O Amazonas registrou a criação de 21.075 novos empregos com carteira assinada no saldo acumulado de 2025, resultado de 309.904 admissões e 288.829 desligamentos ao longo dos 12 meses. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
De acordo com a subsecretária de Estudos e Estatísticas do Trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paula Montagner, os resultados mostram o destaque e o crescimento das atividades no Estado.
A subsecretária, que é mestre em Economia e especialista em gestão pública, disse, ao EM TEMPO, que a indústria de transformação deve ser a principal atividade deste ano.
Confira a entrevista.
Em Tempo – O Amazonas gerou mais de 21 mil empregos em 2025. A que podemos atribuir esse resultado?
Paula Montagner – O Amazonas registrou crescimentos importantes nos segmentos do comércio, indústria e construção civil. O comércio teve crescimento acima da média do total do estado nas atividades comerciais com crescimento de, aproximadamente, 7,7 mil empregos, um crescimento que é de 6 pontos percentuais, e a média do estado foi de 3.83. Na atividade comercial, a elevação dos números está relacionada ao comércio de veículos automotivos, que cresceu, gerando 736 empregos. Também está relacionada ao comércio varejista, com geração de 6 mil empregos, impulsionado pelo comércio de produtos de alimentos e bebidas que, consequentemente, deve ser decorrente do crescimento na renda da população. Ainda temos registros do incremento no comércio varejista de combustível para veículos, que cresceu 9,36%. Também houve maior destaque nos resultados da construção civil, com crescimento em atividades que envolvem principalmente a construção de moradias e edifícios. Essas atividades geraram cerca de 1,1 mil empregos e cresceram 11,15% nas atividades formais, com alguma influência de obras de infraestrutura e serviços especializados, que envolvem projetos e construção de moradias e de edificios. Também voltamos a ter crescimento nas atividades industriais, com aumento de 4,73% na geração de empregos. Isso está associado às atividades relacionadas a esgoto e gestãoo de resíduos. Na indústria de transformação houve acréscimo importante na confecção de artigos de vestuário e de acessórios. Além de aumento na fabricação de outros equipamentos de transporte – exceto veículos automotores. Acredito que a produção de barcos deve ter aumentado na região.
ET – Mesmo com uma presença forte de fábricas no Polo industrial de Manaus, o comércio é o líder na geração de empregos do Amazonas. Podemos dizer que este semento está em expansão atualmente no Estado?
PM – Estamos falando de 7,6 mil empregos e o estoque de vagas passou de 127 mil para 134.700. É uma tendência, mas muito ligeira. Os números da indústria não decaem. Desde a crise da Covid-19, o comércio, na região, teve uma recuperação. Voltou aos patamares anteriores à pandemia e está se mantendo em crescimento. A indústria tem uma atividade mais estabilizada. E isso vale para a construção também porque é um segmento, que principalmente, no final do ano é associado ao período de chuvas, que gera diminuição na realização dessas atividades e movimento mais diferenciado.
ET – Municípios da Região Metropolitana de Manaus também registraram um bom desempenho na geração de empregos. Quais fatores contribuíram para esse resultado?
PM – Estamos falando de 540 mil empregos do Estado, que estão nessa Região. Houve um crescimento importante. O conjunto da região gerou esses 20.276 empregos e crescimento de 3,9%. A indústria de transformação. que deve ser a principal atividade junto com o comércio. cresceu 4,34%.
ET – Quais as expectativas para a geração de empregos este ano no Amazonas?
PM – Acredito que deve ter continuidade de crescimento nas atividades de construção civil, de comércio e talvez, nas atividades de indústria, mas como existem atividades que envolvem polos eletrônicos vai depender muito do volume do que será importado. Isso porque produtos importados geram menos empregos em relação ao produzido nacionalmente. A tendência é de crescimento por atividades de serviços, incluindo serviços públicos, como educação e saúde, que também contribuem em todos os Estados e isso não é diferente para o Amazonas.
ET – Quais setores devem liderar a criação de postos de trabalho em 2026?
PM – O emprego formal vem se expandindo no Amazonas nos últimos anos. Veio ampliando. De 2021 para 2025, 11 mil postos de trabalho foram criados, impulsionado pelo comércio e serviços e nos últimos três anos pela construção civil também.
Olhando os resultados que mencionamos, o comércio deve continuar crescendo, seguido da indústria e dos serviços, com crescimento na construção.
