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    Bancada do Amazonas e prefeitos tentam acordo sobre garimpo

    Prefeitos do interior do Amazonas se reuniram para formação de uma audiência pública, visando levar o debate acerca da real situação enfrentada pelos garimpeiros do Madeira

     

    “Nós estamos tentando fazer o que aconteceu no passado, quando essas famílias tinham tranquilidade de trabalhar, porque aqui, são todos ribeirinhos”
    “Nós estamos tentando fazer o que aconteceu no passado, quando essas famílias tinham tranquilidade de trabalhar, porque aqui, são todos ribeirinhos” | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) - Após a realização da operação Uiara no Rio Madeiram na última semana, que resultou na destruição de mais de 130 balsas de garimpo na região, prefeitos do interior do Amazonas se reuniram para uma a formação de uma audiência pública, visando levar o debate acerca da real situação enfrentada pelos garimpeiros do Madeira.

    Os prefeitos da calha do rio madeira e a Câmara de vereadores se deslocaram até Brasília para encontro com a bancada do Amazonas (Senadores e deputados), afim de buscar um caminho para a legalização do extrativismo mineral familiar na região.  Dedei Lobo (PSC), prefeito de Humaitá, um dos membros da união, ressaltou a importância de possibilitar melhoras condições de vida para os ribeirinhos da área.

    “Nós estamos tentando fazer o que aconteceu no passado, quando essas famílias tinham tranquilidade de trabalhar, porque aqui, são todos ribeirinhos”, disse Lobo acerca da possibilidade de legalização do garimpo em Humaitá.

    Um dos membros da bancada do Amazonas em Brasília, o senador Omar Aziz (PSD), falou a respeito dos assuntos pautados na reunião:

    “Os prefeitos que estão nessas áreas onde a exploração, muitas vezes é familiar, irão trazer propostas para a gente encaminhar e regularizar a atividade. O que não podemos permitir é o prejuízo ambiental. Mas há formas de não haver tal prejuízo e essas pessoas continuarem trabalhando”.

    Omar ressaltou a importante da regularização da atividade e extração de maneira consciente.

    “A regularização na área de atuação por parte dos órgãos responsáveis, é que tenham critérios. É necessário que seja feito um cadastro único para entender quem são as pessoas, como eles estão trabalhando e quais as garantias que aquilo não será explorado de forma irregular, sem envolvimento do narcotráfico e sem impacto ambiental”, disse ele.  

     

    Durante a conversa, além de ser pautada a regularização da atividade, também foi discutida o teor da ação que ocorreu no Madeira e os impactos deixados.
    Durante a conversa, além de ser pautada a regularização da atividade, também foi discutida o teor da ação que ocorreu no Madeira e os impactos deixados. | Foto: Divulgação

    Durante a conversa, além de ser pautada a regularização da atividade, também foi discutida o teor da ação que ocorreu no Madeira e os impactos deixados. O senador Plínio Valério (PSDB) declarou que na operação, houve excessos, por tratar todos que estavam no local como "marginais", e frisou que nas balsas queimadas, residem muitas famílias do município.

    “Muita gente veio de fora. Aquela corrida maluca de ouro, de pessoas com posse que podiam montar balsas com dragas. Houve excessos e deveria ser proibido. Precisamos nos preocupar com o crime quando há depredação, mas também não podemos concordar quando se chegar queimando tudo”, disse Plínio acerca do ocorrido. 

    Ambos os senadores, defendem que na região do Madeira, sejam encontradas maneiras de os trabalhadores realizarem sua atividade de extração para subsistência de maneira legal e ao mesmo tempo garantir que não tenha grandes impactos ambientais. 

    Por fim, o senador Eduardo Braga (MDB), recomendou que as prefeituras dos municípios amazonenses que pertencem a região, realizem um cadastro de balsas e dos extrativistas de minério, assim como um manual normativo para o exercício da atividade na área.

    “Feito isso tudo, sugiro que volte uma comissão a Brasília com esses documentos para que a bancada do Amazonas no Congresso comece a se mobilizar junto às autoridades e aos órgãos competentes. Faremos o que tiver ao nosso alcance para ajudá-los”, disse  Braga. 

    O garimpo no madeira 

    O Rio Madeira é um dos principais afluentes do Rio Amazonas e tem como extensão total 3315 km, sendo o 17º maior do mundo em extensão. No mês passado, a região atraiu olhares após a descoberta de ouro no local, e foi palco da união de inúmeras balsas de garimpo para extração. A história do extrativismo no Madeira é antiga e tem sido alvo do trabalho de garimpeiros a décadas. 

    De acordo com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), as atividades de garimpo na região mão são licenciadas, pontados, os recentes registros da extração, são realizadas de maneira ilegal.

     

    O Rio Madeira é um dos principais afluentes do Rio Amazonas e tem como extensão total 3315 km, sendo o 17º maior do mundo em extensão.
    O Rio Madeira é um dos principais afluentes do Rio Amazonas e tem como extensão total 3315 km, sendo o 17º maior do mundo em extensão. | Foto: Divulgação

    O cientista político Helso Ribeiro analisa que a posposta de legalização do trabalho de garimpo na região deve ser analisada com uma reflexão feita por ele:

    "Imagine que se descubra abaixo do Teatro Amazonas um veio de pedras preciosas. Deixaríamos  os desempregados 'catucarem' o teatro'? Creio que não. Pego essa metáfora e jogo para o Rio Madeira, que para mim representa um expoente da natureza, tão importante quanto o Teatro". 

    Helso ainda pontua que não existe entre os países com melhores IDHs no mundo, a ideia de regulamentar garimpos. A possibilidade de extração deve ser feita através de mecanismos sofisticados, que só pode ser feito por grandes empresas extrativistas. 

    A ambientalista Elisa Wandelii, também analisa a proposta de legalização da atividade na região do Madeira.

    "O garimpo ilegal e o regulamentado fazem o mesmo  impacto ambiental nos rios e na vida aquática e  na saúde humana. O fato de um garimpo ser  regulamentado não impede que as dragas continuem assoreando os rios, aumento excessivamente os sedimentos em suspensão no rios, como também não evita o lançamento de mercúrio e a consequente poluição aquática com a cadeia alimentar dos peixes afetada e a inviabilização da água para consumo humano", disse ela. 

    Impacto Ambiental 

    Elisa Wandelli, ambientalista e membro da Emprapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), destaca a preocupação da extração na região.

    "Além do impacto social de qualidade de vida dos profissionais informais que trabalham no garimpo, a atuação das dragas na garimpagem, refletem grande impacto no meio ambiente, tendo em vista que as dragas atingem o leito dos rios para sugar os resíduos, levando para a superfície das balsas, onde são lavados e peneirados. Os rejeitos são liberados nas águas ocasionando aumento de sedimento o que causa impacto direto na cadeia de produtividade aquática", salientou. 

    A dragagem e aumento de sedimento provoca o assoreamento do rio que pode causar efeitos no rio, afeta a qualidade de vida aquática e de populações amazônidas que necessitam da água do rio e peixes para sua sobrevivência. 

     

    A dragagem e aumento de sedimento provoca o assoreamento do rio que pode causar efeitos no rio, afeta a qualidade de vida aquática e de populações amazônidas
    A dragagem e aumento de sedimento provoca o assoreamento do rio que pode causar efeitos no rio, afeta a qualidade de vida aquática e de populações amazônidas | Foto: Divulgação

    Além dos efeitos do sedimento, muitas vezes os garimpeiros usam também mercúrio para que as partículas de ouro que estão nos  sedimentos  dragados para dentro dos misturadores da balsa não  sejam perdidas. 

    O resíduo  contaminado é jogado no rio e a medida que o mercúrio se associa  a compostos orgânicos passa a ser consumido e entra na cadeia alimentar  aquática até atingir a flora e fauna, inclusive  peixes e os humanos que o consomem.

    Posteriormente para separar o ouro do amálgama, este é  queimado com maçaricos, o que faz com que o mercúrio também  seja liberado para o ar e posteriormente se sedimenta sobre os rios e as florestas.

    Após analisar as consequências ambientais, Elisa também pontua o efeito social que o ciclo do ouro provoca, colocando em pauta que a compra de ouro de origem ilegal, contribui não só para os impactos ambientais e na saúde humana, mas também alimenta as condições de trabalho insalubres  e exploratórias  que quase sempre sofrem os trabalhadores do garimpo ilegal.

    "Essa  mineração predatória não pode sobrepor o direito fundamental de água limpa, de pescado  saudável e de saúde  de milhões de pessoas que formam as coletividades  amazônidas, e em especial o ribeirinho. Assim também como a ecologia dos sistemas aquáticos amazônicos deve ser respeitada para continuar produzindo serviços ambientais para a Amazônia é o mundo. Regularizar uma atividade de mineração tão predatória é escolher beneficiar economicamente uma minoria em detrimento da coletividade e da Amazônia", finalizou ela. 

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