Beba com moderação


Grupos de pessoas são mais suscetíveis aos efeitos do álcool

Efeito do álcool é pior em mulheres, jovens e idosos

| Foto: Reuters

Manaus - O consumo excessivo de álcool pode ocasionar diversos problemas físicos e sociais a um indivíduo, principalmente em jovens, mulheres e idosos, que são considerados grupos vulneráveis de acordo com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). No caso das mulheres foi possível notar ainda um aumento de 30%, em 2019, no consumo excessivo de álcool, onde uma mulher consumiria quatro ou mais doses de bebida alcoólica pura em uma única ocasião.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (Pense) 55,5% da população entre 13 a 15 anos já consumiu bebidas alcoólicas e 21,4% de maneira exagerada, o que favorece ainda mais o risco de dependência. A psicóloga Juanita Maia explica que muitos jovens têm contato com bebida desde a infância, com a própria família, e que isso pode prejudicar o desenvolvimento da criança em diversos fatores, como dificuldade no meio escolar, gravidez precoce e indesejada, além do risco de acidentes.

“Vivemos em uma sociedade onde muitos pais brincam colocando a chupeta do bebê na cerveja ou deixam o filho dar um gole para provar a bebida e dizem: ‘só um pouquinho tá? ’. O consumo pode afetar causando danos irreversíveis a nível cognitivo, comportamental, social e de aprendizagem, repercutindo durante a vida adulta. Sabemos que a adolescência é a faixa etária de maior vulnerabilidade para experimentação e uso abusivo de drogas, mas a idade não influencia diretamente o problema”, explica a psicóloga.

Adolescentes têm mais facilidade para experimentar bebidas
Adolescentes têm mais facilidade para experimentar bebidas | Foto: Getty Images

Os locais onde os jovens geralmente adquirem bebidas são: 43,8% em festas, 17,8% com amigos; 14,4% em lojas, bar, supermercados; 9,4% com alguém da família; 3,8% em casa, sem a permissão da família; 3,8% dando dinheiro a alguém que comprou; 1,6% com vendedores de rua e 5,4% de outras maneiras.

Segundo Juanita, o contato precoce com bebidas alcoólicas, a frequência de consumo, a quantidade e os motivos que levam a pessoa a necessitar da bebida, que é uma droga legalizada, associado ao uso de outras drogas ilícitas, são fatores que devem ser observados e investigados, para conseguir determinar a possibilidade de desenvolvimento da dependência alcoólica.

A psiquiatra Ana Paula Amanajás explica que o consumo precoce na adolescência ocorre principalmente pela sensação de 'bem-estar' que o álcool pode provocar, além de servir como fonte de alívio para o stress em relação a fatores familiares e escolares, porém o uso frequente acarreta em diversas consequências físicas, mentais e sociais.

"Quanto mais precoce for seu consumo, maior será a probabilidade de o adolescente tornar-se dependente. Além disso, com o uso constante, o organismo cria tolerância à droga, e para satisfazê-lo é preciso aumentar as doses, que, em consequência do uso contínuo, desenvolve a dependência pelo álcool. O risco para dependência está interligado a fatores de exposição genética, neurobiológica, comportamentais, de personalidade, vivenciados pelo ambiente, que predispõe o início e a continuidade do uso da substância. Com o passar dos anos, a dependência de álcool instala-se no indivíduo e é identificada quando há perda do controle de decisão sobre o beber e sofrimento com os sintomas de abstinência da droga", conta a médica.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2018, foi possível registrar que o consumo de bebidas entre jovens universitários de 18 a 24 anos é grande, pelo menos 72% dos entrevistados relataram que consumiram álcool no ano anterior à pesquisa, uma ou mais vezes, e 60,5% beberam no mês da pesquisa, o que sugere que a frequência no consumo, influenciando casos de alcoolismo.

Nas mulheres entre 18 a 24 anos o consumo é de 23%, enquanto que nas mulheres com 65 anos ou mais o índice é de apenas 2,1%, de acordo com pesquisas da OMS e da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). A OMS também informou que 1,6% das mulheres desenvolveram algum tipo de problema relacionado ao consumo de álcool.

"Mulheres tendem a desenvolver dependência"

Segundo a psicóloga Juanita, o consumo pelas mulheres, geralmente, é por uma causa emocional e elas têm maior facilidade para desenvolver vícios e problemas de saúde, em comparação aos homens, por uma questão fisiológica e isso facilita o desenvolvimento de diversas doenças, como a hepatite.

Mulheres são mais vulneráveis a vícios do que homens
Mulheres são mais vulneráveis a vícios do que homens | Foto: Getty Images

“As mulheres têm uma maior vulnerabilidade fisiológica ao uso do álcool, pois liberam uma menor quantidade de enzimas ADH que é liberada pelo fígado e usada para metabolizar o álcool ou seja, quando as mulheres bebem elas ficam com o álcool mais tempo na corrente sanguínea. Mulheres tendem a desenvolver dependência e outros problemas de saúde com mais rapidez que os homens, pois começam a beber mais tarde que eles só que levam menos tempo para se tornarem dependentes do uso da substância, apresentando quadros de doenças hepáticas, elevando o risco de hepatite alcoólica, cirrose, doenças cardíacas e câncer de mama”, explica Juanita.

Para os idosos o consumo de álcool pode provocar problemas mais expressivos, pelas limitações que idade provoca, como maior risco de quedas e lesões, e consumo combinado a medicamentos usados por cerca de 90% da população deste grupo, causando efeitos colaterais indesejados.

"O organismo do idoso é por si considerado um organismo mais fragilizado, mais debilitado. Apesar das formas de classificação de consumo, a ingestão de bebidas alcoólicas pelo idoso pode ser potencialmente nociva à saúde independentemente do seu padrão (quantidade e frequência), mesmo que o idoso não receba um diagnóstico formal de abuso ou dependência. A utilização de álcool e drogas por indivíduos idosos pode ocasionar piora do estado físico e/ou mental", explica a psiquiatra Ana Paula.

A médica conta ainda que os efeitos neste grupo para os que consomem álcool excessivamente estão ligados à lesão de vários órgãos de expressão mais grave no idoso, pois apresentam maior vulnerabilidade ao aparecimento de patologia hepática, maior risco cardiovascular pelo aumento dos valores de pressão arterial e maior prevalência de demência, cinco vezes mais elevada do que nos indivíduos não alcoólicos. A depressão é considerada uma comorbidade frequente.

Fatores sociais

Os motivos mais comuns do consumo são fatores psicossociais como a viuvez, a solidão, a perda de amigos, a aposentadoria, o isolamento durante esse período de pandemia e além dele também, dentre outros. De acordo com a psiquiatra também há um risco maior aos portadores de cardiopatias, doenças autoimunes, metabólicas, endócrinas, reumáticas e neurológicas, que tendem a evoluir de forma negativa mais precocemente com o uso frequente de bebidas.

Os efeitos colaterais em idosos podem ser diversos, como distúrbios gastrointestinais e agravamento de quadros depressivos e ansiedade
Os efeitos colaterais em idosos podem ser diversos, como distúrbios gastrointestinais e agravamento de quadros depressivos e ansiedade | Foto: Reprodução

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