Os 40 mil postos de trabalho diretos e indiretos a serem criados na ZFM a partir dos 338 projetos de incentivos fiscais aprovados pelo governo entre 2024 e 2025, equivalem a população de Borba, um dos 62 municípios do Amazonas.

Além disto, são esperados perto de 1.700 novos projetos nos próximos 10 anos, com a geração de estimados 200 mil novos empregos, equivalentes às populações de Manacapuru e Parintins.

O Amazonas está na condição econômica conhecida como Pleno Emprego, na qual os desempregados alimentam um processo residual de transição permanente de realocação para um novo trabalho, migração para o empreendedorismo ou para programas sociais. Esta situação não permite, em tese, o suprimento das vagas em aberto.

Jovens da capital entre os seus 2,3 milhões de habitantes certamente deverão ocupar parte das vagas a serem abertas, mas historicamente a complementação virá em grande medida da imigração que Manaus tanto conhece – é a cidade brasileira que mais cresceu em população nas últimas 5 décadas segundo o IBGE: 630%.

Há que se considerar a diminuição de postos de trabalho decorrentes do encerramento natural de  ciclos de projetos mais antigos hoje ainda em vigor, o que diminui a demanda populacional.   

Até 2035, e com um dos maiores tráfegos urbanos de containeres do país, a ZFM precisará de mais Manaus, passando por mais mobilidade para os previstos 500 mil novos veículos a serem emplacados, mais moradias para atenuar o já existente déficit de 119 mil habitações segundo o Censo 2022 do IBGE, mais SUS para socorrer o já insuficiente atendimento à saúde, além de mais educação, saneamento e segurança, entre outros serviços. 

Este desempenho da ZFM decorre do próprio desempenho do Brasil que parece advir dos ciclos econômicos naturais que se alternam entre períodos de pobreza e de prosperidade, segundo teoria formulada em 1862 pelo economista francês Clément Juglar, cuja duração seria entre 7 e 10 anos, e pouco dependem de políticas de governo.

O ciclo econômico atual é o de prosperidade, representado por um conjunto positivo de algumas variáveis nacionais como por exemplo: a menor taxa de desemprego em 14 anos de medição com 5,8% da mão de obra disponível, recorde de 4,1 milhões de novos CNPJ abertos em 2024, índice Bovespa com recorde de mais de 160 mil pontos, o maior movimento nos aeroportos com 73 milhões de passageiros em 25 anos, queda no valor da cesta básica em 24 estados segundo o IBGE, alto nível de endividamento da população indicando disposição de consumo mesmo com a SELIC atingindo 15% a.a., milhares de vagas de trabalho oferecidas mas não preenchidas também por falta de interesse, como foi destacado pela CNC – Confederação Nacional do Comércio em 25/09/25.  

A ZFM precisará de mais Manaus para se tornar um ganho social de fato, e num cenário adverso, já que a RT – Reforma Tributária iniciará em 2027 o processo de retirar do Amazonas 97% da arrecadação do ICMS (futuro IBS) gerado pela indústria. O destino deste dinheiro será o restante do Brasil, e em compensação o estado receberá um complemento congelado do novo fundo nacional.

No âmbito municipal não há notícias ainda sobre a estratégia para atender as novas demandas a serem provocadas pelos 240 mil novos postos de trabalho do PIM. 

Confiar na geração de recursos das novas matrizes econômicas que ainda não existem não é uma política segura para um horizonte tão curto.

Apenas festejar o Boi Bumbá na Arena da Amazônia não será suficiente.

Juarez Baldoino da Costa – Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Contabilista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM_.

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