O desmate tem promovido prosperidade na face monetizada da Amazônia, legal ou ilegalmente, através da obtenção de toras de madeira, da atividade agroindustrial, e da pesca. A riqueza gerada pelo gado e pelos cultivares extensivos não são amazônicos, a não ser pelo endereço, dado que só podem ocorrer com a obrigatória remoção da floresta. ‘

Seus instrumentos são tratores e correntes, caminhões, estradas vicinais, motosserras, fogo, guias do IBAMA, licenciamentos ambientais, tudo através da exploração de territórios com insuficiente e complexa participação fiscalizatória do Estado, por vezes com corrupção e até assassinatos.

Estão concentrados principalmente na borda Sul da região chamada de Arco da Prosperidade ou Arco do Fogo, conforme o conceito de cada narrativa.  

Os seus vários minérios também não têm nada da Amazônia biológica de superfície, e são explorados segundo a agenda das multinacionais que dominam o subsolo do mundo todo. Tem bauxita e tântalo também na Austrália e na China, que não têm Amazônia.

Uma outra face que não se converte em dinheiro diretamente é a de seus pesquisadores, produtores da riqueza do saber, que habita as prateleiras pouco exploradas pela governança pública, e também a dos contempladores de sua indefesa majestosidade e do silêncio de sua exuberância verde. Observar os povos da floresta e seus mistérios e lendas, mesmo que a pobreza os alcance, completam este cenário até romântico que inebria com sua plástica a comunidade que pressiona a opinião internacional.

Há ainda uma terceira face na pauta amazônica: a da introdução do CO2, a indecisão sobre sua ocupação como o caso da estrada BR-319, o controverso ponto do não retorno e suas questionáveis funções refrigeradoras da atmosfera e os benefícios para a atividade agro do Brasil Central.

A indefinição do que legar para as gerações do futuro é o mais delicado dos temas, para o qual nem a ONU sabe ainda explicar no que consiste – seria a eternidade no sentido terreno? Se for, pode a Amazônia ser eterna? 

Ainda, as narrativas sobre a origem das da realidade das mudanças climáticas extremas são contrapostas. Segundo a NOAA, agencia do Departamento de Comércio dos EUA, o recorde de temperatura mais alta no planeta é de 56,7ºC no Vale da Morte, na Califórnia, em 1913; portanto, nada de CO2 na atmosfera e nem de desmatamento de florestas para uma população mundial então de 1,7 bilhão, que hoje é de 8,3 bilhões.

A controvérsia do efeito refrigerador do clima mundial pela Amazônia se origina no fato de que, segundo a NASA, a temperatura média ponderada da Terra é de 15°C, e se a temperatura da Amazônia é em média de 30°C, impossível que ela possa contribuir para a redução de graus. Além disto, o território representa apenas 1,5% da superfície do planeta.

Que a natureza anda rebelde é fato, mas a causa parece que transcende ao que o homem poderia causar.   

Pela falta de pesquisas e consequentemente o desconhecimento do que na verdade a Amazônia teria de recursos a explorar (exceto, obviamente, a madeira e seus produtos florestais de escala familiar), manter os atuais remanescentes 84% que lhe restam segundo o INPE, é a medida mais óbvia e racional, embora a cobiça vem sendo irrefreável até então.

Por não ser um país, a Amazônia não tem um comando centralizado.

O Brasil perde a oportunidade de orientar sua estratégia por ter desvinculado o Conselho Nacional da Amazônia Legal – CNAL da Presidência da República pelo decreto 11.367 de 2023. Em seu lugar, instituiu organismos de terceiro escalão compostos de 19 ministérios; a 5ª reunião em 08/05/25 contou com a mega participação de 45 membros que trataram apenas de completar informes básicos e aprovar propostas. A produtividade de mega reuniões é sempre muito baixa.     

Não seria um ministério ou um conjunto deles que poderá ter sucesso em gerir a Amazônia, como o comprovam os últimos 50 anos.

Se estamos insistindo em modelos que não deram certo, não há porque esperar  resultados diferentes.              

Juarez Baldoino da Costa – Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Contabilista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM_.

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