Manaus (AM) – O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus voltou a ameaçar uma paralisação do transporte coletivo por causa do atraso no pagamento de salários e benefícios da categoria. Segundo o presidente da entidade, Givancir Oliveira, se a situação não for regularizada até esta quinta-feira (6), 70% dos rodoviários deixarão de trabalhar, mantendo apenas 30% da frota de ônibus em circulação na capital.
A mobilização foi anunciada nesta quarta-feira (5). Além dos salários, os trabalhadores cobram o pagamento da cesta básica, benefício de aproximadamente R$ 1,3 mil.
“Eu não sou homem de voltar atrás. A minha categoria deve cruzar os braços a partir de amanhã. Setenta por cento dos rodoviários vão cruzar os braços por falta de pagamento novamente”, declarou Givancir.
Sindicato diz que trabalhadores não podem arcar com impasse
Para o presidente da entidade, os rodoviários não podem ser prejudicados por problemas financeiros envolvendo empresas e poder público.
Segundo ele, informações apresentadas pelo Sinetram apontam uma dívida de quase R$ 90 milhões do Governo do Amazonas com as empresas do transporte coletivo. Desse montante, cerca de R$ 18 milhões teriam sido quitados recentemente.
Apesar disso, Givancir afirmou que a discussão sobre quem é o responsável pelos repasses não muda a obrigação das empresas de pagar os funcionários.
“Eles que se resolvam. Não quero saber de quem é a culpa. Eu quero que eles se entendam e garantam o pagamento da categoria. É só isso.”
O sindicalista ressaltou que o sindicato representa os trabalhadores e não participa das negociações financeiras entre empresários e governos.
“Nós trabalhamos para os empresários. Se a prefeitura ou o Estado estão devendo, esse problema é deles. Nosso papel é defender o trabalhador.”
Categoria já parou neste mês
Esta não é a primeira paralisação enfrentada pelo transporte coletivo de Manaus nas últimas semanas. Entre os dias 20 e 22 de julho, os rodoviários cruzaram os braços pelo mesmo motivo: atraso no pagamento dos salários.
Na ocasião, a cidade enfrentou uma série de transtornos. A redução da frota provocou longas filas nos pontos de ônibus, veículos superlotados e dificuldades para milhares de passageiros chegarem ao trabalho, escolas e demais compromissos.
A greve só foi encerrada após o início do pagamento dos vencimentos pelas empresas.
Paralisação depende do pagamento
O sindicato informou que a paralisação será cancelada caso os salários e benefícios sejam depositados dentro do prazo estabelecido.
“O trabalhador já fez a parte dele. Trabalhou o mês inteiro e tem que receber. É uma humilhação um pai de família chegar no dia do pagamento e não ter um centavo para colocar comida na mesa e pagar seus compromissos”, afirmou Givancir.
Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas não haviam se manifestado sobre a nova ameaça de greve.
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