Automedicação


Dor de estômago: saiba as causas mais comuns e riscos da automedicação

A dor no estômago pode esconder doenças graves, como úlceras e câncer

90% do público com dor no estômago não procura ajuda médica e apela para a automedicação | Foto: Divulgação

Manaus - Você já sentiu aquela dor no estômago e ficou se perguntando o que poderia ser? Essa dor é definida como toda sensação de mal-estar localizada na parte central superior do abdômen, mas as causas podem ser variadas.

Negligenciada por grande parte da população, essa dor na região do estômago pode esconder doenças graves, como úlceras e câncer. Segundo a Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO, na sigla em inglês), cerca de 20% da população mundial sofre de Síndrome do Intestino Irritável (SII). Desses, 90% não procuram ajuda médica e apelam para a automedicação ou simplesmente não fazem nada.

Para reconhecer quais são as doenças que podem surgir nessa região e saber como tratá-las de maneira responsável, um especialista é sempre indicado. Segundo a gastroenterologista Dra. Ana Maria de Mendonça Oliveira, o primeiro passo é saber a origem da dor. ‘’Primeiramente é preciso saber se a dor vem realmente do estômago ou se está ocorrendo em outra parte do abdômen, como a vesícula ou o intestino’’. Ela explica que o exame mais comum para se descobrir de onde vem a dor é a endoscopia.

A endoscopia é uma técnica que, por meio de um tubo flexível bem fininho com uma câmera em sua extremidade, investiga ao vivo imagens das cavidades ocas do corpo. A especialista também revela as causas mais comuns para dores no estômago, que você confere a seguir:

Azia

A azia é causada pelo refluxo de ácido gástrico, responsável pela digestão dos alimentos: ele segue do estômago para o esôfago, podendo inclusive chegar à boca.

Esse refluxo, por sua vez, é causado habitualmente pelo mau funcionamento de uma espécie de válvula chamada esfíncter esofágico inferior (EEI).

Gastrite

A causa mais provável da gastrite é a fraqueza da barreira mucosa que protege a parede estomacal, permitindo que os sucos digestivos produzidos pelo estômago causem danos ao tecido que reveste o órgão.

Essa fraqueza pode ser causada pela bactéria Helicobacter pylori, que vive justamente no revestimento do estômago e que, se não for tratada, pode levar ao surgimento de câncer de estômago.

Além disso, o uso excessivo de anti-inflamatórios prejudica essa proteção do estômago, deixando suas paredes mais expostas à ação dos ácidos presentes na digestão.

Diarreia e disenteria

O aparecimento de fezes aquosas e moles pode significar diarreia ou disenteria. Em ambos casos há um aumento das evacuações e diminuição da consistência das fezes, deixando-as líquidas. Porém, no caso da disenteria há também presença de sangue nas fezes.

A disenteria é uma inflamação intestinal que, ao lesionar as células intestinais, causa fezes amolecidas e sangramento. Na diarreia nem sempre há a presença de fezes e as causas podem ser outras para além de inflamações.

Câncer

A infecção pela bactéria H. pilory, o consumo de alimentos em conserva ou conservados em sal e a má conservação de alimentos têm sido apontados por muitos especialistas como uma das causas mais prováveis de câncer de estômago.

Alguns sinais da doença podem, na verdade, ser confundidos com outras doenças, a exemplo da gastrite, úlcera e outras.

Vermes

Os sintomas de vermes podem ser facilmente confundidos com os sintomas de outras doenças. As parasitoses intestinais são infecções no intestino causadas por helmintos (vermes) ou protozoários.

Gastroenterologista Dra. Ana Maria de Mendonça Oliveira
Gastroenterologista Dra. Ana Maria de Mendonça Oliveira | Foto: Arquivo Pessoal

Automedicação

Esse é um problema que pode ocorrer com todos os tipos de dores, segundo a gastroenterologista. "Esse problema é fruto de culturas em que a saúde não é acessível para todos e não ocorre de maneira preventiva’’. Assim, doenças, que poderiam facilmente ser curadas, acabam avançando e se tornando piores - uma vez que o indivíduo não vai ao médico com antecedência.

De acordo com Mendonça, os remédios caseiros não são recomendados, dado que a ciência trabalha com evidências e em diversos congressos esse tema segue sendo discutido justamente por existirem casos em que essas receitas (inclusive, de chás) levaram à necrose do fígado e de outros órgãos na região do abdômen em certos indivíduos.

Nesse sentido, o cuidado precisa ser dobrado, tanto com os medicamentos industrializados, quanto com os conhecidos como naturais e caseiros. É preciso descobrir qual a origem da dor e fazer um tratamento correto e que realmente seja capaz de solucionar o problema. 

*Estagiária sob supervisão do editor Isac Sharlon