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    Covid-19


    Após alta hospitalar, 1/4 dos intubados por Covid morre por sequelas

    Estudo internacional aponta sequelas após tratamento por Covid-19. No Brasil 1006 pacientes participaram da pesquisa

    | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) - No período de seis meses após a alta hospitalar, um em cada quatro pacientes graves de Covid-19 que foram intubados acabam morrendo. Entre os internados que não precisaram de ventilação mecânica, a taxa de mortalidade é de 2%. O estudo é do grupo Coalizão, conduzido por oito hospitais no Brasil e instituto de pesquisa, que avaliou a qualidade de vida de 1006 pacientes e os desfechos dos sobreviventes, após hospitalizações por Covid-19.

    Ao todo no Brasil, pacientes internados nos Hospitais Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Hospital Beneficência Portuguesa foram monitorados por ligações a cada três, seis, nove e 12 meses após a alta hospitalar. Os institutos de pesquisa Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet) contribuíram com a coleta de dados.

    A Covid-19 que é uma doença tão recente e carece de dados, ganhou novas informações que podem auxiliar nos próximos tratamentos. Os dados constataram que 25% dos pacientes intubados por casos graves da Covid-19 morrem em até seis meses após a alta hospitalar. O levantamento também aponta taxa de mortalidade de 2% em internados que não precisaram de ventilação mecânica e diversos relatos de sequelas em pacientes, tanto nos sintomáticos quanto nos assintomáticos.

    Lean Breno foi um dos intubados que conseguiu se recuperar. "Tive sequelas fortes depois que fui desentubado. Já em casa passei dias sem conseguir andar e durante uma semana tive alucinações que me remetiam aos momentos que eu ainda estava no hospital", relata o contador de 28 anos

     

    Entre as sequelas, o estudo destaca a incidência de transtornos mentais
    Entre as sequelas, o estudo destaca a incidência de transtornos mentais | Foto: Reprodução

    Dores de cabeças crônicas

    Segundo o médico cardiologista Rizzieri Gomes, as sequelas identificadas na pesquisa apontam situações que se agravam. “Mesmo nos casos mais leves, alguns pacientes estão evoluindo seu quadro com alterações. Sequelas permanentes que evoluem em um período longo”.

    A pesquisa aponta pioras não só nos pulmões. “Há pacientes a quase um ano com perda na capacidade funcional, arritmia, alteração na pressão arterial e dores de cabeças crônicas. São diversas sequelas pós a Covid-19".

    Transtornos mentais

    Entre as sequelas, o estudo destaca a incidência de transtornos mentais. Os relatos apontam que 22% dos pacientes disseram sentir ansiedade, 19% depressão e 11% estresse pós-traumático. “Foi identificado redução no padrão de cognição, perda na capacidade de raciocínio, de memória, dores de cabeça intensa, alteração motora, dentre outras. Essas são informações que ajudam na literatura médica sobre as consequências do novo coronavírus”, relata o médico Rizzieri Gomes.

    A bibliotecária Tatiane Cruz está dentro dessa estatística. "Eu tenho insônia desde que recebi alta. A mente também falha. Não consigo lembrar de muitas coisas de imediato e até pensar cansa. Têm dois meses que saí do hospital". 

    Eficácia de medicamentos

    O estudo avaliou ainda se a hidroxicloroquina associada ou não à azitromicina, poderia trazer benefícios a pacientes adultos hospitalizados com formas leves a moderadas de Covid19. Os resultados do estudo foram publicados no periódico científico New England Journal of Medicine. O estudo contou com apoio da farmacêutica EMS, que forneceu os medicamentos e foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    A hidroxicloroquina foi usada durante sete dias na dose de 400 mg a cada 12 horas e a azitromicina 500mg a cada 24h por 7 dias. Por meio de um sorteio, 217 pacientes receberam combinação de hidroxicloroquina, azitromicina e mais suporte clínico padrão; 221 receberam hidroxicloroquina e mais suporte clínico padrão; 227 apenas suporte clínico padrão.

    O status clínico aos 15 dias foi similar nas três divisões para o estudo. Retornaram para casa sem limitação respiratórias 69% dos pacientes do grupo (hidroxicloroquina + azitromicina + suporte clínico), 64% dos pacientes do grupo (hidroxicloroquina + suporte clínico padrão) e 68% dos pacientes do grupo que tiveram somente suporte clínico.

    No que diz respeito aos efeitos adversos, a pesquisa evidenciou alterações em exames de eletrocardiograma (que representa maior risco para arritmias) mais frequente nos grupos que utilizaram hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, comparada ao grupo que recebeu apenas suporte padrão.

    Alteração de exames que podem representar lesão hepática (aumento de enzimas TGO/TGP detectado no sangue) foi mais frequente nos grupos que utilizaram hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, comparada ao grupo que recebeu apenas suporte padrão.

    O número de óbitos em 15 dias foi semelhante entre os três grupos de pesquisa, em torno de 3%.

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