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    Denúncia


    Em meio à pandemia, Hospital Adventista chega a cobrar R$100 mil no AM

    A unidade de saúde está sendo denunciada pelo aumento exagerado nos preços para pacientes de Covid-19 e por ser uma instituição filantrópica, que recebe isenção de impostos

    | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Manaus – Desde a chegada da pandemia ocasionada pela Covid-19 no Brasil, a população de Manaus, capital do Amazonas, vem sendo uma das mais atingidas pela doença. A rede de saúde pública não tem conseguindo lidar com a demanda e alguns hospitais particulares também não. Segundo denúncia recebida pelo EM TEMPO, o Hospital Adventista de Manaus, um hospital da rede particular, mas que também tem cunho filantrópico, aumentou os preços de forma exagerada para os casos da doença causada pelo novo coronavírus. 

    Além do denunciante em questão, que optou por não ter seu nome revelado, áudios de clientes pedindo informações ao Hospital Adventista de Manaus também vazaram na última semana, em forma de denúncia.

    As informações são de que o hospital cobra R$ 500 para uma consulta particular, mas que esse valor salta exponencialmente quando o paciente está com suspeita de Covid-19, chegando até R$ 3 mil.

    Além disso, se depois da consulta o resultado der positivo para o novo coronavírus, o Adventista oferece leitos, mas o valor é outro. Antes, o preço da caução para internação era de R$ 25 mil, passou para R$ 50 mil e agora estaria custando R$ 100 mil.

    O valor da caução para internação chegou aos R$ 100 mil, de acordo com denúncias que circulam em áudios
    O valor da caução para internação chegou aos R$ 100 mil, de acordo com denúncias que circulam em áudios | Foto: Reprodução/Internet

    De acordo com o que se pode ouvir nos áudios, as transferências de outros hospitais para o Adventista também estão suspensas.

    De acordo com o denunciante, o hospital não deveria estar se aproveitando desse momento de pandemia, para explorar os pacientes que necessitam de tratamento. "Estou denunciando o aumento nos preços porque esse hospital é tido como uma instituição filantrópica, que ainda usa o nome de uma igreja evangélica, sendo assim recebe isenção fiscal no âmbito do município. Acredito que a prefeitura deva verificar esses aumentos abusivos e, se for o caso, até pedir o ressarcimento dos impostos que eles deixaram de de recolher. Qual o retorno que essa instituição está dando para a sociedade?", argumentou o denunciante. 

    Requerimento para Prefeitura

    O vereador Chico Preto (DC), afirmou, nesta segunda-feira (04), que irá apresentar um requerimento para que a Prefeitura de Manaus reavalie a isenção tributária concedida à unidade de saúde.

    Vereador Chico Preto disse que vai orientar que a Prefeitura cobre o valor dos impostos que não foram recolhidos pelo hospital
    Vereador Chico Preto disse que vai orientar que a Prefeitura cobre o valor dos impostos que não foram recolhidos pelo hospital | Foto: Reprodução/Internet

    De acordo com o parlamentar, como o hospital fica isento de pagar impostos, o que acontece é que os cidadãos mais humildes acabam financiando o atendimento dos mais ricos. “Na minha opinião isso é uma contradição com o papel dessa instituição que carrega consigo o selo de ser filantrópica. A filantropia é a ação desinteressada para com o próximo”, afirmou.

    Chico Preto orientou que a Prefeitura reavalie a questão e que cobre o valor dos impostos que não foram recolhidos nos últimos cinco anos. Além disso, lembrou também que o terreno onde o Hospital Adventista está instalado foi subsidiado pela Suframa.

    Hospital Adventista

    O Hospital informou que, em respeito ao sigilo das informações, prontamente apresentou os documentos solicitados pelo Procon, como notas fiscais e contas médicas de pacientes com informações de atendimentos realizados entre outubro de 2019 a abril de 2020. Neste período, o Estado do Amazonas já possuía grande número de pessoas contaminadas pela Covid-19.

    Na análise destas contas de pacientes, alguns fatores individuais são considerados como o período de internação em UTI ou apartamento, com ou sem isolamento, materiais necessários utilizados para cada paciente, medicamentos específicos, honorários médicos, oxigenoterapia, necessidades de intubação, entre outros fatores.

    Em nenhum momento, houve qualquer mudança de valores, tendo como base os atendimentos anteriores à pandemia e os realizados já durante o período agudo da doença. Reiteramos, ainda, que pacientes tratados no período da pandemia recebem atendimento com toda a infraestrutura oferecida pelo hospital. E tudo isso pelo mesmo preço dos pacientes que foram tratados antes da Covid-19. Isso está de acordo com todas as determinações do Código de Defesa do Consumidor que veda ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas o de exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva e elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços.

    O hospital disse também que tem dedicado, durante este período crítico de pandemia, um grande esforço para dar pleno atendimento a todos os que procuram os serviços ou são encaminhados ao hospital.

    "Registramos um crescente número de altas médicas de pacientes tratados e curados que, até o momento, soma 250 pessoas. Somos solidários ao sofrimento da população amazonense e vamos continuar com o mesmo compromisso de um trabalho de qualidade, preocupação com a saúde publica, mantendo valores como a verdade, a transparência e a preocupação com uma saúde integral de todos os nossos pacientes", diz a nota