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    Vida Sexual


    É normal homem 'broxar'? Especialista desmente as Fake News do sexo

    Da adolescência à velhice, somos bombardeados todos os dias com mentiras relacionadas ao sexo. Saiba agora quais são as principais!

    Homens também são vítimas de preconceito na hora do sexo | Foto: Freepik

    Manaus - Os seres humanos praticam o sexo desde... sempre. Embora o ato biológico de transar não seja nada desconhecido, a relação das pessoas com o sexo já mudou muito ao longo dos anos. Quem nunca ouviu 'piadinhas' sobre homens que 'broxaram' na cama, ou mesmo que "se a mulher não sangrou, não é virgem"? Essas duas questões têm muitos mitos envolvidos e se juntam a outras tantas Fake News sobre sexo.

    Segundo Cynthia Loiola, especialista em gênero e sexualidade, os mitos sobre o sexo são formas antigas de controle do prazer. Ela explica que essas mentiras não necessariamente existem pela falta de informação, mas sim porque já foram formas de o Estado, a família, a escola e a igreja limitarem a vida sexual da pessoas, principalmente de mulheres e homossexuais. 

    Adolescência

    "Mulher ganha corpo depois da primeira vez"

    Com certeza, uma  das frases mais ouvidas pelos jovens. Segundo a sexóloga, porém, não passa de um mito cheio de preconceito. "A sexualidade feminina sempre foi vista como submetida a do homem, como se precisássemos que eles nos completassem. O prazer sexual, por sua vez, era considerado algo de prostitutas, antigamente. Uma mulher considerada 'decente' jamais poderia ter prazer", comenta Cynthia.

    Ela explica que a mulher 'ganhar corpo, ou não', depende dos hormônios que são produzidos em seu corpo, e não do contato sexual com homens. "Tanto não é verdade que podemos encontrar facilmente meninas com vida sexualmente ativa e que não tenham aparência corpulenta. São grandes as variáveis para que a mulher 'ganhe mais corpo', mas depende principalmente de hormônios sexuais femininos. O estrogênio e progesterona, por exemplo, estimulam nas meninas o crescimento dos seios e dos pelos pubianos e na axila", completa a sexóloga.

    Mitos no sexo estão relacionados com preconceitos
    Mitos no sexo estão relacionados com preconceitos | Foto: Freepik

    "Primeira transa não engravida"

    A adolescência é, geralmente, o início da fase sexual e talvez um dos momentos mais complicados quando se fala de informação. Para esta etapa da vida, Cynthia desmente alguns mitos certamente já ouvidos por boa parte das pessoas. "Há pesquisas que dizem que adolescentes acham que a primeira relação sexual não engravida. É uma mentira, claro", comenta. 

    "Sangue menstrual carrega doenças ou é impuro"

    No caso da frase dotada de machismo, Cynthia explica que acaba por ser dita porque "as pessoas veem o sangue menstrual como se fosse algo impuro, que é repelido do corpo e por isso não presta. Não é verdade. A menstruação é um processo biológico comum, e o preconceito a ele é uma construção social. Ou seja, se aprende a ter esse preconceito". 

    Mitos sobre sexo ultrapassam as idades
    Mitos sobre sexo ultrapassam as idades | Foto: Freepik

     

    "Mulher não gosta de sexo"

    Sobre a frase acima, a especialista explica que a sociedade tem um pensamento de que a vontade de transar da mulher está relacionada ao emocional, o que não passa de fake news. "Não se admite que a mulher faça sexo apenas pelo prazer. O que se pensa ser comum é que mulheres vivam só para satisfazer o marido, trabalhar e cuidar da casa, e isso está relacionado a nossa cultura machista", afirma Cynthia. 

    Para ela, essa questão também engloba o orgasmo feminino, que muitas vezes é negado a mulher com a desculpa de que ela não precisa. "Dizem que a mulher serve apenas para procriar, e essa fala tira o direito da mulher de sentir desejo. Isso também é uma construção social e a igreja tem forte impacto nesse pensamento", explica a especialista.

    "Homens traem porque gostam mais de sexo"

    Se por um lado a cultura patriarcal ( em que o homem está no topo) limita as mulheres do prazer do sexo, por outro, diz que homens são viciados em sexo, potentes e 'garanhões', conta Cynthia. "É claro que é mentira. E o resultado disso é termos homens com baixa estima porque é dito a eles que devem sempre estar dispostos e potentes. E é normal que, por um período da vida, a pessoa apresente quadros de indisposição por diversos fatores, ou seja, pode ser normal 'broxar". 

    Cynthia também diz que homens não são mais propensos ao sexo, biologicamente falando. Mas sim, que são estimulados culturalmente a mostrar sua virilidade e desejo. E isso pode ser representado, para eles, como tendo várias parceiras. "É um comportamento histórico que é ensinado aos homens", comenta a especialista

    "Não querer fazer sexo é anormal"

    Em complemento a mentira anterior, para Cynthia, "As crises de desejo são imprevisíveis, mas podem acontecer". Ela explica que, só é importante ficar atenta ou atento, porque podem indicar perturbações emocionais, como dificuldades financeiras, conflitos no trabalho e doenças psiquiátricas como depressão. 

    "É importante prestar atenção em como essa falta de vontade se manifesta, pois pode também ser apenas do contexto em que a pessoa vive. A depender da religião que a pessoa pratica, por exemplo, pode não haver o mesmo desejo sexual", afirma a especialista. 

    "Sexo gay transmite doenças"

    Assim como as mulheres, homossexuais também acabam por cair na mira das mentiras que, segundo a sexóloga, são utilizadas para limitar comportamentos sexuais. "Essas mentiras circulam como se esse grupo não se protegesse socialmente. Pelo contrário, pesquisas revelam o aumento de casos de HIV em idosos, por exemplo. Por mais óbvio que seja, qualquer sexo transmite doenças", afirma a especialista. 

    É o que revela também o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, de 2018. Nele, idosos aparecem na curva de crescentes diagnósticos positivos para HIV, principalmente mulheres. No mesmo documento, atestou-se que de 2007 a 2017, os diagnósticos cresceram sete vezes. Em mulheres com 60 anos ou mais, foi observado um aumento de 21,2% quando comparado ao mesmo período.

    Casais homossexuais não se resumem a 'ativo' e 'passivo'
    Casais homossexuais não se resumem a 'ativo' e 'passivo' | Foto: Freepik

    "Todo sexo gay tem o ativo e o passivo"

    Cynthia acrescenta ainda que é importante desconstruir o mito, existente até mesmo entre integrantes da comunidade LGBT+, de que existe 'ativo' e 'passivo'. "As pessoas perguntam de gays qual a posição deles no sexo, mas isso é uma fantasia. Um ativo não faz o papel de 'homem' na relação gay, e nem o passivo o papel da mulher.", afirma a profissional.

    No site Diversidade, o jornalista Alan John explica ainda porque a ideia de ativo e passivo está intimamente ligada com uma visão machista de ver o relacionamento gay.

    "Há um machismo dominante, que joga os passivos para a inferioridade, que reproduz a situação enfrentada pelas mulheres na sociedade. Passivos que tiveram muitos parceiros são “putas”, ativos que tiveram muitos parceiros são “pegadores”. Passivos são “mulherzinha”, como nos bullyings lá da infância, e que mal tem nisso? A mulher não é inferior ao homem", comenta o blogueiro. 

    Deficientes também podem ter vida sexual ativa
    Deficientes também podem ter vida sexual ativa | Foto: Freepik

    "Essas pessoas não transam"

    Não por acaso esses dois grupos estão incluídos na mesma frase. Idosos e pessoas com deficiência são comumente colocadas como não ativas sexualmente, mas segundo Cynthia, é uma grande mentira. 

    "O que acontece no caso dos idosos é que muitas pessoas disseminam a inverdade que idoso perde o desejo sexual. A nossa cultura impõe tanto isso que acabam tomando como verdade. Idosos, no caso dos homens, podem ter dificuldade de ereção, mas isso não diminui o desejo. A mesma coisa na mulheres. O grande problema é que esse tipo de sexo não é focado na procriação, e por isso entra naqueles outros que são vistos como preconceito", afirma a profissional.

    Com os cadeirantes, a história muda um pouco. Cynthia diz que, no caso deles, o que acontece é um silenciamento do assunto. "Parece que não existe, ninguém fala sobre. A verdade é que o desejo continua ali. A vontade de transar não parte do corpo em si, mas da nossa mente, e por isso ela se faz presente, mesmo em pessoas com deficiência. Não é para ser tabu", comenta a sexóloga.