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    Balanço


    "Conseguimos avançar muito na arrumação da casa", diz Janaína Chagas em dois meses na Sejel

    Ela atribui escolha de seu nome para condução da pasta a duas vertentes: a técnica e a confiança do governador em sua pessoa

    A secretaria tem conversado com a CBF para liberação de jogos das Séries A e B, na Arena da Amazônia. | Foto: Janailton Falcão

    Em meio a especulações e após dois meses à frente da Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), Janaína Chagas falou com exclusividade ao EM TEMPO sobre os primeiros 60 dias de sua gestão, trajetória e envolvimento com o desporto, planos e projetos para 2018, além da utilização da Arena da Amazônia Vivaldo Lima.

    EM TEMPO - Secretária, qual seu envolvimento e sua trajetória no esporte?

    Janaína Chagas - Venho de uma família de atletas. Desde que nasci, tinha um envolvimento com esporte e, logo com quatro, cinco anos, comecei a praticar judô, natação, basquete e todos os esportes que se possa imaginar. Tenho no meu sangue o espírito de atleta. Joguei futebol em uma época que morei na cidade de Barcelona, no time B do Barça. Também joguei uma época nos Estados Unidos. Lá, fui a melhor jogadora do campeonato universitário, na qual fui fazer um intercâmbio, sendo eleita a atleta mais valiosa das escolas dos Estados Unidos, na posição de meia-atacante. Viajei pelo Amazonas competindo no futebol de salão... Enfim, a minha trajetória no esporte são de várias modalidades e não apenas de uma.

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    EM TEMPO - A senhora é formada em direito, com pós em propaganda e marketing. Acredita que sua escolha para comandar a Sejel foi técnica, política, meritocrática ou baseada na confiança devido à sua proximidade com o governador?

    Janaína Chagas - Acredito piamente que a minha escolha foi por duas vertentes: a técnica e a confiança dele pela minha pessoa, além do histórico que tive em relação também ao movimento estudantil. Aqui não se pode esquecer que é uma Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer. Participei do movimento estudantil, inclusive trabalhei em prol de atletas dentro do movimento, participei de congressos da União Nacional dos Estudantes (UNE). Acredito que envolve uma parte técnica e a confiança que conquistei ao longo desses anos com governador.

    EM TEMPO - Qual o balanço que a senhora faz dos primeiros dois meses de sua gestão?

    Janaína Chagas - Faço um balanço extremamente positivo. Nós conseguimos avançar muito na arrumação da casa, pois esse é o objetivo do nosso governador, porque estava, de fato, muito bagunçada. Nós tivemos entre 60 a 70 dias de atividades incessantes, trabalhamos muito, inclusive na análise de todos os contratos e processos que estavam aqui para conseguir reformular alguma coisa. Como nós não tínhamos nenhum projeto, trabalhamos também incansavelmente na elaboração de alguns, para que o ano de 2018 seja prospero em relação a juventude, bem como o esporte e lazer do Amazonas. 

    EM TEMPO - No balanço de 40 dias, a senhora relatou uma dívida de R$ 17 milhões deixada pela gestão anterior. Hoje, já deu para equilibrar as contas ou a Sejel ainda tem muitos débitos que comprometem as ações da pasta?

    Janaína Chagas - Não posso dizer que essas dívidas foram sanadas, seria impossível. Dentro da Sejel nós trabalhamos com objetivo de minimizar essas dívidas e renegociá-las. Isso tudo foi feito, pois temos conseguido, basicamente com dois meses de gestão, onde gastamos muito menos e fizemos muito mais. Com isso, conseguimos segurar um pouco desse orçamento do restante que tínhamos para sanar essas dívidas. Não foram possíveis pagar todas, mas já conseguimos avançar também nas negociações, elaborar o pagamento de grande parte delas.

    EM TEMPO - O que foi feito pela sua gestão nesses 60 dias em relação a projetos, programas e eventos esportivos, tanto na capital quanto no interior?

    Janaína Chagas - Nesses 60 dias em relação aos projetos e programas esportivos nós temos diversos. Aqui em Manaus já realizamos o “Brincando na Vila”, com basicamente uma semana de gestão. Fizemos a “Corrida Kids” na Vila Olímpica. Entramos em parceria com a “Corridinha e Festa da Criança”, no Viver Melhor. Revitalizamos a Vila Olímpica. Participamos com a “Copa Triatlon de Sprint”. Distribuímos alguns materiais nos interiores. Em Maués, por exemplo, na Festa do Guaraná, participamos na entrega das premiações com bolas. Fizemos também o torneio do “Dia do Servidor”, que contou com 180 atletas. Conquistamos o 6º lugar nos Jogos Escolares da Juventude com 19 medalhas, entre outros eventos. Nesses 60 dias de gestão foram 91 ações.

    Janaína comentou os primeiros 60 dias de sua gestão, trajetória e envolvimento com o desporto, planos e projetos para 2018, além da utilização da Arena da Amazônia Vivaldo Lima.
    Janaína comentou os primeiros 60 dias de sua gestão, trajetória e envolvimento com o desporto, planos e projetos para 2018, além da utilização da Arena da Amazônia Vivaldo Lima. | Foto: Janailton Falcão

    EM TEMPO - Na última gestão, existia o Fundo Estadual do Esporte (FEEL), que servia para ajudar a "financiar" a utilização dos estádios (Arena da Amazônia Vivaldo Lima, Colina e Carlos Zamith) por parte de equipes locais, desonerando assim os clubes profissionais. Qual a política adotada pela senhora quanto a utilização desses espaços? E o Feel, ainda permanece?

    Janaína Chagas - O Fundo permanece, inclusive vamos trabalhar muito para que esse fundo tenha mais recursos. Temos trabalhado com uma Arena, por exemplo, mais multiuso. Todos os alugueis, a transformação da Arena para multiuso, tem ajudado a fomentar esse Fundo, para população de um modo geral tenha possibilidade de jogar em um centro de treinamento, num campo de alto nível, como são Colina e Zamith. O Fundo permanece e vamos incentivar da melhor forma possível. Os clubes profissionais, inclusive o esporte amador. Não vou esquecer da população de uma maneira geral, da comunidade e dos bairros, que eles realmente se engajem e participem de forma mais intensa e regular de atividades físicas, esportiva e de lazer.

    EM TEMPO - A última gestão encabeçou o movimento #LiberaCBF, idealizado por várias secretarias do país para voltar a receber partidas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, o que foi proibido pela CBF no começo do ano. Há negociação com a Confederação para a derrubada desse veto? Existe conversas com os clubes do Sul e Sudeste para a realização de jogos em Manaus, visto que isso sempre foi a principal fonte de renda da Arena da Amazônia Vivaldo Lima?

    Janaína Chagas - Encabeçarei também e assino embaixo. Acredito que a CBF tem que liberar urgente esse mando de campo. Temos conversado nesse sentido, e acredito que vamos ter uma resposta positiva ano que vem. O que tenho de informação é que será uma resposta positiva e será liberado. Trabalharemos muito para que tenhamos grandes jogos, para que possamos levar toda essa molecada que gosta de futebol, que é nossa paixão nacional, para dentro da Arena da Amazônia para assistir grandes clubes do futebol nacional.

    EM TEMPO - E a Vila Olímpica, secretária, como está a questão do alojamento? No fim de semana passado circulou uma notícia de que ele seria desativado. Isso, de fato, é verdade?

    Janaína Chagas - Nós recebemos o hotel de maneira absolutamente largado. A Vila Olímpica estava largada, o hotel estava inabitável. Temos espaços para cerca de 120 atletas em quartos amplos e conjuntos, mas realmente o hotel está inabitável. Tem os atletas lá e não tem como desativar. Essa notícia de que vamos desativar o hotel não é verdadeira. Vamos passar por uma reorganização para saber quem ocupa o hotel. Quando o recebemos, não havia controle algum de quem entrava e quem saia. Não tinha absoluto controle e nós precisamos agir de forma responsável com relação a isso. Nós estamos lidando com crianças e com jovens atletas do Estado que estão sob nossa responsabilidade. Precisamos entender quem está entrando, saber quem vai morar de fato. Nosso objetivo é fazer com que o hotel da Vila Olímpica seja para atletas do Amazonas, mas em algum momento que venha atletas de outros lugares e tenhamos condições de alojá-los aqui. 

    EM TEMPO - Muitos blogs têm divulgado o desejo do governador de fazer mudanças em seu secretariado. Como a senhora recebe esse tipo de notícia? Em algum momento já se sentiu ameaçada?

    Janaína Chagas - Em momento algum me senti ameaçada e nem levo em consideração. As pessoas, às vezes, me falam sobre isso, mas eu absolutamente nem leio esses blogs.

    EM TEMPO - Projetando 2018, quais são seus principais objetivos para o ano que vem? Quais são os projetos e programas que a senhora planeja implementar na capital e no interior? O que esperar da sua gestão para o ano que vem? Quanto a Sejel terá em caixa para investir no esporte amazonense?

    Janaína Chagas - Nós já conseguimos o aumento de nosso orçamento. Temos outras propostas de projetos. Queremos reativar as ruas de lazer, onde temos um projeto chamado “Rua Ativa”, para realmente levar às comunidades e bairros o lazer e o esporte. Nós queremos de fato, os bairros, as comunidades e a população de um modo geral, participando conosco, junto com o governo, das atividades não só esportiva, mas de lazer. Acredito que através do esporte nós consigamos um espírito de solidariedade, união, integração de uma forma subjetiva e levando alegria de uma forma geral para dentro dos nossos bairros. No interior, teremos o projeto “Mexa-se”, em parceria com a Seduc para alcançar a criança, o adulto e o idoso.

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