A educação básica no Amazonas enfrenta desafios significativos. Apesar dos avanços no IDEB, o estado ainda está abaixo da média nacional. Fatores como desinteresse estudantil e sobrecarga docente agravam o problema.
Paulo Freire defendia a educação como transformação social baseada no diálogo. No entanto, escolas públicas do Amazonas, especialmente nas periferias, precisam de ações concretas para se tornarem agentes dessa mudança.
“Professores pais”

Em 2023, o IDEB do ensino médio amazonense foi 3,8, inferior à média nacional de 4,3. O Anuário Brasileiro de Educação Básica (2024) apontou que apenas 24,3% das escolas possuem biblioteca, e 49% não têm acesso à internet.
Professores enfrentam a responsabilidade de tornar as aulas atrativas e incentivar a participação dos pais. “A participação dos pais ocorre apenas em reuniões para entrega de boletins. Mesmo assim, há grande ausência no acompanhamento pedagógico”, relata o professor Osvaldo Tércio.
A falta de envolvimento impacta o futuro dos alunos. “A maioria dos pais não acompanha os estudos dos filhos. Sem cobrança e com acesso livre à tecnologia, temos alunos desinteressados e sem perspectiva”, afirma a professora Leonora Kussler.
Para o sociólogo Luiz Antônio Nascimento, a classe trabalhadora tem mais dificuldade em enxergar a educação como ferramenta de transformação. “Os pais não apoiam a escola porque não veem nela uma possibilidade de melhoria de vida, diferentemente da classe média”, analisa.
Superlotação de salas

Outro problema é a superlotação. “É inumano trabalhar com 50 alunos em salas depredadas”, desabafa o professor Átila Souza. A professora Graciete Ramos reforça: “Sem suporte, é difícil atender todos os alunos, especialmente os com deficiência”.
Além disso, a sobrecarga de trabalho gera estresse. Pesquisa do Instituto Ipec (2022) revelou que 71% dos professores brasileiros sofrem com a pressão excessiva.
Escolas modelo

Apesar dos desafios, há avanços. Em janeiro, Maria Eduarda Araújo, da Escola Estadual Maria Calderaro, ganhou prata na Olimpíada Internacional de Física e Astronomia nos EUA. Em fevereiro, 12 alunos do Amazonas conquistaram sete medalhas na Olimpíada Internacional de Matemática na Tailândia.
Para alcançar esses resultados em mais escolas, é essencial investir na autonomia escolar, orçamento adequado e valorização docente. “As escolas precisam de planejamento financeiro e professores estimulados a se capacitar, além do fortalecimento da autoridade docente”, conclui Luiz Antônio Nascimento.

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