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    Pandemia


    Manaus deverá aplicar dose extra neste mês contra 'ameaça Delta'

    Temendo as consequências da variante, autoridades sanitárias se preparam para revacinar idosos

     

    Mais de dez países já estão aplicando a dose de reforço pelo mundo
    Mais de dez países já estão aplicando a dose de reforço pelo mundo | Foto: Reprodução

    MANAUS (AM) - Temendo as consequências provocadas por novas mutações do novo coronavírus, o uso de uma terceira dose de vacina contra a Covid-19 já virou realidade em várias partes do mundo, e, mais recentemente, entrou no radar do Brasil. Em Manaus, as autoridades sanitárias estimam que a dose de reforço começará a ser aplicada na segunda quinzena de setembro.

    A variante Delta,  mais letal e contagiosa em comparação à versão original do vírus causador da Covid-19, é a principal preocupação global diante da pandemia. Em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, a nova cepa já é dominante entre os pacientes internados.

    Na última semana, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) confirmou seis casos da Covid-19 causados pela Delta no estado. Durante o anúncio da terceira dose em Manaus, a secretária municipal de saúde, Shadia Fraxe, ressaltou que a aplicação extra estará condicionada ao compromisso da população em completar o ciclo de imunização. 

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    A terceira dose da vacina ou dose de reforço já é uma realidade. Esse assunto foi levado sim ao Ministério da Saúde e nós teremos novidades para anunciar. Precisamos que o público tome a segunda dose, ou seja, complete seu esquema vacinal. Sem isso contemplado, não temos como avançar "

    , disse a secretária.

     

    Na última quarta (25), a informação foi confirmada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. O titular da pasta afirmou que os idosos acima de 70 anos, que tomaram a segunda dose há cerca de seis meses, começarão a receber a proteção adicional em setembro.

     

    A variante Delta é a atual ameaça global
    A variante Delta é a atual ameaça global | Foto: Reprodução

    Segundo o ministro, as doses extras serão aplicadas com o imunizante da Pfizer, e o objetivo é fortalecer a imunidade dessas faixas etárias diante do crescimento da circulação da variante Delta.

    “Nos países onde a variante tem transmissão comunitária tem havido maiores problemas nos idosos e naqueles que não foram ainda vacinados. Vacinando os idosos com este reforço teremos proteção adicional”, disse Queiroga.

    A dose de reforço é realmente necessária? 

    De acordo com o infectologista Júlio Rosa, a aplicação da dose de reforço,  especialmente nos mais velhos, é urgente no Amazonas e em todo o resto do país.

    "Uma terceira dose para os idosos é imprescindível, porque com a chegada do Delta, já estamos observando um aumento nas internações em alguns estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, principalmente nessa faixa etária”, afirmou Júlio. 

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    Aqueles estados que conseguiram obter um progresso na vacinação de adultos com mais de 18 anos, deveriam iniciar um programa de vacinação de reforço o quanto antes, especialmente voltado ao grupo que já foi imunizado há mais de seis meses "

    , explicou o infectologista.

     

    O especialista também destacou que a campanha de imunização do Brasil precisa focar nos milhões de pessoas que podem, mas não receberam a segunda dose da vacina.

    “É importante entender por que sete milhões de pessoas não completaram o esquema vacinal, principalmente entre os mais velhos. É muito importante que se procure essas pessoas”, afirmou.

    Estudo recomenda terceira dose

    Uma pesquisa conjunta do InCor (Instituto do Coração) e da Universidade de São Paulo (USP) revelou que a capacidade do organismo em gerar resposta imune, em pessoas com mais de 55 anos que receberam as duas doses da vacina Coronavac é menor em relação aos recuperados da Covid-19.

    O estudo, que ainda não foi avaliado por outros pesquisadores, indica ainda que 95% dos participantes do levantamento vacinados com o imunizante produziram algum tipo de resposta imune contra o novo coronavírus, frente a 99% dos convalescentes - aqueles que tiveram a doença e se recuperaram. 

     

    Coronavac
    Coronavac | Foto: Reprodução

      Além disso, também levando em consideração as pessoas com mais de 55 anos, as respostas imunológicas dos vacinados com Coronavac foram menores que as dos convalescentes, mas também menores que as das pessoas mais jovens que receberam o mesmo imunizante.  

    Os autores concluem que uma dose de reforço heteróloga, isto é, de outro fabricante, pode beneficiar aquelas pessoas com 55 anos ou mais que receberam as duas doses da Coronavac, aumentando a resposta imune.

    Por outro lado, na última semana, a Sinovac divulgou dois estudos que mostram queda da taxa de anticorpos após seis meses tanto em pessoas abaixo de 60 anos como em indivíduos mais velhos. Os mesmos estudos avaliaram a segurança e imunogenicidade uma terceira dose da Coronavac, o que aumenta em até sete vezes a quantidade de anticorpos no sangue.

    Terceira dose já é realidade pelo mundo

    Em julho, Israel foi o primeiro país a iniciar a aplicação de uma terceira dose do imunizante da Pfizer/BioNtech em adultos com sistema imunológico enfraquecido. Posteriormente,  a proteção extra foi ampliada para os idosos.

     

    Homem realiza teste de Covid-19
    Homem realiza teste de Covid-19 | Foto: Reprodução

    Outros países sul-americanos como o Chile e o Uruguai também já estão oferecendo uma dose extra contra a Covid-19, além de nações como os Estados Unidos, Rússia e Turquia.

    Vacinômetro em Manaus

    Enquanto a dose de reforço está programada para setembro, a capital do Amazonas realiza um mutirão de vacinação para aplicar a segunda dose do imunizante na população com 40 anos ou mais. Até a última quinta (26), 80% dos manauaras com 12 anos ou mais já haviam tomado, ao menos, uma dose da vacina, enquanto 27% já estavam com o ciclo de proteção completo, segundo a prefeitura. 

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