Fonte: OpenWeather

    Covid-19


    O que o coronavírus causa no organismo e quais sequelas ele deixa?

    Diante da pandemia mundial, especialistas avaliam os efeitos do vírus no corpo humano e quais sequelas ele pode deixar em pacientes curados

    Amazonas confirma 15 casos de Covid-19 em 24 horas
    Amazonas confirma 15 casos de Covid-19 em 24 horas | Foto: Lucas Silva

    Manaus - De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até a noite de terça-feira (24), o número de mortos pelo novo Coronavírus ( SARS-CoV -2) chegou a 16.231 mil e 372.757 mil infectados. O que preocupa autoridades internacionais são os efeitos que esse novo vírus causa no corpo de um paciente e como será a vida de pessoas curadas após tratamento. 

    O Portal EM TEMPO conversou com o biólogo, Msc. em Imunologia básica e aplicada e Doutorando em Biologia Parasitária (Fiocruz-RJ), Yury Chaves, sobre a atuação do vírus no corpo humano e as possíveis consequências após a cura. 

    O especialista apontou um artigo, publicado na segunda-feira (23), sobre infecções por Covid-19, intitulado “Infecção por COVID-19: as perspectivas das respostas imunes, por Shi e colaboradores explicam em uma visão clínica, as respostas imunes induzidas pela infecção por SARS-CoV-2”.

    O especialista alerta sobre a atuação do vírus no corpo humano
    O especialista alerta sobre a atuação do vírus no corpo humano | Foto: Arquivo pessoal

    De acordo com o documento, o paciente que estiver em estágio de incubação “Não grave” precisa ter uma resposta imune de memória para eliminar o vírus e impedir a progressão da doença para estágios avançados. 

    Como o vírus age

    Embora nossas defesas naturais não estejam totalmente preparadas para combater esse tipo de vírus, como explica Yury Chaves, outras questões são apontadas por pesquisadores sobre o assunto da pandemia.

    A pessoa precisa estar com boa saúde e com um histórico genético apropriado que provoque a imunidade específica. A baixa imunidade pode contribuir com o avanço da infecção no organismo.

    “Qualquer pessoa pode ser infectada, pois ninguém, anteriormente, teve contato com o SARS-CoV-2 para gerar memória imunológica. Dessa forma, alguns pacientes podem criar um cenário imunológico capaz de promover a gravidade da infecção, principalmente pacientes com problemas de saúde crônicos”, enfatiza o especialista. 

    A maioria dos pacientes internados são idosos, mas todas as idades estão propensos ao vírus
    A maioria dos pacientes internados são idosos, mas todas as idades estão propensos ao vírus | Foto: Divulgação

    Uma vez no organismo, o vírus age destruindo maciçamente os tecidos afetados, com alta expressão de ACE2, uma proteína com importância médica. Ela está relacionada a problemas cardiovasculares, como, por exemplo, a hipertensão, infarto e a arteriosclerose. 

    Problemas de saúde crônicos, encontrados com grande frequência em populações idosas, são a grande preocupação dos médicos que trabalham contra o vírus no mundo. A junção desses fatores juntamente com a infecção pelo SARS-CoV-2 pode favorecer o surgimento da forma grave conhecida como COVID-19, resultando em problemas pulmonares graves. 

    Basicamente, as células danificadas induzem a inflamação nos pulmões, o que pode ocasionar a pneumonia. Os primeiros pacientes a terem a doença estiveram nesta condição. Os pulmões estavam inflamados e as regiões, onde ocorrem as trocas gasosas (Oxigênio e CO2,) ficam prejudicadas podendo resultar na formação de líquido no pulmão.

      

    O vírus age no corpo humano causando problemas respiratórios
    O vírus age no corpo humano causando problemas respiratórios | Foto: Lucas Silva

    O artigo explica, ainda, que a inflamação pulmonar é a principal causa de distúrbios respiratórios com risco de vida no estágio grave. “Portanto, uma boa saúde geral pode não ser vantajosa para os pacientes que avançaram para o estágio grave: uma vez que danos pulmonares graves ocorram pela resposta inflamatória, dessa forma esforços devem ser feitos para suprimir a inflamação e controlar os sintomas”.

    Há sequelas?

    Yury explica que ainda é cedo para responder essa questão. Especialistas em todo o mundo lutam para diminuir o risco de vida dos infectados, através da busca de uma vacina e tratamento eficaz. É possível relembrar também que alguns pacientes permanecem ou retornam positivo para o vírus.

    Especialistas buscam respostas e cura para a pandemia
    Especialistas buscam respostas e cura para a pandemia | Foto: Lucas Silva

    “A grande questão é saber se o sistema imunológico fortalecido conseguirá evitar que o paciente evolua para quadros graves da infecção. O mundo está correndo em busca de responder essas e outras questões. As pessoas estão saindo agora do hospital. É difícil saber, no momento, como será a vida de uma pessoa que esteve internada com COVID-19”, destacou Chaves. 

    O artigo científico traz o monitoramento como questão imprescindível após comprovações de curas entre pacientes detectados com o COVID-19. 

    “Isso indica que uma resposta imune eliminadora do SARS-CoV-2 pode ser difícil de induzir pelo menos em alguns pacientes e as vacinas podem não funcionar nessas pessoas. Aqueles recuperados do estágio ‘não grave’ devem ser monitorados em relação ao vírus e a resposta imunológica. Esses cenários devem ser considerados para determinar as estratégias de desenvolvimento da vacina”, ressalta o documento.


    Coronavirus