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    Saúde mental


    Papo Franco: Psiquiatra comenta impactos da pandemia na saúde mental

    Especialista comenta as mudanças sociais e seu impacto nas relações pessoais

    Assista à entrevista | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
    Assista à entrevista | Autor: Tatiana Sobreira/ WEB TV Em Tempo
     

    Manaus - Em entrevista ao programa Papo Franco, apresentado pela jornalista Tatiana Sobreira, o médico psiquiatra Luiz Henrique Novaes comenta os principais desafios enfrentados pela população e por profissionais da saúde durante a pandemia do novo coronavírus. O especialista também conduz a uma reflexão sobre sentimentos subjetivos humanos, relacionados à morte e cuidado com o outro.

    Luiz Novaes é formado em medicina pela Faculdade Federal do Amazonas (Ufam), possui especialização na área de medicina do trabalho. Atualmente,ele  realiza atendimento psiquiátrico clínico para crianças, adolescentes, adultos e idosos e é membro efetivo da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

    Segundo o especialista, há dois lados na luta contra o novo vírus. O primeiro é o técnico, composto por profissionais da saúde, e o segundo político, formado por lideranças governamentais. Entre eles, estariam os profissionais e os veículos de comunicação, responsáveis por criar a articulação dessas classes com a população.

    O surgimento da pandemia desnudou muitas problemáticas sociais que, até então não eram veiculadas, como a situação estrutural das unidades de saúde e o despreparo de muitos governantes diante uma crise. Segundo ele, a veiculação de todos esses aspectos, com os números de infectados e mortos pela covid-19 tem sobrecarregado a mente das pessoas.

    A exposição excessiva a informações e conteúdos pode piorar a sensação de medo e incerteza
    A exposição excessiva a informações e conteúdos pode piorar a sensação de medo e incerteza | Foto: Reprodução

    Segundo eles, a principal consequência dessa avalanche de informações é o sentimento de abandono social e medo generalizado. Luiz afirma que tal cenário, por si só, não é responsável pelo desenvolvimento completo de algum distúrbio psiquiátrico, no entanto, ele atenta para ações impulsivas causadas pelo desespero, estas sim podem resultar em tragédias e acidentes.

    Diante desse contexto, onde as pessoas têm passado cada vez mais tempo em casa, com familiares e parceiros, o especialista aponta para uma mudança nas perspectivas subjetivas sobre a vida. A saúde ganhou um novo significado e importância diante da ameaça invisível do coronavírus.

    “Antes disso acontecer, as pessoas bebiam, fumavam e praticavam diversas atividades nocivas à saúde sem nenhuma preocupação. Com o surgimento da covid-19, isso mudou. Agora o cuidado com o corpo tem sido cada vez maior, justamente pelo perigo constante de ser contaminado.”

    Dinâmicas de relacionamento 

    As relações interpessoais também mudaram. O isolamento social é a principal medida de contenção de propagação, por isso, a comunicação entre as pessoas tem sido predominantemente online. A alternativa tem se mostrado bastante efetiva, pois permite que entes queridos se vejam e supram um pouco da saudade.

    Em contrapartida, as famílias que se isolaram juntas têm enfrentado alguns desafios de convivência, principalmente, aquelas que possuem algum membro infectado. Nesses casos, geralmente, é adotado o isolamento completo do indivíduo,  em um quarto ou coisa do tipo.

    O isolamento domiciliar e a consequente exclusão do membro da rotina diária pode causar sentimento de abandono
    O isolamento domiciliar e a consequente exclusão do membro da rotina diária pode causar sentimento de abandono | Foto: Reprodução

    Sobre isso, o psiquiatra ressalta que, mesmo diante de uma crise sanitária como essa, o cuidado e humanidade para com o outro deve ser conservado, pois, é justamente no momento de maior apreensão, que o infectado precisa de apoio e carinho.

    “Não deixe de praticar o acolhimento e cuidado, ajude e em seguida realize todos os procedimentos necessários de lavar as mãos. Troque até de roupa se for preciso, só não seja indiferente com quem ama”

    Confira mais na entrevista completa:  

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    *Colaborou Web TV Em Tempo/ Tatiana Sobreira