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    Candidatos à prefeitura de Coari atacam família Pinheiro

    Com o registro de candidatura cassado pelo TSE, Adail Filho cederá espaço para novas possibilidades na prefeitura de Coari.

     

    Até o momento, os ex-candidatos de 2020 Robson Tiradentes (PSC) e Orlando Nascimento (Avante) confirmaram candidatura.
    Até o momento, os ex-candidatos de 2020 Robson Tiradentes (PSC) e Orlando Nascimento (Avante) confirmaram candidatura. | Foto: Reprodução

    Coari - Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir por novas eleições no município de Coari, candidatos à prefeitura já se movimentam bastidores. Até o momento, os ex-candidatos de 2020 Robson Tiradentes (PSC) e Orlando Nascimento (Avante) confirmaram candidatura. Durante o preparo das atividades de campanha, Tiradentes alegou, nesta segunda-feira (3), sofrer ameaças de morte.

    Os candidatos confirmados para o novo pleito no município, porém, não medem as palavras com relação às críticas das gestões de Adail Filho e do pai, Adail Pinheiro (PP), à frente do município.

    “A família Pinheiro se acha dona de Coari, mas Coari pertence ao povo. O momento é de novas oportunidades, por isso venho trabalhando diariamente, inclusive passando por ameaças de morte. Nosso município é rico por conta de seus royalties, mas contratos milionários não cabem no bolso do cidadão ou da prefeitura”, alfinetou Robson Tiradentes.

     

    Reeleito como prefeito em Coari no ano de 2020, o prefeito Adail Filho (Progressista) teve o registro cassado pelo pleno do TSE. Além da decisão do colegiado do TSE, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) também rejeitou recursos ingressados pelo ex-prefeito da cidade.

    No entendimento do corpo eleitoral, a eleição de Adail configuraria terceiro mandato consecutivo da mesma família no município. Isso porque o pai do prefeito, Adail Pinheiro, foi eleito em 2012 e cassado pela justiça eleitoral em 2014. No entanto, em 2016, Adail foi eleito novamente e reeleito em 2020.

    Movimentação de campanha

    Obtendo 23,9% dos votos, Robson Tiradentes (PSC) ficou em segundo lugar nas eleições para a prefeitura de Coari em 2020. Diante da recente decisão proferida pelo TSE, Tiradentes afirma que não há motivos para não se candidatar novamente. Crítico às gestões anteriores, o político argumenta que a perpetuação de poder no município está próxima do fim.

    Além de Robson, outras candidaturas movimentam a cidade do interior do Amazonas. É o caso de Orlando Nascimento (Avante), candidato que ocupou o terceiro lugar nas últimas eleições para prefeito, em 2020.

    “Tudo pode acontecer. Estamos visitando o povo de Coari, e nosso nome é bem aceito para as novas eleições. Estou apto a concorrer, com ficha limpa. A última eleição não foi justa, afinal o candidato Adail Filho não poderia se eleger. Agora, a situação do povo está difícil. Amo nossa cidade, e preciso apenas de uma oportunidade para tirar Coari da lama”, declarou Nascimento, confirmando a candidatura às eleições de 2021.

     

    Ainda segundo Nascimento, a tradição familiar no poder público do município vem atrapalhando a qualidade de vida da população.

    “Somos o município mais rico do Amazonas – depois de Manaus –, mas nossa cidade não tem destaque em sua infraestrutura. A má gestão resultou na migração de trabalhadores para outras cidades próximas, pois não há empregos. Levantamos a bandeira de geração de emprego e renda, e poderei contribuir com a cidade aplicando os recursos nas atividades corretas”, completou.

    Procurada pelo Em Tempo, a assessoria de Adail Filho, até a finalização da reportagem, não emitiu nota sobre as acusações de ameaça e corrupção, bem como posicionamento sobre a decisão do TSE.

    Outro lado

    Em contrapartida, o vice-prefeito eleito de Cori, Keitton Pinheiro (PSD), considera a cassação das candidaturas uma “injustiça” porque, segundo ele, a decisão judicial desrespeitou a vontade 22 mil eleitores. 

    Além disso, Keitton rebateu as críticas dos adversários políticos ao dizer que a gestão da família Pinheiro é modelo para o Estado do Amazonas. 

    “O legado de todo o trabalho realizado conquista a confiança do eleitor, porque a tradição da família Pinheiro não se resume em fazer promessas, ela faz o possível e o impossível para solucionar os problemas e trazer melhorias para a população e o desenvolvimento do município”, disse.

    Análise política

    Para o cientista político Helso Ribeiro, a situação eleitoral que Coari vive diz respeito à perpetuação oligárquica de poder.

    “Em centenas de municípios interioranos pelo Brasil, vemos que oligarquias familiares se perpetuam no poder, e Coari não é diferente. Em boa parte desses lugares, políticas paternalistas fazem com que a população idolatre o membro de uma determinada família. A partir daí, os indicados desse grupo ganham simpatia da população.

    De acordo com o especialista, o potencial econômico de Coari não condiz com os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) dos habitantes, tendo em vista fatores como educação e saúde.

    “Nota-se que Coari é um dos municípios que recebe uma das maiores quantias de royalties em termos proporcionais à população. Com os recursos recebidos, Coari poderia ter um padrão de vida das melhores cidades do mundo, mas vemos que essa não é a realidade. Em eleições desta natureza, existem poderes econômicos que compram consciências. Espera-se que haja fiscalização, e que a população faça a escolha que atenda a seus desígnios”, finalizou Ribeiro.

     

    Investigação

    Ainda em 2020, o prefeito Adail Filho foi preso na Operação Patrinus. Comandada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), as investigações apontam Adail como suspeito de montar um esquema de corrupção que desviou, pelo menos, R$ 100 milhões. O político é, além disso, filho de Adail Pinheiro, acusado de comandar uma rede de pedofilia e um esquema milionário de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos na Prefeitura de Coari. 

    Até o momento, tanto TRE-AM quanto TSE não divulgaram informações a respeito das novas eleições para a prefeitura de Coari. Questionada sobre o prazo, a assessoria do TRE-AM informou que aguarda a publicação de um comunicado oficial. “O estabelecimento de novas datas para as eleições depende de recursos pela defesa do ex-prefeito. Por conta disso, o TRE aguarda o resultado pela turma do STF para dar continuidade aos processos”, afirmou a assessoria do Tribunal.

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