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    Pandemia


    Genes do sistema imune podem explicar a resistência à covid-19

    Pesquisa aponta que perfil genético influencia infecção por coronavírus

    Por que algumas pessoas não desenvolvem covid-19? | Foto: Arte sobre imagens de Gerd Altmann via Pixabay e Unsplash

    MANAUS - Um estudo de pesquisadores da USP e da Unesp explica o porquê pessoas que vivem juntas  com quem está com Covid-19 não ficam doentes. Os resultados preliminares indicam que pode existir um perfil genético que torna o sistema de defesa destas pessoas mais resistente ao coronavírus.

    Casos reais

    Dividir o quarto, a cama, respirar o mesmo ar e mesmo assim não ser contaminado com quem está ali, do lado. Estes são casos de alguns amazonenses que não foram contaminados com a Covid-19.

    Há um do ano, Pedro Sampaio foi parar na UTI. "Foi bem crítica minha situação, mas graças a Deus, hoje estou bem".

    A mulher dele, Maria Fernandes, nem chegou a ser infectada. "Fiquei direto com meu esposo que precisou de oxigênio, mas graças a Deus não peguei a Covid-19. Se peguei, eu não senti nada".

    Essa e outras situações fez com que pesquisadores estudassem sobre estes casos.

    Perfil genético

    O Centro de Pesquisa sobre genoma humano da USP recrutou voluntários e depois de um ano de estudo, 86 casais com o mesmo perfil começaram a desvendar o motivo. Características  como a altura e a cor dos olhos de uma pessoa são determinadas por vários genes, o que permite uma infinidade de combinação diferente. Os cientistas explicam que é a mesma coisa com a Covid-19, muitos genes podem influenciar a gravidade da infecção. Tem gente que desenvolve a parte grave da doença e morre, outros se curam com quadros leves, outros com sintomas nenhum e tem quem não se infecte.

    Ao focar em alguns genes que controlam as respostas imunológicas do nosso organismo contra o vírus, o estudo percebeu que havia uma diferença entre as pessoas infectadas e as resistentes. A diferença está em alguns genes que sinalizam para o sistema imunológico que alguma coisa está errada. Quando o coronavírus entra na célula, esses genes produzem substâncias que facilitam a conexão entre a 'célula infectada' com a 'célula de defesa' e ativam essas 'células de defesa'.

    O que os pesquisadores observaram é que as pessoas mais resistentes ao vírus carregam versões destes genes que deixam estas conexões celulares mais eficientes e ajudam as 'células de defesa' a destruírem 'células infectadas' e eliminam o vírus logo no inicio da infecção, antes da pessoa sentir qualquer sintoma.

    Os pesquisadores se surpreenderam com a diferença entre quem se infectou e a que não se infectou e isso acontecia no momento que o vírus entra no organismo e não depois que a infecção já se instala no corpo.

    “No caso do MICB, é possível que sua expressão diminuída nos pacientes infectados possa, da mesma forma que o MICA solúvel, contribuir para uma menor ativação de células NK e linfócitos TCD8+ e uma menor resposta imune contra o vírus ”, explica ao Jornal da USP Maria Lucia Carnevale Marin, pesquisadora do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) e do LIM19 do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Ela fez parte da equipe que interpretou os dados da pesquisa.

     

    Os resultados da pesquisa ainda são preliminares, o estudo continua e quando concluído pode ajudar a controlar o vírus.

    “Podemos pensar, futuramente, se seria possível aumentar a expressão do MICB com a ingestão de alguma droga, por exemplo, e ajudar as células de defesa a combaterem a infecção”, afirma a professora Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP e coordenadora da pesquisa.

    *Com informações do Jornal da USP

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