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    Covid-19


    Marcelo Ramos diz que Governo emitiu 'guia de investigação da CPI'

    A Casa Civil da Presidência elaborou uma lista com 23 acusações e críticas ao desempenho do governo federal no combate à pandemia. O deputado federal Marcelo Ramos (PL) chegou a dizer que a lista é um “guia de investigação da CPI”

     

    O deputado federal Marcelo Ramos (PL) chegou a dizer que a lista é um “guia de investigação da CPI”
    O deputado federal Marcelo Ramos (PL) chegou a dizer que a lista é um “guia de investigação da CPI” | Foto: (Divulgação)

    Brasília - Os parlamentares da bancada do Amazonas no Congresso Nacional afirmaram, na segunda-feira (26), que o Governo Federal cometeu um equívoco ao listar, previamente, as possíveis acusações ao desempenho da União no combate à pandemia, antes mesmo da formação da CPI da Covid-19.

    O deputado federal Marcelo Ramos (PL) chegou a dizer que a lista é um “guia de investigação da CPI”. Ainda na segunda (26), a Casa Civil da Presidência elaborou uma lista com 23 acusações e críticas ao desempenho do Governo Federal no combate à pandemia e que devem ser alvos de investigação e questionamento de senadores na CPI da Covid.

    Entre as acusações da lista estão negligência do Governo na compra de vacinas; minimização da gravidade da pandemia e ausência de incentivo à adoção de medidas restritivas para reduzir o contágio pela doença; promoção de tratamento precoce contra a Covid sem comprovação científica; e a militarização do Ministério da Saúde.

    "É natural que o Governo Federal se prepare. Mas a lista preparada pelo governo é um guia de investigação para a CPI. Espero que essa comissão pressione o Governo a agilizar o processo de vacinação para salvar a vida dos brasileiros e que apure as responsabilidades pelos equívocos cometidos na condução da pandemia”, disse o deputado federal Marcelo Ramos.

     

    Estranheza

    O senador Plínio Valério (PSDB) também analisou com estranheza a antecipação do Governo Federal com relação à CPI. "Preparação prévia é uma coisa esquisita. Se o governo está antecipando é porque sabe o que andou fazendo", disse o parlamentar.

    Ao ser questionado sobre o desempenho do Governo Federal no combate à pandemia, o senador Plínio disse que, para ele, a União não errou “no todo”, mas principalmente com relação às atitudes negacionistas. O senador ressaltou que o Governo beneficiou, financeiramente, muitos estados incluindo o Amazonas no que diz respeito o combate à Covid. 

    "Eu acho que não tem só como investigar o Governo Federal, mas também aqueles que receberam o repasse. A CPI está aí, e é o nome do Senado que está em jogo", afirmou.

     

    Já o deputado federal José Ricardo (PT) afirmou que  o governo federal vai tentar se defender na CPI da Covid "jogando a responsabilidade para cima dos outros", citando que parlamentares que apoiam o  presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incentivaram a inserção de estados e municípios nas investigações.

    "Essa CPI tem que investigar tudo o que está acontecendo no Amazonas. Tem que haver a responsabilização disso. E também a responsabilidade do presidente e dos seus ministros quando negavam a gravidade e a ciência e não estimulavam o isolamento social, o que agravou em muitas mortes", disse o parlamentar. 

    Estratégia de guerra

    Para o cientista político Carlos Santiago, o treinamento de membros do Poder Executivo Federal e a organização de documentos fazem parte de "uma estratégia de guerra" do Governo. O cientista afirma que a preocupação da base governista em torno da Comissão é devido às rupturas na imagem de Bolsonaro, para uma possível reeleição. 

    "A CPI pode trazer resultados positivos, como identificar os erros na pandemia, pedir a responsabilização criminal dos culpados e propor medidas para o Brasil superar essa pandemia. Até porque a atualização do Governo Federal foi falta de sintonia com os governos municipais e estaduais, prejudicando enormemente o combate à covid-19, além da falta de planejamento e de medidas econômicas rápidas", disse o cientista.

    O cientista político Helso Ribeiro afirmou que a antecipação da defesa do presidente é resultado de um trabalho da equipe de Bolsonaro ao perceber a queda de popularidade do presidente que, segundo ele, resultou na perda de apoio de militares, ministros, banqueiros e empresários. O cientista afirmou que as CPIs, como um todo, servem de "palanque" para os membros, mas que podem obter resultados satisfatórios.

    "Espero que, em 90 dias, a CPI aponte direcionamentos fortes ao Ministério Público sobre o Governo. Pessoas morreram asfixiadas. Cerca de 70 mil doses de vacina já foram encaminhadas de forma equivocada para outro estado, além da negação da vacina", disse o cientista Helso Ribeiro.

     

    Sobre a CPI

    A CPI que vai investigar as ações do governo e o uso de verbas federais na pandemia de covid-19 se reúne pela primeira vez nesta terça-feira (27), a partir das 10h. Com a instalação oficial, a CPI vai escolher seu presidente, seu vice-presidente e seu relator.

    A reunião acontecerá no Plenário nº 3, na Ala Senador Alexandre Costa, e será semipresencial, com a possibilidade de participação dos membros da CPI em pessoa ou virtualmente. A eleição do presidente e do vice-presidente, que é secreta, será restrita aos que comparecerem no local.

    O único candidato já registrado para a presidência da comissão é o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), autor do requerimento que estendeu o foco de atuação da CPI. O senador Omar Aziz (PSD-AM) também deve concorrer ao cargo.

    As inscrições podem ser feitas até a hora da votação. Caberá ao presidente eleito a escolha do relator da CPI, que dará o tom das investigações a partir do seu plano de trabalho. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) tem sido o nome mais lembrado para a função até agora.

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