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    Saúde


    Falta de bem estar psicológico pode acarretar perda de neurônios

    Uma das principais estruturas afetadas são as conexões vinculadas ao sistema límbico

    Essa situação pode fazer com que as pessoas tenham característica “desadaptativas”
    Essa situação pode fazer com que as pessoas tenham característica “desadaptativas” | Foto: Divulgação

    Manaus- O distanciamento social em longo prazo promove impactos psicológicos e neuropsicológicos que interferem na saúde e no bem estar da sociedade. Manter o contato social, mesmo com o distanciamento físico é fundamental, inclusive, do ponto de vista neuropsicológico, uma vez que o exercício das emoções afeta o crescimento e desenvolvimento dos neurônios ligados a essa região do cérebro.

    De acordo com a professora Ma. Larissa Leite Barboza, do curso de psicologia da faculdade Martha Falcão | Wyden, quando há um funcionamento apropriado do sistema nervoso central, o organismo realiza a estimulação dos neurônios para que eles continuem crescendo e mantendo a sua comunicação.

    Em uma situação como a que vivemos atualmente, de distanciamento social, uma das principais estruturas afetadas são as conexões vinculadas ao sistema límbico, que é a área do nosso cérebro encarregada de regular as respostas fisiológicas e emocionais do nosso corpo. As estruturas anatômicas do sistema límbico são as responsáveis, por exemplo, por processar as nossas emoções e regular a nossa conduta, ou seja, o sistema límbico do cérebro funciona como o centro das emoções.

    “O que sabemos até o momento é que quando passamos um período de 30 dias distante das outras pessoas, temos uma redução em até 20% de conexões em áreas específicas do nosso cérebro sendo o sistema límbico uma dessas áreas. Neste caso, se eu não tenho estímulo, não estou conversando, desenvolvendo determinado tipo de contato com outros grupos, há a possibilidade de morte de neurônios e, conseqüentemente, menos disposição, mais irritação, menos vontade de entrar em contato com outras pessoas”, afirma.

    Portanto, segundo a professora, há a necessidade de estímulo por meio da interação, conversa e desenvolvimento de diferentes tipos de atividade, o que favorece também os aspectos psicológicos do ser humano. “Somos indivíduos sociais, fomos feitos para entrar em contato com outras pessoas. A quarentena impõe para o nosso funcionamento determinadas características que não estávamos preparados, que não estávamos acostumados a lidar e isso traz repercussão psicológica emocional, de como interpretamos o nosso redor, gerando a sensação de estarmos distantes, desamparados”, explica.

    Em alguns casos, essa situação pode fazer com que as pessoas tenham característica “desadaptativas” em relação ao meio como, por exemplo, uma propensão maior à crença em teorias conspiratórias. “Existem casos de quarentenas anteriores de aumento de processos para autoridades de saúde onde que os vírus iniciaram, entre outros relatos. Os impactos são diversos”, explica.

    Outros fatores psicológicos como depressão, ansiedade, estresse, mau-humor, tédio, insônia, medo, tristeza, preocupação e raiva podem ocorrer também nesse período e não cessam tão logo termine o distanciamento. “O medo de contágio da doença e também do estigma causado por ela, por exemplo, ainda permanecem por um período de tempo. Este é um fator estressor presente tanto durante quanto pó-quarentena”, explica. Os fatores que operam durante o distanciamento normalmente referem-se à incerteza do tempo de duração do distanciamento ou angústia sobre o futuro, além de frustração pela impossibilidade de realização de determinada tarefa ou tédio, pela falta de tarefas. Situações como a falta de suprimentos necessários à sobrevivência e o acesso a eles, bem como informações desencontradas de informações de autoridades governamentais também são considerados fatores estressores, porém, que independem da vontade humana.

    Já os fatores estressores pós-quarentena relacionam, especialmente, com a condição financeira e o estigma da doença.

    Literatura internacional

    Os exemplos fazem parte de uma revisão de literatura realizada no início do ano por especialistas acerca dos impactos de quarentena e isolamento já estudados pela Psicologia e foram apresentados aos alunos do curso de Psicologia da faculdade Martha Falcão | Wyden por meio de uma mesa redonda virtual sobre os impactos da pandemia em vários aspectos de bem estar psicológico da sociedade.

    Larissa Barboza lembra ainda que, para o conceito acadêmico, o termo correto é distanciamento social, que é a diminuição de interação entre as pessoas como forma de diminuir a velocidade de transmissão da doença. “O isolamento se dá para separar pessoas acometidas de doença das saudáveis enquanto que a quarentena é a reclusão de pessoas sadias, mas que podem ter sido expostas ao agente causador da doença”. 

    Para a coordenadora do curso, Ester Menezes dos Anjos, doutora em Psicologia e Ciências da Educação, esta é uma oportunidade de analisar o comportamento humano observando os fatos já estudados e que permitem aos estudantes de Psicologia um entendimento melhor com fatores que poderão lidar no futuro enquanto pessoa e enquanto profissional. “A Psicologia é uma ciência bonita e demonstra como podemos ser útil à sociedade. É um momento ímpar, provavelmente entramos para a história da humanidade e isso vai gerar toda uma gama de estudos no cenário mundial. Estamos nos preparando para isso”, afirmou. 

    *Com informações da assessoria