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    Coronavírus


    Psicanalista aponta perfis de pessoas na pandemia: Qual o seu?

    Especialista da psicopatologia aponta quatro tipos de comportamento durante a pandemia do novo coronavírus. Você reproduz algum deles?

    Especialista aponta os principais tipos de comportamento durante a pandemia | Foto: Freepik

    Manaus - A pandemia do novo coronavírus mudou a forma como os seres humanos se relacionam, o que pode ser um problema, já que a espécie vive de se comunicar. Se até o ano passado, o comum em muitos países era ter liberdade para ir e vir, agora, em 2020, o novo 'normal' é se isolar em casa. Com uma mudança de realidade digna de filmes de ficção científica, surgiram diversos tipos de perfis de pessoas. Conheça os principais e descubra qual o seu.

    Quem traça os comportamentos na pandemia é Ana Laura Gaio, psicanalista e psicopatologista.  Ela trabalha com saúde mental no seu escritório em São Paulo (SP) e concedeu uma entrevista exclusiva ao EM TEMPO para falar sobre os perfis.

    Ana Laura Gaio trabalha com pacientes e os ajuda  reconhecer comportamentos e as causas
    Ana Laura Gaio trabalha com pacientes e os ajuda reconhecer comportamentos e as causas | Foto: Reprodução

    Antes de avançar para os perfis, ela faz uma contextualização geral da pandemia. Lembra que todos, independentemente do perfil, estão abalados de alguma forma pela realidade do novo coronavírus.

    "Quem antes não dava o valor devido à rotina, agora percebe quão importante ela é. É por isso que algumas resistem ou agem diferente durante a quarentena, porque percebem que a 'dança do toque' com o outro é essencial para a nossa sobrevivência enquanto seres humanos", afirma a psicanalista.

    Negacionista

    Negacionistas têm dificuldade em aceitar a realidade que veem
    Negacionistas têm dificuldade em aceitar a realidade que veem | Foto: Freepik

    É comum observar nas ruas as pessoas que vivem como se não houvesse uma pandemia que já matou 231 mil pessoas ao redor do mundo em pouco menos de quatro meses. No Brasil, o fenômeno das carreatas se tornou famoso em inúmeras cidades, inclusive Manaus. Pessoas que se manifestam pedindo o fim da quarentena, sob o medo de que a economia pare. 

    "Algumas pessoas sentem um medo inconsciente, ou seja, que está ali 'debaixo da terra'. Esse receio do que está acontecendo no mundo é tão grande que automaticamente a mente usa o negacionismo para se defender. Finge que não existe pandemia ou que ela não é tão grave como os números mostram", comenta a psicanalista.

    Ana diz que esse perfil age dessa forma porque acredita que negando ele não vai ter participação nenhuma na situação, "o que é uma grande fantasia", porque as pessoas estão no mesmo contexto da pandemia e se não se cuidarem, vão sofrer da mesma forma.

    É nesse perfil, segundo a profissional, que surgem também as pessoas que abusam de drogas ilícitas e lícitas para fugir da realidade. Quem faz uso de maconha, cocaína ou outros entorpecentes, mas também quem se automedica com calmantes ou fuma e bebe bastante.

    Confuso

    Pessoas confusas se veem entre muitas informações e com dificuldade para processar as novidades
    Pessoas confusas se veem entre muitas informações e com dificuldade para processar as novidades | Foto: Freepik

    "Você não pode sair de casa". A frase ouvida por muitas pessoas durante a quarentena é um gatilho para gerar confusão mental, segundo a psicanalista. Ela lembra que não poder sair de um lugar é algo que o nosso cérebro entende como um castigo, como quando crianças ou no caso de quem comete crimes e é preso.

    "É claro que, na realidade, não é bem isso. Estamos em casa porque o momento exige essa atitude a fim de não aumentarem os números de infectados tão rápido. No entanto, para o inconsciente, essa orientação as vezes soa mais como uma coerção ou uma proibição", afirma Ana. 

    Ela aponta a confusão na mente de uma pessoa que nem gostava tanto de sair, mas que agora não faz isso por motivos pessoais e sim pela orientação de médicos. 

    "Quem trabalhava no home office, por exemplo, agora precisa fazer isso por imposição do governo ou do trabalho. Na mente dessa pessoa, essa orientação causa um mal-estar, já que ela fica em uma dualidade. Ela gosta de ficar em casa, mas ao mesmo tempo está sendo forçada a isso", afirma a psicanalista. 

    Ela alerta que nesse perfil o que se demonstra pelos pacientes dela é que alguns têm desenvolvido patologias como ansiedade, depressão e transtorno obsessivo compulsivo, por isso é importante ter atenção. Esse último, aliás, é o que nos leva ao próximo perfil.

    Compulsivo

    Durante a pandemia, há os que extrapolam nos comportamentos compulsivos e outros que passam a ter
    Durante a pandemia, há os que extrapolam nos comportamentos compulsivos e outros que passam a ter | Foto: Freepik

    Também com base em seus pacientes, a psicanalista traça um terceiro tipo de comportamento durante a quarentena. A pessoa que demonstra excesso de limpeza. Ela ressalta que o ato de higienizar as mãos e objetos com álcool 70% é necessário, mas pede atenção aos extremos.

    "Ter uma boa higiene é bom em qualquer momento, não só durante a pandemia. Mas não precisa limpar a maçaneta da porta o tempo todo até que elas enferrujem ou então esfregar tanto as mãos até que elas fiquem em carne viva. Por incrível que pareça, isso acontece", afirma a profissional.

    Estão inclusas nesse perfil, também, as pessoas que destratam outras que se aproximam em uma distância razoável para falar algo. "O distanciamento social é necessário, mas se a pessoa respeitar os dois metros indicados pelas autoridades, isso não é um problema. Vale também para o seu vizinho de apartamento, se ele precisar pegar um elevador com você. Se for se sentir mais à vontade, espere para ir sozinho, mas não desrespeite a pessoa", orienta Ana.

    Egoísta

    Narcisistas percebem que precisam socializar com os outros para a sobrevivência de todos
    Narcisistas percebem que precisam socializar com os outros para a sobrevivência de todos | Foto: Freepik

    O último perfil citado pela psicanalista é o das pessoas que, segundo ela, podem ser chamadas de 'egoístas' ou 'narcisistas'. São aquelas que, em um momento normal, acham que só precisam delas mesmas, mas que durante a pandemia têm descoberto que necessitam da ajuda de outras pessoas para sobreviver.

    "Imagine uma pessoa que achava não precisar de ninguém ficar doente. Ela vai precisar da ajuda de outras para que possam comprar coisas no mercado ou realizar atividades domésticas. Da mesma forma, se for alguém que preferia ficar sozinho, mas agora está sendo forçado a conviver com o resto da família, em casa, por mais tempo", afirma a psicanalista.

    Ela considera, para a pessoa egoísta, a quarentena como um aprendizado. Segundo Ana, é o momento ideal para que esse perfil descubra que precisa de amor, ou seja, de contato com o outro. É também uma boa situação para o egoísta perceber que pode ajudar a outras pessoas, para que todos superem juntos este momento.