A Maternidade Dr. Moura Tapajóz (MMT), da Prefeitura de Manaus, reforçou o apelo para que mulheres em fase de amamentação doem leite materno. No Agosto Dourado, mês dedicado à promoção, proteção e incentivo ao aleitamento materno, a unidade registra apenas seis doadoras ativas, número insuficiente para atender à demanda de recém-nascidos internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Caso o cenário não mude, o leite poderá começar a ser racionado.
Atualmente, o posto de coleta envia, em média, 5,5 litros de leite por semana para pasteurização. No mesmo período do ano passado, eram 14 doadoras, responsáveis pelo envio semanal de cerca de 10 litros. A redução preocupa a equipe da maternidade, que depende das doações para garantir alimentação aos bebês prematuros e de baixo peso.
A diretora da maternidade, a enfermeira obstetra Núbia Cruz, destaca que toda mulher saudável que esteja amamentando pode se tornar doadora, independentemente de onde tenha dado à luz.
“Queremos mobilizar toda a população para que se sensibilize com nossa situação. Apelamos às mães que produzem leite excedente para que entrem em contato conosco. Quem não puder doar pode ajudar divulgando essa informação entre familiares e amigos”, afirmou.
A doação pode ser feita sem que a mãe precise sair de casa. A maternidade oferece serviço de coleta domiciliar, realizado em dias e horários agendados. O atendimento é feito pelo WhatsApp (92) 98842-8514, de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Também é possível entregar o leite diretamente na unidade, localizada na avenida Brasil, bairro Compensa, zona Oeste de Manaus, diariamente, das 8h às 17h.
As doadoras recebem orientação da equipe de saúde e, quando necessário, são encaminhadas gratuitamente para a realização dos exames exigidos. O posto também disponibiliza um veículo exclusivo para recolher os frascos nas residências, substituindo os recipientes utilizados por novos frascos esterilizados.
Além do leite materno, a unidade também solicita a doação de frascos de vidro com tampa plástica rosqueável, como os de café solúvel de até 200 ml. Os recipientes são utilizados para armazenar o leite de forma segura e podem ser esterilizados antes do uso.
Todo o leite arrecadado passa por análise, pasteurização e rigoroso controle de qualidade antes de ser destinado aos recém-nascidos, conforme as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O alimento é essencial para bebês prematuros ou de baixo peso, contribuindo para o fortalecimento da imunidade, a recuperação clínica e a redução do risco de infecções.
Agosto Dourado
Como parte da programação do Agosto Dourado, a maternidade realiza nesta quarta-feira (5), às 9h, o 1º Encontro de Doadoras do Posto de Coleta de Leite Humano. A atividade reunirá as mães voluntárias para um café da manhã em reconhecimento ao gesto de solidariedade e para fortalecer os vínculos entre as doadoras e a equipe da unidade.
Segundo a enfermeira Lílian Aguiar, responsável pelo posto de coleta, a iniciativa busca valorizar quem ajuda a salvar vidas por meio da doação de leite materno.
“Esse encontro foi pensado com muito carinho como uma forma de acolhimento e valorização das mães que participam desse serviço e que são responsáveis por salvar tantas vidas”, destacou.
Alimento que salva vidas
Considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida, o leite materno é rico em vitaminas, proteínas, gorduras, minerais e anticorpos que fortalecem o sistema imunológico e reduzem o risco de diversas doenças. O Ministério da Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses de idade e sua continuidade, de forma complementar à alimentação, até pelo menos os dois anos.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontam que o aumento das taxas de aleitamento materno exclusivo é responsável por salvar cerca de seis milhões de vidas todos os anos, reforçando a importância da doação para garantir o atendimento de bebês que, por diferentes motivos, não podem ser amamentados pelas próprias mães.
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