Fonte: OpenWeather

    Pandemia Covid-19


    IBGE: Cidades enfrentam o desafio da falta de leitos em UTI

    Manaus que enfrenta um colapso nos sistemas médico e funerário, tem apenas 291 leitos de UTI, incluindo os privados. É o equivalente a 11 leitos para cada 100 mil habitantes.

    Faltam leitos de UTI na maioria das cidades brasileiras
    Faltam leitos de UTI na maioria das cidades brasileiras | Foto: Divulgação/Secom

    BRASILIA - Dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 537 tinham ao menos um leito de unidade de terapia intensiva (UTI) em estabelecimentos privados ou públicos. O levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cruza estatísticas do DataSUS, de dezembro de 2019, com a pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic) 2018 e o MonitoraCovid-19, da Fiocruz.

    No momento em que o coronavírus avança para as periferias brasileiras, a falta de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) nas cinco capitais mais afetadas, chama atenção.

    Manaus

    A cidade de Manaus, de acordo com o IBGE, tem uma estrutura para atender apenas moradores da capital, mas recebe pacientes de todo o Estado. "Mesmo moradores de municípios distantes da capital deslocam-se para Manaus devido à pandemia. Chegam de avião, de barco, como for possível", disse o coordenador de Geografia e Meio Ambiente do IBGE, Claudio Stenner.

    Manaus enfrenta um colapso nos sistemas médico e funerário, tem apenas 291 leitos de UTI, incluindo os privados. É o equivalente a 11 a cada 100 mil habitantes.

     Já em relação ao Estado todo, o Amazonas, que vive uma situação dramática, tem apenas 7 leitos por 100 mil.

    A cidade de Manaus, de acordo com o IBGE, com estrutura precária para até mesmo moradores da capital,recebe pacientes de todo o Estado.
    A cidade de Manaus, de acordo com o IBGE, com estrutura precária para até mesmo moradores da capital,recebe pacientes de todo o Estado. | Foto: Divulgação/Secom

    Outros estados

    São Paulo, Rio e Fortaleza, que lideram o ranking de casos e óbitos por Covid-19 de acordo com dados do Ministério da Saúde, não passaram da marca de 10 leitos a cada 100 mil habitantes. A capital paulista, que tem uma população de 12,2 milhões, tem 3.504 ao todo, dos quais 1.226 no SUS. No Rio, são 515 leitos públicos em um universo de 2.517 unidades.

    O levantamento encontrou as conhecidas desigualdades entre Sul e Suldeste com o Norte e Nordeste, que têm piores indicadores. Além disso, também mostrou áreas populosas dentro dos estados com problemas.

    No Ceará, por exemplo, a cidade vizinha à Fortaleza é Caucaia. Ela tem 360 mil habitantes e nenhum leito de UTI. No estado do Rio, Belford Roxo tem mais de meio milhão de habitantes e também não conta com sequer um leito de terapia intensiva.

    No sistema público, as estatísticas mais confortáveis são as de Recife – 992 leitos, dos quais 460 do SUS. A cidade, no entanto, já registra 3.069 casos e 337 óbitos. Os dados de leitos não levam em conta os hospitais de campanha erguidos desde o início da pandemia, mas trazem um amplo panorama sobre o sistema de saúde. 

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que haja de 10 a 30 leitos de UTI a cada 100 mil habitantes. O tempo de recuperação da Covid-19, que gira em torno de duas semanas, é um dos principais desafios da pandemia.

    Na prática, cada leito só pode ser ocupado por dois pacientes a cada mês, enquanto, em circunstâncias normais, a rotatividade é maior. Essa realidade aumenta o estresse sobre o sistema de saúde. 

    Leitos por Estados

    Se analisados os números estaduais, incluindo SUS e o setor privado, o Distrito Federal lidera o ranking nacional com 30 leitos por 100 mil habitantes, mas é apenas o 14º mais afetado do país de acordo com números do Ministério da Saúde.

    Roraima, na região Norte, é o estado menos assistido da nação, com 4 leitos de UTI a cada 100 mil habitantes.

    O Rio de Janeiro, que já está com o sistema saturado, aparece em segundo, com 25 leitos a cada 100 mil habitantes.  São Paulo, Pernambuco e Ceará têm, respectivamente, 19, 16, e 9 leitos a cada 100 mil habitantes.