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    Confira dicas de especialistas para lidar com um pet ansioso

    Que nossos amiguinhos têm sentimentos, já sabemos. Mas você já ouviu falar em ansiedade nos animais? Pois existe, e é mais comum do que se pensa

    Estudo revelou que cães têm tido mais ansiedade | Foto: Freepik

    Manaus - Que animais têm sentimentos nós já sabemos, afinal, basta um cachorro balançar o rabo para sabermos que ele está feliz. Mas a ciência tem, pouco a pouco, descoberto quão complexos são os amigos do homem e da mulher. Sabe-se, hoje, que cães estão suscetíveis a inúmeras doenças de 'humanos', como a ansiedade. No caso desse transtorno, o número inclusive tem aumentado entre os pets. É o que aponta um estudo realizado pela Universidade de Helsinque, na Finlândia. A pesquisa analisou o comportamento de 14 mil cães, e descobriu ainda que, um dono ou dona com ansiedade pode passar ou influenciar o pet a desenvolver os mesmos comportamentos. Num contexto como esse, é importante ficar por dentro do que é exatamente o transtorno e como ele atinge os animais. 

    Um total de 18,6 milhões de pessoas. Esse é o número de brasileiros que vivem com ansiedade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O maior número do mundo em um país, de acordo com a entidade. Profissionais explicam que a ansiedade 'comum' não é doença, mas sim um instinto de sobrevivência para que a pessoa fique alerta. O problema surge quando as sensações permanecem por muito tempo e impedem que quem esteja sentindo, tenha uma vida normal. Em seres humanos, os principais 'sintomas' são desconforto, agitação vontade de vomitar e  pensamentos negativos constantes sobre o futuro.

    Mas e os animais?

    O médico veterinário George Viana explica que, no caso dos animais, é comum que eles apresentem necessidades nunca antes vistas. Como, por exemplo, fazer xixi em locais que normalmente não faziam; agressividade; apatia; e lamber as patas e m excesso. "Porém é sempre preciso descartar outras doenças, primeiro", diz ele. 

    George Viana, veterinário
    George Viana, veterinário | Foto: Reprodução/Facebook

    Segundo o veterinário, estão suscetíveis à ansiedade os animais que "ficam muito tempo sozinhos; que não fazem atividades físicas; que ficam em ambientes fechados; que têm falta de interatividade; vivem em ambientes hostis; ou sofrem maus-tratos". 

    Já a médica veterinária Jéssica Antunes explica que a ansiedade nos cães, felizmente, pode ser amenizada. Para isso, os donos podem dar calmantes e relaxantes florais, sob recomendação de profissional. Além de remédios, segundo ela, a dica é dar muito amor, levar para passear e fazer adestramento. 

    Jéssica Antunes, veterinária
    Jéssica Antunes, veterinária | Foto: Reprodução/Facebook

    Ela complementa ainda alguns pontos importantes de ser observados no seu cão. "Veja se ele está mais agitado que o normal, se apresenta sinais de automutilação, como machucados nas nas patinhas ou mesmo arrancar seus pelos. Todo tipo de comportamento inadequado, a exemplo, a agressividade espontânea, sem motivo", orienta a profissional. 

    Ensinar a não ser ansioso

    Jairo Teixeira, adestrador e comportamentalista canino tem um canal no Youtube onde dá dicas sobre cuidados com animais. Em um dos vídeos, o profissional diz que as pessoas podem confundir ansiedade com 'felicidade' no animal. 

    "Existe uma prática comum que as pessoas têm de agitar seus cães. Um conhecido me falou que o cachorro o amava porque quando ele chegava em casa, o cão corria pela casa, girava em torno da calda e pulava. E aí eu percebo que os donos confundem ansiedade com sentimentos positivos. Isso tem consequências", comenta ele. 

    Ele esclarece que os animais têm felicidade, mas que se refira à interpretação equivocada de certos comportamentos. "Na natureza é assim: calma gera calma, e agitação gera agitação", diz o adestrador. Assista ao vídeo completo: 

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    Comece seguindo estes passos:

    -Passeie com o seu cachorro até duas vezes ao dia (20 minutos);

    -Dedique parte do seu tempo dando atenção a brincadeiras variadas;

    -Determine a sua posição de liderança;

    -Estimule o comportamento calmo, faça-o se acalmar primeiro, depois dê a atenção solicitada;

    -Enriqueça o ambiente dele com brinquedos variados na sua ausência;

    -Escove o pelo do animal diariamente para manter um vínculo de confiança;

    -Garanta uma dieta alimentar de qualidade (consulte o veterinário);

    -Converse com ele, isso fortalece a ligação entre vocês;

    -Não estimule comportamentos agressivos e nem atividade agitadas quando ele estiver ansioso;

    -Fale baixo com ele e agrade-o enquanto estiver calmo;

    -Não force-o a fazer algo que ele tenha medo (busque ajuda profissional);

    -Se for o caso, faça acompanhamento médico com medicamentos adequados para o tratamento dele.

    Dicas importantes

    -Ao se deparar com um cachorro ansioso, agache ao nível de seus olhos e estenda a palma voltada para baixo para que ele possa cheirá-la;

    -Só acaricie o cachorro caso ele se aproxime de você sozinho, evitando acariciar sua cabeça, e nunca tente abraçar um cão ansioso;

    -Nunca use métodos de treinamento baseados em punição, opte sempre por treinamentos a base de reforço positivo;

    -Sempre supervisione as brincadeiras e interatividades entre os cachorros e as crianças. Se a criança estiver tentando machucar, irritar ou assustar o cachorro e ele apresenta sinais de ansiedade, tire-os do mesmo ambiente;

    -Se o cachorro demonstrar sinais agressivos de ansiedade, imediatamente desvie o olhar e afaste-se lentamente sem dar as costas para ele;

    -Se o seu cachorro exibir um comportamento gravemente ansioso ou agressivo, retire-o imediatamente do local de desconforto, ou se você estiver provocando algum desconforto, saia de perto e espere que ele se acalme.