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    Cirurgia plástica


    Cresce número de mulheres que optam pelo explante mamário

    Cada vez mais comuns entre as brasileiras, o explante de próteses tem sido aderido com mais frequência

     

    Explante de silicone tem ganhado muitas adeptas em todo o Brasil
    Explante de silicone tem ganhado muitas adeptas em todo o Brasil | Foto: Reprodução

    Manaus (AM) - Em janeiro deste ano, a atriz Isis Valverde respondeu o comentário de um internauta que criticou a não fartura nos seios da global em uma foto no Instagram. O perfil de uma mulher preservada para não expor a pessoa dizia: “coloque silicone nos seios querida. Estão muito ‘mimizinhos’”. Imediatamente a atriz em tom de ironia respondeu: “sou feliz assim. Por que você não coloca? Assim mata a vontade”. Seguindo a ideia de Isis estão outras brasileiras também que aceitam o seu próprio corpo que vão na contramão daquelas que desejam modificar o seu corpo, seja por necessidades médicas ou estéticas.

    Segundo o último levantamento divulgado em dezembro de 2019 pela Sociedade internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), em 2018, o número de cirurgias de aumento de mama no mundo foi de mais de 1 milhão. Só no Brasil, foram mais de 275 mil cirurgias de aumento de mama.

     

    Atriz Isis Valverde foi sarcástica sobre crítica de uma seguidora
    Atriz Isis Valverde foi sarcástica sobre crítica de uma seguidora | Foto: Reprodução/Instagram

    No Instagram a hashtag #explantedesilicone já conta com mais de 2 mil publicações e perfis na rede social que mostram o depoimento de mulheres que aderiram a este movimento

    Em um destes perfis se mostra a história da empresária e digital influencer, Amanda Djehdian, de 34 anos, que em dezembro de 2020 retirou as próteses mamárias. “LIVRE, livre de dores, livre de choro, livre dessa bomba relógio! Há 14 anos por vaidade, pressão, insegurança coloquei algo que me disseram que era super seguro e não me faria mal. Sempre fui muito vaidosa e comecei a ter uma visão distorcida de quem eu era e para me sentir mais bonita coloquei o silicone”, escreveu ela para o perfil @explantedesilicone.

    A criadora da página no Instagram Larissa de Almeida, 36 anos, em entrevista para o EM TEMPO falou  sobre a militância nesta causa. "Temos também um grupo no Facebook de apoio ao explante exclusivamente para mulheres. Nosso objetivo é conscientizar, alertar, educar, tanto que estamos montando uma associação para este fim. A associação se chama ACEITA (Associação de Conscientização sobre Explante, Implante, Toxicidade e Adjuvantes)", contou a professora.

     

    Dois anos após explante, a idealizadora do projeto ACEITA hoje se sente feliz com seu corpo
    Dois anos após explante, a idealizadora do projeto ACEITA hoje se sente feliz com seu corpo | Foto: Divulgação

    Larissa, que colocou implante nos seios aos 34 anos, completou no início de fevereiro dois anos sem a próteses. "A criação da associação está nos trâmites finais, até a segunda semana de fevereiro, a associação será registrada e irá atuar firmemente". A professora também falou sobre como a internet ajuda a repassar essas mensagens para mulheres de todos os lugares do mundo.  "A internet possibilita que a gente possa estar em todos os lugares do mundo, em cada lugar. Além disso, as mulheres trocam informações e experiências".

    Aceitando o corpo como ele é

    A página criada pela Larissa na internet incentiva várias mulheres a aceitarem seus corpos como eles são, sejam por necessidades médicas ou não. Uma dessas mulheres que precisou de intervenção cirúrgica por conta do implante também deu seu depoimento na página @explantede silicone. Linda Rayane, empresária de 26 anos, natural de Fortaleza/CE, conta sobre a pressão social que sentiu para colocar silicone.

    "Resolvi implantar porque achava meus seis muito pequenos e separados, tinha realmente o sonho de ter peitão. Na escola eu era a única de seios pequenos e me sentia mal por ver aquele padrão sempre desejado por homens e mídia, época que as Paniquetes estavam em alta na TV", revela.

     

    A empresária Linda Raryane se sentia incomodada com o tamanho dos seios na adolescência. Após complicações pós implantes ela resolveu explantar
    A empresária Linda Raryane se sentia incomodada com o tamanho dos seios na adolescência. Após complicações pós implantes ela resolveu explantar | Foto: Divulgação

    Para o psicólogo Pedro Duarte o pensamento da Linda, assim como de outras mulheres, se dá por conta de crenças sociais. “A aceitação do próprio corpo ou não depende muito de como a pessoa vai enxergar este corpo. Todos nós temos crenças. Crenças enraizadas, crenças que já vêm com a gente. Então, às vezes, a gente se acha menor, se acha gordinho, ou se acha magro. Nós temos uma visão sobre nós mesmos. Se ela enxerga por meio da visão dela é menos pior, mas se ela enxerga por meio do outro, possivelmente esta visão dela somada a visão do outro se vir distorcida vai piorar a situação. Se é a visão dela é um peso. Se for a visão dela mais o do outro é um peso maior ainda".

    Em outro perfil, intitulado @apoio_ao_explante, sobre a síndrome autoimune/inflamatória induzida por adjuvantes (popularmente conhecido como ASIA) e outras doenças na região das mamas. Adriana Santana neste perfil escreveu: “Há 11 anos e após dois de amamentação, fiz uma correção nas mamas e colocação de prótese de silicone. Por alguns anos foi essencial para minha autoestima. Porém, de uns anos para cá, comecei a sentir várias reações desagradáveis como: fadiga extrema, insônia, zumbido no ouvido, ansiedade, dor aguda nos seios, dor nas juntas, dores de cabeça fortíssimas, ganho de peso, etc. Fora o incômodo para dormir e treinar. Já não estava feliz. Então optei pelo explante”, afirmou ela.

    Patologias identificadas pela medicina

    Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – regional Amazonas (SBCP – AM), Dr Euler Ribeiro Filho, o explante teve procura maior por conta de algumas patologias de cunho autoimune desenvolvida em raríssimos casos de dores articulares, repercussões inflamatórias da pele, dores na região do implante mamário, dentre outros. Depois foi visto que há uma patologia de uma reação a capa da prótese, mas isso ainda está em estudo

    O médico cirurgião Drº William Itikawa, que atua em Curitiba/PA e que já realizou várias cirurgias de explante mamários explica a  ASIA, síndrome causada por algum fator adjuvante no corpo humano, é um dos motivos para o explante.

    "Um dos fatores da ASIA é o silicone, mas existem outros como ácido hialurônico, metais pesados como o alumínio, escaleno e algumas substâncias contidas em vacinas. Algumas pessoas com predisposição a doenças autoimunes podem desenvolver sintomas desencadeados por algum desses fatores. É uma síndrome que foi descrita em 2011 e para o diagnóstico correto dessa doença é fundamental uma consulta e investigação com o reumatologista", explica.

    Para Itikawa, há também outras doenças como a doença do silicone, que pode causar problemas a mulheres com implante. "A doença do silicone é diferente da ASIA. Esta é uma doença auto reportada na qual as pacientes referem alguns sintomas que melhoram após o explante. Isso provavelmente devido à exposição do corpo aos componentes da prótese do silicone".

    Cirurgias devem ser feitas com os profissionais adequados

     

    Cirurgias devem ser feitas com os profissionais adequados
    Cirurgias devem ser feitas com os profissionais adequados | Foto: Divulgação

    O cirurgião amazonense Jorge Neto, diz que além de um profissional adequado é preciso ter cautela quando se modifica o próprio corpo "Os limites que sempre devem ser seguidos e nunca ultrapassados são os da segurança a nível médico e hospitalar, como sempre operar com médico e hospitalar,  especialista em cirurgia plástica e membro da sociedade de plástica. É preciso também sempre realizar procedimentos dentro de hospitais, nunca exceder o tempo de cirurgia ou o número de cirurgias por querer realizar muitos procedimentos. Nunca devem ser realizados de uma só vez quando há o desejo por muitas mudanças", orienta.

    O médico amazonense Drº Euler Ribeiro Filho, enfatiza que há no Brasil uma banalização da cirurgia plástica, feita algumas vezes por profissionais que não são médicos cirurgiões. "Para qualquer procedimento cirúrgico é preciso que o paciente verifique se o profissional tem diploma devidamente emitido pelo Ministério da educação e cultura. Que seu nome esteja registrado na Sociedade brasileira de cirurgia plástica. Tenha feito residência em cirurgia e que este profissional tenha seu registro no Conselho Federal de Medicina (CFM) e no Conselho Regional de Medicina (CRM) da sua região".

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