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    Medo excessivo


    Você tem alguma fobia? Psicóloga ensina como identificar e tratar

    Fobia é o medo exagerado. No Brasil, 26 milhões de pessoas sofrem com a fobia social

    Tontura, náusea, tremores, calafrios, dificuldade na respiração, formigamento pelo corpo, sudorese intensa são alguns dos sintomas manifestados em uma pessoa com fobia
    Tontura, náusea, tremores, calafrios, dificuldade na respiração, formigamento pelo corpo, sudorese intensa são alguns dos sintomas manifestados em uma pessoa com fobia | Foto: Reprodução Internet

    Manaus - Qual criança nunca sentiu medo do escuro? Ou quem sabe um frio intenso na barriga ao enfrentar uma roda gigante? Alguns tipos de medos são identificados na infância, mas podem se perdurar por toda a vida, caso não seja tratado. De acordo com dados citados no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, mais de 26 milhões de brasileiros sofrem com a fobia social, que é a ansiedade em estar com pessoas, por medo de julgamento e insegurança.

    Segundo a psicóloga, Nayara Dayne Marques, a fobia é o medo em exagero. “As síndromes fóbicas são medos intensos e irracionais por situações, objetos e/ou animais, de algo improvável que cause danos. As fobias se diferenciam dos medos regulares porque causam sofrimento significativo, possivelmente interferindo na vida em família, no trabalho ou na escola. A fobia não é uma doença em si. Pode ser um sintoma de outra causa, habitualmente, um transtorno mental”, explica.

    Fobias reais

    A social media, Luciana Freire, tem nictofobia, ou seja, medo do escuro e claustrofobia, pavor de lugares fechados. “Quando criança, não conseguia dormir no escuro. Eu tinha que ver um ponto de luz e a porta tinha que estar aberta, porque me sentia segura em ver que não estava em um local fechado. Quando viajo de avião, tomo um remédio para relaxar. Não consigo dormir, mas já me ajuda a ficar menos tensa”, conta.

    Com o tempo, Luciana conseguiu administrar melhor esse sentimento. No entanto, ela já passou por situações de grande tensão. “Em um show no Rock in Rio, por exemplo, consegui assistir uma apresentação completa, mas depois me senti agoniada e tive que assistir de longe, por conta da multidão. Hoje em dia não me afeto tanto, porque evito os locais fechados. No meu trabalho, o escritório é aberto, tem escadas, então é mais tranquilo”, considera.

    Assim como a Luciana, a estagiária Luana Góes tem medo de escuro, mas também de altura. A partir do 3º andar de um prédio, ela não vai nem na sacada. Quando criança, tinha medo da escada rolante e do elevador. Hoje já consegue lidar melhor com esses locais.  “Eu sou filha única, criada com a minha avó. Sempre fui superprotegida e não fui ensinada a enfrentar os meus medos. Com os anos, percebi que precisava resolver algumas coisas e fiz terapia. Não cheguei a fazer terapia para tratar os medos especificamente, mas foi muito bom. Hoje tenho um sonho de pular paraquedas. Quem sabe, um dia realizo”, revela.

    Medo X Fobia

    A psicóloga Nayara diz que o medo saudável faz parte do ser humano, serve como proteção. No entanto, ela diferencia o medo da fobia. “A diferença entre medo e fobia está, sobretudo, na intensidade em que as emoções se apresentam. A fobia destaca-se por ser um medo desproporcional e irracional. Entretanto, o medo é uma emoção importante que nos faz evitar situações que sejam capazes de nos causar prejuízos”, frisa.

    De acordo com Nayara, é possível tratar uma fobia, caso o comportamento atrapalhe o cotidiano de uma pessoa. “As fobias são tratadas com terapia e, quando há necessidade, se recomenda o uso de fármacos, receitados pelo psiquiatra. Algumas pessoas possuem predisposição a alguns transtornos, fatores genéticos e ambientais, que podem aumentar os riscos de fobias”, destaca.

    Aerofobia é o pavor em viajar de avião
    Aerofobia é o pavor em viajar de avião | Foto: Reprodução Internet

    Como surgem?

    Segunda a psicóloga, as fobias são um problema corriqueiro na comunidade e manifestam-se como resultado da combinação de vários fatores. “Partindo desse parâmetro, qualquer indivíduo pode ser afetado por algum tipo de fobia em algum momento da sua vida, já que elas podem aparecer em qualquer idade e independente de classe social. ”

    Experiências negativas de momentos vividos e a existência de traumas associados ao objeto de perigo também ampliam as possibilidades de desencadear uma fobia. “O problema mostra-se pela combinação de gatilhos específicos, aguçados pela instabilidade emocional típica do descontrole de ansiedade”, enfatiza Nayara.

    Tipos incomuns de fobias

    Algumas fobias não são tão comuns. A tripofobia, por exemplo, indica uma pessoa com medo de buracos. A coulrofobia é a fobia de palhaços. A afefobia já é o medo excessivo de uma pessoa que não gosta de ser tocada. E a hidrofobia, já ouviu falar? É o medo de água. Outro tipo de fobia incomum é o agorafobia, que se define como “medo de sentir medo. ” Pessoas com essa fobia evitam em ir em lugares que possam se sentir incapazes de administrar uma situação, caso alguma coisa ocorra. Esse transtorno de ansiedade, seguidos de ataques de pânico, deve ser tratado com o auxílio de um psiquiatra e psicólogo.

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