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    Mucormicose


    Médicos alertam sobre o uso de corticoide com chegada do ‘Fungo Negro’

    Uso de esteroides como a corticoide e níveis elevados de glicemia são os possíveis responsáveis pelo aumento de uma infecção fúngica rara entre pacientes vulneráveis com covid-19

     

    O médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical (FMT-HVD), Nelson Barbosa, alerta sobre o uso de esteroides
    O médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical (FMT-HVD), Nelson Barbosa, alerta sobre o uso de esteroides | Foto: Divulgação

    MANAUS - Os corticoides, também conhecidos como corticosteroides ou cortisona, são remédios sintéticos produzidos em laboratório com base em hormônios produzidos pelas glândulas supra-renais, que possuem uma potente ação anti-inflamatória.

    Corticoides como a Prednisona, que é de quatro a cinco vezes mais potente que o cortisol e a Triancinolona, cinco vezes mais potente que o cortisol, vem sendo receitado por muitos médicos para o tratamento da covid-19. Apesar da indicação, os corticoides têm sido alvo de preocupação diante de uma nova doença: o ‘Fungo Negro’

    O médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical (FMT-HVD), Nelson Barbosa, alerta sobre o uso de esteroides durante a pandemia. Segundo o especialista, o contato de um paciente com covid-19, sendo tratado com corticoides, pode gerar problemas de saúde.

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    Quando você usa corticoides, que é um remédio que utilizamos nos pacientes com covid-19, se esse paciente tiver contato com o fungo, ele vai adoecer muito mais rápido. Isso porque o corticoide tem o mecanismo de inibir a reação inflamatória. Então ele diminui a imunidade da pessoa também "

    Nelson Barbosa, Médico infectologista

     


    O diretor-presidente da FMT-HVD, o médico infectologista Marcus Guerra, explica que a doença do Fungo Negro atinge diretamente o sistema imunológico do paciente e por conta disso a utilização de esteroides no combate a covid-19 pode ser prejudicial ao paciente que também for contaminado pelo fungo negro.

    “A mucormicose é uma infecção fúngica que afeta os seres humanos, principalmente aqueles pacientes portadores de comorbidades. Também pessoas que desenvolvem diabetes e pacientes que tem transplantes e que precisem tomar drogas que evitem a rejeição dos seus órgãos”, explica.

    Segundo Guerra, diante da pandemia, o tratamento de pessoas com a mucormicose pode ser tratada com antifúngicos.

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    Existe um tratamento com antifúngicos disponível para tratamento como a anfutericina e o pozaconazol, mas a resposta é muita pequena para esses antifúngicos "

    Marcus Guerra, diretor-presidente da FMT-HVD

     



    Para Barbosa, o melhor tratamento para a doença deve ser a prevenção. “Evitar ter contato com qualquer tipo de morfo. Se for entrar em algum ambiente desse, utilizar máscara, usar luva, proteção nos olhos porque o fungo pode entrar por vias aéreas e pelas mucosas.

    O fungo negro é  uma infecção fúngica rara e grave que vem acometendo pacientes com covid-19 e diabéticos com a mucormicose. A doença já acometeu quase 9 mil pessoas na Índia, país localizado no sudeste asiático e vem causando preocupação no Brasil.

    Segundo médicos ouvidos pelo EM TEMPO, a doença atinge órgãos como o pulmão, cérebro e os olhos, e acomete principalmente diabéticos e pacientes gravemente deprimidos. Em muitos casos, é preciso retirar cirurgicamente as partes do corpo afetadas pelo micro-organismo, como os olhos, por exemplo.

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