Fonte: OpenWeather

    Variedades


    Há 15 anos alimentando o povo do Centro de Manaus, ‘Restaurante da Val’ está ameaçado

    O restaurante da Val (Valcirene Nogueira de Moraes) funciona há 15 anos, sem nunca ter sido incomodado por órgãos de fiscalização da prefeitura, nem mesmo pela Vigilância Sanitária na questão da higiene.

    Não é difícil perceber que a quantidade de 'arremedos' de restaurantes no centro da cidade está aumentando cada vez mais. O da Val é apenas um deles e, por estar há muito, é o mais famoso e procurado em meio à parafernália de vendedores ambulantes em que se transformou a principal avenida de Manaus.

    Funcionam abertamente, sem as mínimas condições de higiene, despejando restos de comida no chão, copos descartáveis e até embalagens de quentinhas. E o que é pior, com o aval da Vigilância Sanitária, que existe para regulamentar as normas de higiene destes estabelecimentos, mas faz vista grossa, como se tudo estivesse na mais perfeita ordem.

    A informação que circula de boca a boca é de que o prefeito Arthur Virgílio vai ter que reconstruir o centro de Manaus para resgatar a verdadeira cara de Manaus, que ninguém vê mais por conta das barracas de camelôs que encobrem a fachada de prédios históricos.

    "Não posso sair, meu restaurante é de comida típica e seu lugar é na praça, até porque não sirvo só aos camelôs. Minha barraca também é frequentada por turistas" defende-se Val de uma possível transferência.

    O almoço no calçadão da Matriz é oferecido diariamente, à exceção de domingo, quando o Centro está vazio.

    O movimento mais intenso é a partir do meio-dia, mas a comilança começa às 10h. Para que tudo esteja pronto nesse horário, a dona do restaurante acorda às 5h e começa a cozinhar. O restaurante da Val também não tem horário para o almoço. Ele pode sair ao meio dia, mas também pode ser servido às 14h, às 15h e até as 16h.

    No final da tarde, o tacacá é o mais procurado. Mas ele só pode ser saboreado até as 20h, porque a partir daí, por questões de segurança, a cozinheira apaga o fogão, acomoda as panelas, guarda pratos e talheres e se prepara para a rotina do outro dia.

    O restaurante da Val chega a vender 200 pratos feitos por dia. A R$ 8, trabalhando de segunda-feira a sábado, fatura por semana R$ 9.600. Isto significa R$ 38.400 por mês. Tirando o investimento com a compra de mantimentos e o pagamento de seis empregados, a cozinheira pode faturar, em meses de pico, até R$ 25 mil/mês.

    "Foi daqui que tirei o dinheiro para pagar a faculdade de minha filha. Trabalho há 15 anos no mesmo lugar e gero seis empregos, quer dizer, mais seis famílias dependem de mim" explica Val, que não gostaria de sair do calçadão da Eduardo Ribeiro.

    Agora, com a informação de que Arthur vai criar galerias para abrigar os vendedores ambulantes do Centro, Val está se agarrando a tudo para não perder o antigo ponto. No último dia 20, na procissão de são Sebastião, fez uma promessa para manter o local de trabalho. "Ele nunca me faltou. Tenho fé, vamos ver, não é?".