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    AVC


    Derrame cerebral: o mal silencioso que ninguém vê

    Pesquisa revela que os pacientes não percebem que estão sendo acometidos pela doença e podem tem sequelas a longo prazo

     

    O derrame silencioso se manifesta em uma parte do cérebro que não se vê
    O derrame silencioso se manifesta em uma parte do cérebro que não se vê | Foto: Reprodução

    MANAUS - O acidente vascular cerebral (AVC), segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma das principais causas de morte no Brasil. Médicos alertam sobre os perigos dessa doença, mais comumente conhecida como derrame cerebral, que tem tratamento e, se a pessoa é atendida com agilidade, dentro da “janela terapêutica”, grande parte das sequelas pode ser evitada.

    No entanto, às vezes os sintomas não aparecem imediatamente, se tornando um mal silencioso e podem causar uma sequela a longo prazo no paciente, podendo afetar até a memória. 

    A Faculdade de Medicina de Harvard (EUA) revelou em estudo que os derrames cerebrais silenciosos são mais comuns do que os com sintomas, sendo mais perigoso, pois afeta regiões menores e menos funcionais do cérebro. Porém, com o tempo, esses acidentes podem se acumular e ter um impacto de longo prazo no paciente. 

    O estudo ainda revelou que esses derrames costumam atingir mais de um terço das pessoas com 70 anos, que sofrem com o infarto cerebral silencioso sem ao menos perceber o que está acontecendo. 

    No AVC com sintomas, o paciente sente uma paralisação de parte do rosto, problemas de visão e dificuldades para falar ou andar. Nesses casos, a principal recomendação é seguir para o hospital, pois ao agir rápido, menor a possibilidade de ficar com sequelas. Por isso o enorme risco do derrame silencioso, sem identificar os sintomas, o paciente não tem como ir para uma unidade de saúde. 

    O mal silencioso

    O derrame silencioso se manifesta em uma parte do cérebro que não se vê. Ele atinge as regiões mais profundas e afeta as áreas que não controlam as funções vitais, o que acaba não revelando sintomas óbvios.

    A neurologista do Hospital King's College, em Londres, Christina Coppel, falou à BBC News que o machucado é tão pequeno que só pode ser encontrado por tomografia ou ressonância magnética." Eles aparentam como um pequeno pontinho", descreve a neurologista. "Muitas vezes, quando perguntamos a eles, os pacientes nem percebem que algo aconteceu."

    O paciente não percebe que sofreu, mas alguns casos apresenta um comprometimento cognitivo temporário sutil, e a médica afirma que não importa o tamanho da lesão, se há uma lesão, pode afetar as conexões do cérebro. 

    Caso o AVC se prolongue e não seja identificado, pode causar problemas motores, lentidão cognitiva ou até mesmo, demência vascular. 

    A memória afetada

    Em um estudo publicado na revista Neurology, pesquisadores estudaram 650 pacientes que não tinham histórico de demência, para buscar evidências da interrupção do abastecimento no cérebro dos participantes por meio de ressonância magnética.

    Pequenas porções de tecido morto foram encontradas em mais de 170 participantes devido à falta de suprimento de sangue no cérebro, no entanto,  apenas 66 relataram sintomas de derrame.

    Todos os pacientes que apresentaram danos tinham dificuldades de memória e em processos cognitivos. E esses problemas ocorreram independentemente da perda de memória associada à idade. 

    Como se prevenir 

    A neurologista Cristina Koppel afirma que a primeira e mais importante fator que eles buscam observar é a hipertensão, pois é um dos principais causadores do derrame cerebral. 

    O colesterol e o diabetes também são monitorados, com a indicação de diminuir o uso de sal, ter uma alimentação mais saudável, praticar exercícios físicos e não fumar. 

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