A 14ª edição da Banda Maria Vem Com as Outras levou folia, diversão e conscientização sobre o enfrentamento à violência de gênero ao Largo São Sebastião, no Centro de Manaus, na sexta-feira (06/02), durante a programação do Carnaval na Floresta 2026. Com o tema “Nenhuma a Menos na Folia”, o evento marcou 16 anos de mobilização no combate aos feminicídios e às diversas formas de violência contra as mulheres.

Promovida pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher no Amazonas (Cedim), em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), a programação reuniu mulheres, movimentos sociais e a população em geral em um ato de mobilização e conscientização no período carnavalesco.

Rede de proteção atua durante o Carnaval

Conforme a secretária da Sejusc, Jussara Pedrosa, a atuação integrada da rede de proteção será intensificada durante o Carnaval, com foco na defesa dos direitos das mulheres, em uma ação conjunta entre a secretaria e o Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres.

“É importante lembrar que, em 2025, os índices de feminicídio no estado do Amazonas caíram, o que demonstra que a rede de proteção do Estado funciona. A Secretaria de Justiça, o Conselho da Mulher e todos os equipamentos estarão funcionando 24 horas, em defesa dos direitos das mulheres, dos idosos e das crianças. Então é isso, vamos pra cima. Com certeza, lugar de mulher é onde ela quiser”, pontuou a secretária.

Tema reforça enfrentamento à violência de gênero

O tema desta edição, “Nenhuma a Menos na Folia”, chama a atenção para o enfrentamento aos feminicídios e às diversas formas de violência contra as mulheres, especialmente durante o período carnavalesco, quando há aumento nos registros de violência de gênero.

A presidente do Cedim, Marília Ferreira, destacou que, diante do crescimento dos casos de feminicídio em todo o Brasil, o Amazonas mantém a tradição de promover a banda com apoio da Sejusc, levando o debate para dentro do Carnaval.

“Neste ano, realizamos novamente a formação do protocolo ‘Não é Não’ junto às bandas e blocos, atividade vinculada à banda e também ao programa do Governo Federal ‘Se liga ou eu ligo 180’. Além do caráter festivo, promovemos capacitações que fortalecem a prevenção e a conscientização”, afirmou.

Segundo ela, a adesão crescente das mulheres transformou a iniciativa em uma tradição aguardada não apenas pela folia, mas também pelo alerta e pela defesa dos direitos femininos.

Foliãs destacam importância da conscientização

A foliã Maria Emília, moradora de Manacapuru, contou que veio à capital para participar do evento e destacou a importância de se sentir segura também nos momentos de lazer.

“Sou de comunidade ribeirinha, em locais mais distantes da capital, onde as mulheres ainda sofrem muita violência. Venho porque sou engajada no movimento social, mas muitas que estão lá nem sabem que isso está acontecendo aqui. Ainda existe muito machismo nas comunidades e nos municípios, e poucas mulheres nos representam. Estou filmando e mostrando tudo para elas”, disse.

Mobilização une cultura, informação e direitos

Ao longo de sua trajetória, a banda integra a programação carnavalesca como uma iniciativa voltada à mobilização das mulheres no enfrentamento à violência doméstica. A ação dialoga com uma das principais pautas do Cedim e envolve a sociedade civil organizada por meio da disseminação de informações, orientação jurídica e divulgação dos serviços da rede de proteção.

Unindo folia, marchinhas e conscientização, a Banda Maria Vem Com as Outras se consolida como um ato de ocupação responsável dos espaços públicos, com caráter educativo e foco na defesa dos direitos das mulheres.

*Com informações do Extra

Leia mais:

Entre o excesso e a alegria: como estamos chegando emocionalmente ao Carnaval