Saúde


Pandemia está aumentando os casos de doenças de pele

Dermatologistas falam sobre o impacto do psicológico na pele

 A pele possui uma ligação com o sistema nervoso, ou seja, a mente se reflete no corpo, mostrando as reações do estresse, ansiedade e depressão que a quarentena está potencializando
A pele possui uma ligação com o sistema nervoso, ou seja, a mente se reflete no corpo, mostrando as reações do estresse, ansiedade e depressão que a quarentena está potencializando | Foto: Reprodução

O número de problemas de pele aumentou durante o isolamento social gerado pela pandemia do novo coronavírus. O chefe do serviço de dermatologia do Hospital Federal dos Servidores do Rio de Janeiro, Doutor Paulo Oldani, explica que isso ocorre porque a pele possui uma ligação com o sistema nervoso, ou seja, a mente se reflete no corpo, mostrando as reações do estresse, ansiedade e depressão que a quarentena está potencializando.

Algumas pessoas são mais sensíveis a determinadas situações. Portadores de transtornos ansiosos e depressivos pioram muito com o isolamento social, uma vez que ficam forçadas a se afastar fisicamente de seus familiares e amigos, além da sensação de aprisionamento.

Quais as doenças mais comuns?

Como resultado desse estresse, o dermatologista Alex Panizza, evidencia que as doenças mais comuns nesse período foram a dermatite de contato, acne e até queda de cabelo. A dermatoide de contato é devido ao uso excessivo de álcool gel e produtos de limpeza causando uma inflamação devido à constância de aplicação.

Outro item muito utilizado são as máscaras, que dependendo do material, pode causa acnes no rosto. O preferível é que o tecido seja de algodão, porque proteger ao mesmo tempo que deixa a pele respirar, por isso é necessário não ser muito apertada e que se seja trocada de duas em duas horas. Não foi só a pele que sentiu os impactos, a queda de cabelo foi um dos maiores problemas de suas pacientes.

Outro item muito utilizado são as máscaras, que dependendo do material, pode causa acnes no rosto
Outro item muito utilizado são as máscaras, que dependendo do material, pode causa acnes no rosto | Foto: Reprodução

Outros tipos de doenças dermatológicas podem aparecer. "Patologias que têm bastante ligação com a parte psicológica do paciente são a de psoríase e urticária caracterizadas pela descamação, vermelhidão e coceira em algumas regiões do corpo, a desidrose, que provoca pequenas bolhas nas palmas das mãos e na sola dos pés e o líquen simples crônico, que leva ao aparecimento de placas espessas e escuras no tecido", explica a dermatologista Ana Lucia Recio, de São Paulo, membro da SBD.

Esses efeitos da pandemia afetaram a todos, porém com mais intensidade aqueles que não puderam parar de trabalhar, inclusive as crianças desenvolveram problemas como a doença comumente chamada sarna gerada por acaro, mas comum em pessoas de menos poderes econômicos

O que se deve fazer?

Para esses problemas dermatológicos,  o especialista orienta procurar um médico e focar na boa alimentação, diminuindo os alimentos com altos valores de carboidratos.

O Mestre em Dermatologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP, Weber Coelho, faz um alerta para que as pessoas evitem a automedicação. Ele ressalta que aqueles pacientes que já vêm se tratando de alguma dessas doenças em casa, com medicação receitada por médico, não devem aumentar as doses porque isso já é considerado automedicação e tomar cuidado com as receitas caseiras da internet.

O mais indicado é cuidar da fonte do problema ao invés dos sintomas, ou seja, cuidar do psicológico. “Tentar reduzir a ansiedade e a obrigatoriedade de se manter produtivo, pois estamos numa pandemia e por isso temos que pensar em nossa saúde em primeiro lugar", alerta a psicóloga da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE) da UFRN, Cíntia Guedes Bezerra

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