Ir aos supermercados aos domingos faz parte da rotina de milhares de famílias brasileiras. O dia costuma ser um dos mais movimentados do varejo, seja para repor itens ou fazer compras com mais tranquilidade.

Essa realidade muda a partir de março de 2026 em parte do país. No Espírito Santo, supermercados, atacarejos e minimercados fecharão aos domingos a partir de 1º de março, em projeto-piloto até outubro.

A medida não surge de lei federal, mas de acordo coletivo entre sindicato dos trabalhadores e representantes do setor.

O objetivo é garantir descanso em um dia tradicionalmente reservado ao convívio familiar. Ao fim do teste, os resultados definirão se a regra será mantida, ajustada ou revogada.

O que muda para o Amazonas?

No Amazonas, por enquanto, nada muda. Não há acordo coletivo ou lei que determine o fechamento. O presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, afirma:

“O comércio tem a missão de atender a população. Há uma grande parcela que trabalha a semana inteira e só consegue se reabastecer no domingo. É por isso que o comércio abre nesse dia”.

De acordo com ele, a abertura dominical no Amazonas está amparada por convenção coletiva, que define funcionamento, remuneração e compensação de dias trabalhados.

“Alguns estados podem ter decisões diferentes, mas no Amazonas a regra é clara: o comércio abre para atender a população, com base na CLT e na convenção coletiva firmada entre empresários e trabalhadores. Essa é a realidade predominante”.

Impactos para os consumidores

Para os consumidores, a mudança poderia ser absorvida com planejamento. O engenheiro civil Ewerton Lira, que costuma fazer compras aos domingos, afirma que a alteração não traria grandes impactos à sua rotina.

“Às vezes sim, faço compras aos domingos. Mas, se fechasse, não afetaria tanto minha rotina. Eu conseguiria me adaptar, me programando para ir no sábado ou durante a semana”, afirma.

Conforme o engenheiro, a medida pode trazer benefícios principalmente para quem trabalha no comércio.

“Concordo com a medida, porque teríamos domingos menos movimentados e com mais lazer, principalmente para quem trabalha no setor”, completa.

Perspectiva econômica e social

A economista Denise Kassama avalia que o fechamento dominical também pode trazer efeitos positivos do ponto de vista econômico e social, especialmente no ajuste das escalas de trabalho.

“O fechamento dominical permite melhor remanejamento da escala 6×1 e pode gerar economia com pessoal, energia e segurança. Funcionários que não trabalham no domingo terão tempo para lazer e consumirão em outros setores, movimentando a economia. Não há risco de aumento de preços, porque não há redução da oferta total, apenas de um dia de vendas”, reforça.

Enquanto o debate avança nacionalmente, no Amazonas o cenário segue inalterado, com supermercados funcionando aos domingos e a discussão concentrada nos impactos observados na experiência capixaba.

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