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    Doença


    Sequelas da chikungunya podem se estender por meses

    A febre da chikungunya é transmitida por meio da picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue e a zyca

     

    No Brasil, os primeiros casos da doença foram notificados em agosto e setembro de 2014
    No Brasil, os primeiros casos da doença foram notificados em agosto e setembro de 2014 | Foto: Reprodução

    MANAUS (AM) - Febre, dores intensas nas juntas, dor de cabeça, náuseas e vômito. Esses são alguns dos sintomas da doença causada pelo vírus chikungunya, durante a sua fase aguda, que dura até 15 dias. No entanto, para algumas pessoas, a síndrome pode desencadear sequelas que se estendem por meses, especialmente em pacientes que não são tratados corretamente.

      O vetor da febre chikungunya é o mosquito Aedes aegypti,o mesmo que transmite a dengue e o zyca. No Brasil, os primeiros casos autóctones da febre de chikungunya foram notificados em agosto e setembro de 2014 em municípios dos estados do Amapá e Bahia, mas com o passar do tempo, a doença se multiplicou e se alastrou por todos os estados do país. Só neste ano, foram confirmados, até Julho, mais de 60 mil casos da doença em todo o país.  

    De acordo com o reumatologista Alexandre Ibrahim, a infecção por chikungunya causa sintomas típicos de uma virose, mas a sua principal característica são os incômodos pelo corpo com muita dor nas juntas e inchaço, especialmente nas mãos, punhos, ombros, joelhos e tornozelos, em geral de forma simétrica. “O importante  é destacar que na grande maioria dos casos, esse quadro não passa de duas semanas, até o paciente atingir a cura espontânea”, completa.

    “Em caso de complicações, no entanto, há a permanência das dores e inchaço nas articulações por meses ou até anos, impedindo ou dificultando a retomada das atividades do dia a dia”, continua o médico.

    Recentemente, pesquisadores da Fiocruz realizaram um estudo com 230 pessoas, entre 2016 e 2018, para identificar os principais fatores de risco na fase aguda da chikungunya, cujo objetivo é tratar, já no início, pacientes com probabilidade de desenvolver dores nas articulações a longo prazo. A estimativa Fiocruz aponta que de que 50 a 70% dos infectados que não foram tratados de forma adequada podem desenvolver dores crônicas nas articulações após a fase aguda.

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    Para evitar as sequelas, o paciente precisa ter atenção redobrada, principalmente na fase aguda da chikungunya, que é a inicial. Os sintomas aparecem do segundo ao décimo segundo dia da picada do mosquito Aedes aegypti e é necessário fazer o diagnóstico correto, seguindo as recomendações médicas. Isso significa manter repouso absoluto, ingerir bastante líquido e evitar a automedicação, o que pode levar a um quadro mais grave com hemorragias e comprometimentos renais "

    , alerta o especialista.

     

    Falta de diagnóstico 

    A aposentada Maria Ruth, de 70 anos, moradora do bairro Cidade Nova, na Zona Norte de Manaus, foi diagnosticada com a chikungunya em fevereiro de 2020, após resistir por alguns dias em buscar atendimento médico. 

    "Não gosto de ir a hospitais, sempre tento tratar as minhas doenças em casa. No início, achei que pudesse ser virose, depois, por conta das manchas, cogitei que fosse dengue e decidi buscar atendimento médico, quando descobri, que na verdade, estava com a  chikungunya", conta.

    Ela conta que após sentir os sintomas intensos por pouco mais de uma semana, continuou a sentir dores nas juntas. "Quando a febre foi embora, pensei que as fortes dores nas minhas pernas, tinham sido causadas por uma outra doença. Fiquei assim por um mês e quando finalmente voltei para o hospital, após conseguir uma consulta, descobrimos que ainda era por causa da  chikungunya. Foi então que fiz o tratamento e consegui me reabilitar integralmente".

    Combate

    Mesmo em meio à grave crise sanitária causada pela Covid-19, as autoridades sanitárias de Manaus continuam realizando ações de controle do mosquito Aedes aegypti, vetor da chikungunya, além da dengue e da zika. Uma das estratégias é intensificar a aplicação de inseticida de Ultra Baixo Volume (UBV) Pesada, capaz de abranger cem quarteirões por dia, atingindo aproximadamente 2,5 mil imóveis.

    Conforme o chefe do Núcleo de Entomologia e Controle Vetorial da Semsa, Edvaldo Raimundo Nazaré da Rocha, a UBV Pesada é uma técnica em que o equipamento de pulverização do inseticida é acoplado em um veículo, o que permite atingir um maior número de quarteirões e imóveis em cada território.

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