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    Agitação


    Síndrome das pernas inquietas atinge 150 mil brasileiros por ano

    Você provavelmente conhece alguém que não para de mexer as pernas o tempo todo. Sabia que isso pode ser uma doença? Entenda na matéria do EM TEMPO

    Doença também é conhecida como doença de Willis-Ekbom | Foto: Divulgação/Sono Quality

    Manaus - Talvez você conheça quem não consiga ficar sem mexer as pernas quando está sentado à mesa, ou que, ao dormir, precise balançar os membros inferiores, caso contrário, sente um formigamento seguido de espasmo. Pode parecer estranho, mas esses exemplos são rotineiros na vida de quem sofre da Síndrome das Pernas Inquietas (SPI).

    Os casos não são raros. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, a SPI atinge cerca de 17% das mulheres e 13% dos homens em todo o mundo. Só no Brasil, são diagnosticados mais de 150 mil casos por ano.

    "A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) ou doença de Willis-Ekbom (DWE) é um distúrbio sensório-motor (distúrbio da sensação e do movimento) onde o paciente sente a necessidade urgente de mexer as pernas. Em casos raros, os braços podem ser afetados também", explica Aline dos Santos, psicóloga e especialista em terapia cognitivo-comportamental.

    Segundo a profissional, a doença pode atingir pessoas de todas as idades, embora prefira alguns grupos específicos.

    "A SPI pode surgir em qualquer idade, porém é mais comum que apareça em adultos normalmente depois dos 20 anos e antes da terceira idade. A incidência aumenta com o envelhecimento e tende a afetar mais mulheres do que homens. Em crianças aparece raramente", comenta ela.

    Diagnóstico

    Para diagnosticar a SPI o médico irá averiguar se o paciente sente necessidade incontrolável de mexer as pernas ou os braços; se tal movimentação começa normalmente quando a pessoa está em repouso (sentada ou deitada), e se há alívio total ou parcial após a movimentação e por fim, se tais sintomas pioram à noite. 

    "É importante buscar ajuda médica para confirmar o diagnóstico de SPI, pois existem outros transtornos, que também apresentam agitação motora como a ansiedade, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), estereotipias (presente no autismo), dentre outras", orienta Aline dos Santos.

    Fatores para a doença

    Segundo a psicóloga, há poucos estudos sobre a SPI. De modo geral, a doença aparece como uma desordem primária, sem causa aparente, estando associada à predisposição genética, em que geralmente o paciente tem algum familiar com a síndrome. 

    "No entanto, outra possível origem da SPI está relacionada a redução dos níveis de dopamina no cérebro, um neurotransmissor que está relacionado a diversas atividades neurais e fisiológicas, como o controle motor, de humor, atenção e cognição", comenta a profissional.

    A redução de dopamina no cérebro pode estar associada a deficiência de ferro ou outras condições médicas. Desse modo, os fatores que podem levar uma pessoa a desenvolver a Síndrome das Pernas Inquietas são:

    •Gravidez - Mulheres grávidas podem apresentar baixa na quantidade de ferro. Geralmente passa após suplementação correta ou o nascimento do bebê;

    •Hereditariedade - ter algum familiar com a Síndrome;

    •Doenças crônicas - Diabetes, doenças renais ou doença de Parkinson. No caso da doença de Parkinson é causado pela redução de dopamina no cérebro;

    •Doenças autoimunes - Para pacientes com Artrite Reumatoide a SPI pode passar despercebida;

    •Uso de cigarro, álcool ou cafeína; 

    •Obesidade;

    •Sedentarismo;

    •Anemia;

    •Uso de medicamentos para doenças psiquiátricas.

    "Em alguns casos não é possível identificar a causa da SPI.  Um exemplo é quando está relacionada ao transtorno de ansiedade. Nem sempre é possível dizer o que veio primeiro, a síndrome das pernas inquietas ou a ansiedade em si", afirma a psicóloga.

    Tratamento e cura

    Embora a doença seja crônica, há tratamentos que podem variar de acordo com a causa do fenômeno. Por exemplo, se a SPI for causada por uma falta de ferro, uma reposição do mineral no corpo pode amenizar o problema. No entanto, de acordo com Aline, há casos em que o paciente deverá usar medicações que estimulem a produção de dopamina, ou calmantes.

    "Em casos de mulheres grávidas, a suplementação e o nascimento do bebê são suficientes para trazer alívio à pessoa afetada. Além do uso de medicamentos, quem quer tratar a SPI precisa reduzir o consumo de álcool, cigarro e cafeína, assim como praticar exercícios físicos regularmente", orienta a psicóloga.

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