Fonte: OpenWeather

    COVID-19


    Especialistas alertam que Brasil pode viver 'cenário de guerra'

    Após o recorde de mortes em 24 horas com as 1.541 da última quinta-feira (25), especialistas alertam que situação pode piorar ainda mais se nada for feito

     

    Protestos contra lockdown no Distrito Federal nesta segunda (01) relembram situação do Amazonas em dezembro do ano passado
    Protestos contra lockdown no Distrito Federal nesta segunda (01) relembram situação do Amazonas em dezembro do ano passado | Foto: Divulgação/Metrópoles

    Brasil - Após o recorde de mortes em 24 horas com as 1.541 da última quinta-feira (25), especialistas na área de infectologia alertam o país pode viver um cenário de guerra nas próximas duas semanas se nada for feito.

    Thaís Guimarães, médica infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo teme que o Brasil entre em colapso caso medidas coordenadas não sejam tomadas e contem com a adesão da população. “Vamos ter pessoas morrendo em casa ou morrendo na porta dos hospitais, porque não vamos ter onde interná-las. Vamos ter um cenário de guerra “, disse a especialista à CNN Brasil.

     

    Festas clandestinas continuam em todo o país
    Festas clandestinas continuam em todo o país | Foto: Divulgação/SSP-AM

    Para os médicos, o crescimento no índice de transmissão foi o principal responsável pelo agravamento da crise. Somado a isso, está a diminuição na faixa de idade das pessoas internadas, que já está abaixo dos 50 anos, o que preocupa, já que os mais jovens tendem a se aglomerar mais.

    “O que foi vivenciado em Manaus é o que devemos ter no resto do país nas próximas semanas”, afirma Raquel Stucchi, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

    Espalhamento das variantes

    A variante P1, também conhecida como variante brasileira, que foi identificada pela primeira vez em Manaus, se espalha mais rápido que as demais, o que aumenta o temor dos especialistas sobre o tamanho que a crise pode atingir.

    “O que podemos supor é que a P1 vai se tornar dominante e se espalhar rapidamente”, alerta Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo. Entretanto, ela alerta que os estados não devem colapsar ao mesmo tempo, o que pode dar uma margem de ação aos governos estaduais e federal.

     

    Leitos de UTI foram expandidos constantemente nos últimos meses para atendente a demanda
    Leitos de UTI foram expandidos constantemente nos últimos meses para atendente a demanda | Foto: Divulgação

    “É possível que a gente arraste essa pandemia no pior nível por mais tempo. Eu acredito que março vai ser muito ruim”, lamenta. “Se o país inteiro chegar ao nível de Manaus, com pessoas esperando tratamento de UTI, não é nem colapso, é tragédia”, diz a médica.

    Guerra: Lockdown e vacinação

    Para Ethel Maciel, são necessárias ações do poder público que envolvam a adoção de medidas restritivas mais firmes, além da aceleração da vacinação. “Deveríamos fazer lockdown, fechar tudo por 21 dias para evitar as mortes”, alerta.

     

    Em dezembro, Manaus contou com protestos contra o fechamento do comércio. Duas semanas depois houve a crise do oxigênio
    Em dezembro, Manaus contou com protestos contra o fechamento do comércio. Duas semanas depois houve a crise do oxigênio | Foto: Reproção/Twitter

    “O que poderia mudar esse cenário é uma vacinação rápida, com mais de 1 milhão de pessoas sendo vacinadas por dia”, diz ela.

    Porém, Ethel Maciel se mostra cética de que tais medidas serão tomadas por conta da pressão de outros agentes. “Não é possível neste momento por conta das pressões sofridas pelas autoridades, mas a gente precisa de um pacto social para salvar vidas”, completa.

    *Com informações via IG


    Leia mais

    Vídeo: mais de 150 pessoas são apreendidas em festa clandestina no AM

    DF: empresários repetem erro de Manaus e vão às ruas contra isolamento

    Após alta hospitalar, 1/4 dos intubados por Covid morre por sequelas