de CO2 em terras americanas até 2033. Juntas, 17 das 40 economias presentes na reunião respondem por 80% das emissões de gases de efeito estufa, bem como por 4/5 do PIB global.

    A conferência, que ocorrerá virtualmente, é considerada uma grande oportunidade para que o presidente americano assuma um papel de protagonismo político global para questões ambientais e climáticas mundiais.

    Pressão por comprometimento

    Neste contexto, o governo Biden tende a demonstrar consistência na agenda climática, reiterada como prioridade de gestão durante toda sua campanha eleitoral.

    Sem a certeza de compromissos e medidas de proteção à Amazônia, Bolsonaro corre o risco de ser tratado como obstáculo no avanço da agenda ambiental por norte-americanos e europeus.

    Nas últimas semanas, o governo americano vem pressionando o Brasil no comprometimento de combate ao desmatamento da região amazônica, ressaltando que repasses significativos de recursos ao país serão condicionados à apresentação de resultados.

    Ainda em janeiro deste ano, o governo federal enviou uma carta ao Departamento de Energia dos EUA, solicitando cooperação para atingir meta de energia limpa. Endereçado pelo ministro de Minas e Energia do Brasil, Bento Albuquerque, o documento enfatiza a necessidade da parceria para que 50% da matriz energética brasileira seja proveniente de fontes limpas e renováveis até 2031. Atualmente, esse percentual é de cerca de 45%. "Espero que uma agenda tão ambiciosa possa ser expandida ainda mais este ano. Podemos vislumbrar, por exemplo, um novo capítulo inteiro sob o Fórum de Energia entre Brasil e EUA, dedicado às energias limpas e renováveis, área em que tanto o Brasil como os EUA têm capacidades reconhecidas e estão muito bem colocados para desempenhar um papel de liderança", diz a carta.

    Ricardo Salles

    Recentemente, em entrevista ao Estado de São Paulo, o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles declarou esperar por pagamentos antecipados da ordem de US$ 1 bilhão por ano, para que assim o Brasil pudesse se comprometer em reduzir entre 30% e 40% a devastação da Amazônia. Sem o recurso, Salles afirmou que o país não pode oferecer qualquer meta.

    Eleito em 2018, Bolsonaro é conhecido por não priorizar a agenda ambiental do país. Redução de multas ambientais, exploração mineral de terras indígenas demarcadas, críticas às ONGs que atuam na preservação da Amazônia e promoção de interesses de produtores rurais, por exemplo, estão entre suas propostas desde o início da campanha presidencial.

    Repercussão positiva entre representantes do Amazonas

    Representando cerca de 67% das florestas do mundo, a Amazônia enfrenta dificuldade na regulamentação de exploração de territórios e reforço de políticas públicas de sustentabilidade.

    No entanto, para Nelson Azevedo, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), a participação do Brasil na Cúpula de Líderes sobre o Clima é uma oportunidade para o país reforçar seu compromisso no combate à exploração predatória de seus recursos naturais.

    “Creio que, nesse evento, a voz do Brasil poderá ecoar aos quatro cantos do mundo, demostrando nosso compromisso com a preservação da floresta e pedindo apoio para remunerar dignamente os heróis amazônicos: os povos amazônicos, que cuidam desse patrimônio ambiental para o Brasil e para o mundo”, declarou o empresário.

    Ainda de acordo com Azevedo, a população da região não conta com a possibilidade de utilização dos próprios recursos. “Ainda é preciso conviver com os ataques e acusações de países que não estendem a mão para ajudar na preservação. Isso faz com que estas pessoas, que aqui vivem, não tenham uma retribuição ou reconhecimento pelos serviços ambientais que prestam ao planeta”, finalizou.

    Senador Plínio Valério

    Já no âmbito do Congresso Nacional, a solicitação de recursos pelo governo federal aos Estados Unidos é necessária - apesar de delicada -,de acordo com o senador Plínio Valério (PSDB). Acho sensato do presidente Bolsonaro cobrar daqueles que nos cobram e exigem uma preservação. Devem ser levados em consideração os custos para preservar uma floresta dessas, e o que isso representa para o mundo. Mas é uma questão muito complicada, pois ao nos ajudar financeiramente, o país pode considerar que possui direitos (de exploração e posse)”, afirmou o parlamentar e autor da “CPI das ONGS” no senado.

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