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    Representatividade feminina


    Observatório Nacional da Mulher na Política tem aprovação no AM

    A deputada estadual Joana Darc e a vereadora Prof. Jacqueline comentaram sobre a participação feminina na política amazonense e demonstraram apoiar a medida lançada na quarta-feira (30)

     

    A Vereadora Professora Jacqueline (PODE) representa uma das quatro vagas femininas na Câmara Municipal
    A Vereadora Professora Jacqueline (PODE) representa uma das quatro vagas femininas na Câmara Municipal | Foto: Divulgação

    Brasília - Visando ampliar as discussões sobre representatividade feminina na política, a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados lançou, nesta quarta-feira (30), o Observatório Nacional da Mulher na Política. A medida permitirá que pesquisas e indicadores sobre o tema sejam agregados em um único portal on-line, viabilizando acesso à informação sobre as parlamentares em todas as esferas.

    A ação se deu em razão da baixa participação feminina da política do país. Com apenas 15% de mulheres na Câmara Federal e 12% no Senado Federal, o Brasil ocupa a 140ª posição do ranking da União Interparlamentar que avalia a participação política de mulheres em 192 países. O país está atrás de todas as nações da América Latina, com exceção do Paraguai e do Haiti.

    Os objetivos do Observatório, além disso, buscam monitorar a atuação das mulheres eleitas, assim como a violência política que elas possam vir a sofrer, somando também orientações para formulação de projetos de lei para maior participação feminina nos meios políticos. Os principais eixos temáticos são violência política contra a mulher; atuação parlamentar e representatividade feminina; atuação partidária e processos eleitorais.

    A mulher na política do Amazonas

    Além da baixa representação feminina no Congresso Nacional, a situação se assevera em âmbito municipal. Nas eleições de 2020,  900 municípios não tiveram sequer uma vereadora eleita. E no Amazonas, a realidade não é tão diferente: são apenas quatro vereadoras em exercício na capital, entre 41 parlamentares.

      “É preciso que haja maior conscientização entre os eleitores quanto a importância da representatividade feminina. Somos maioria em número de eleitoras com 52% de eleitoras, temos mais tempo de qualificação em estudo, menor tendência a cometer delitos e total competência para assumir mandatos entre outros cargos de poder”, disse a Vereadora Professora Jacqueline (Podemos), sobre os pontos que deveriam fortalecer os nomes femininos nas candidaturas.  

    Já na Assembleia Legislativa do estado (Aleam), apenas quatro mulheres fazem parte do colegiado de 24 componentes. Entre elas, está a Deputada Estadual Joana Darc (PL) que, em um evento histórico, tornou-se a primeira mulher a usar do direito de Licença Maternidade na Casa Legislativa.  A deputada considera que disputas eleitorais igualitárias entre homens e mulheres não existem no Amazonas.

    Por meio de sua assessoria, Darc destacou que fica evidente a necessidade de projetos como o Observatório, e afirmou, ainda,  que já passou diversas vezes por situações de machismo na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). Para ela, tal representatividade no meio político, com apoio do Observatório, significa um aumento de projetos de lei visando o público feminino.  

    Sistema Eleitoral

    Questionado sobre a realidade, tanto na região quanto no país, o cientista político Helso Ribeiro acredita que todo o mecanismo eleitoral é uma grande corrente que vai contra os interesses de inserção feminina dentro da vida parlamentar.


    “O nosso sistema de votos poderia intercalar votos proporcionais entre homens e mulheres. Nesse movimento, já ocuparíamos 50% das vagas com parlamentares femininas. Estamos caminhando mais para um sistema de plutocracia, onde quem governa é quem detém mais poder econômico, visto que os partidos privilegiam sua verba para candidatos masculinos em grande maioria”, apontou, sobre os problemas que afastam as mulheres das vagas no meio parlamentar.  

    Ele também ressalta que o Observatório Nacional da Mulher é uma ótima medida para ampliar os debates, mas não enxerga como solução única em meio a tantas dificuldades na vida política feminina.

    “Acredito que o Observatório precisa se unir a outros movimentos para causar uma mudança mais significativa. São muitas as formas de burlar a legislação para que a mulher seja deixada de lado, acaba sendo a suplente do suplente e por aí vai”, completou ao dizer que este é mais um passo da longa caminhada para melhoria da democracia no país.  

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