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Beijar os filhos na boca: gesto pode transmitir gripe a doenças fatais

Prática também pode ser gatilho para a sexualização das crianças, além do risco de contágio de doenças infecciosas

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Manaus - O beijo na boca é uma das formas de carinho mais íntimas que existem, até mesmo o selinho. Muitos pais costumam, como forma de demonstrar carinho e cumprimentar, encostar os lábios nos dos filhos, um hábito que, muitas vezes, vai desde a infância até uma idade mais avançada. Além do perigo de transmissão de bactérias, o psicólogo Alan Costa alerta que este gesto pode desencadear uma confusão na mente da criança, uma sexualização precoce, além de transmitir doenças infecciosas. 

"Acredito que não gere um amadurecimento precoce na criança, mas sim uma confusão de papéis, ela pode não compreender tão bem aquele ato, e no futuro é possível que ela acredite ser normal um adulto beijar na sua boca, o que pode confundir os limites dos toques que deveriam ser muito bem definidos pelas crianças para evitar situações piores como abusos sexuais. É possível também que isso desencadeie uma sexualização precoce na criança, pois é normal a criança se sentir excitada com o beijo pela própria mãe", explica o psicólogo.

O beijo pode desencadear uma sexualização precoce
O beijo pode desencadear uma sexualização precoce | Foto: Reprodução

Além destas situações, o que pode ocorrer é a possibilidade de, no futuro, a criança ter dificuldades em estabelecer relacionamentos amorosos. A universitária Beatriz Araújo conta que, assim como seus dois irmãos, tem o costume de beijar na boca de sua mãe e acha a atitude normal, apesar de muitas pessoas terem uma visão maliciosa.

"Acho super normal. Desde pequena tenho esse hábito com a minha mãe, então nunca me senti desconfortável. Na verdade, considero um gesto de carinho. Tenho dois irmãos e também temos esse costume, eles com a minha mãe. Algo normal de família, amor de mãe. Fomos criados com esse hábito, então acredito que se tornou comum. Algumas pessoas que não convivem conosco já viram com maldade, mas para nós não tem mal em dar amor a família. Acho que a maldade está na mente das pessoas inclusive", relatou a jovem.

Riscos de doenças

De acordo com o médico infectologista Marcelo Cordeiro, do Sabin Medicina Diagnóstica, o ato pode desencadear diversas doenças por conta da transmissão de bactérias e fungos. O risco aumenta quando se trata de bebês, que possuem maior facilidade para contaminação.

"Por meio do beijo os pais podem transmitir uma série de micro-organismos, como vírus, fungos e bactérias. Quanto menor a criança, menos desenvolvido estará o sistema imunológico. O aleitamento materno aliado a vacinação são medidas muito importantes para o desenvolvimento do sistema imunológico da criança. As principais infecções que podem ser transmitidas por meio do beijo são: a mononucleose infecciosa (conhecida como a doença do beijo), herpes e a candidíase (sapinho)", explicou o médico.

A mononucleose infecciosa é uma doença viral transmitida pela saliva. É uma condição muito comum, de fácil propagação, que tem como principais sintomas irritações na pele e o inchaço das glândulas. A "doença do beijo" pode ainda facilitar o risco de outras enfermidades como lúpus e diabetes. Também muito comum entre a população brasileira é a herpes, causada por outro vírus. Nela, o paciente fica com pequenas feridas na região dos lábios, como bolhas. Já o "sapinho" é uma enfermidade causada por um fungo, que causa lesões na língua e bochechas principalmente em bebês. Para todas as doenças é recomendado o acompanhamento médico.

Alan Costa explica que além das doenças, a criança também pode ficar exposta ao mundo. Para ele, isso vai muito além do universo da criança, pois ela ainda está em processo de formação dessa compreensão, e quando essas coisas acontecem vindo de pessoas que são da sua confiança ela acaba tendo que significar isso de alguma forma.

"Acredito que as pessoas tenham esse costume por um motivo cultural, em que algumas famílias olham como 'normal' esse tipo de demonstração de afeto, assim como em alguns países as pessoas se cumprimentam com beijo na boca", explicou o psicólogo.

Algumas pessoas normalizam a prática
Algumas pessoas normalizam a prática | Foto: Shutterstock

Qual a origem do beijo?

Os registros mais antigos da origem do beijo datam de, aproximadamente, 1200 a.C., no texto sagrado hindu Sapatha, com diversas frases que indicam malícias. Também no Mahabharata, um dos maiores poemas da Índia datado de 1000 a.C., que tem a seguinte descrição: "Pôs a sua boca em minha boca, fez um barulho e isso produziu em mim um prazer". Tempos depois, entre 200 e 400 d.C, o Kama Sutra fez uma descrição mais detalhada do beijo, com visões éticas e morais. 

Durante as 200 passagens sobre a prática, há a descrição de três tipos de beijo na boca comuns na época: o beijo “nominal”, no qual só poderia tocar a boca do amante com os lábios; o “palpitante”, que permite movimentar apenas o lábio inferior, e havia o de “toque”, no qual a moça está autorizada a passar a língua nos lábios do homem. Já no século 17 a prática era comum nas cortes europeias. 

O beijo também faz parte de muitas tradições, como na Rússia. Lá, os homens costumam se dar um selinho como forma de cumprimento. Uma famosa pintura do russo Dmitri Vrubel, intitulada "Beijo Fraterno" ilustra o selinho entre o premier soviético Leonid Brejnev e Erich Honecker.

Pintura intitulada "Beijo fraterno" retrata o beijo entre dois homens, forma de cumprimento comum na Rússia
Pintura intitulada "Beijo fraterno" retrata o beijo entre dois homens, forma de cumprimento comum na Rússia | Foto: Reprodução

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