Antes de começar, uma pergunta sincera: E aí, como está a sua libido? Está em modo fogueira de São João ou vela de aniversário esquecida no canto da cozinha?
Chega o Dia dos Namorados e, como num passe de mágica, vitrines ficam vermelhas, restaurantes lotam e as redes sociais começam a exibir casais apaixonados em fotos cuidadosamente planejadas. Mas existe uma pergunta que pouca gente faz, embora ela diga muito sobre a saúde de homens e mulheres:
E aí, como está a sua libido? Não vale responder “cansada”. Afinal, se a sua libido pudesse abrir um processo trabalhista contra você por excesso de exploração, ela provavelmente já teria contratado um advogado.
Brincadeiras à parte, a libido não é apenas desejo sexual. Ela funciona como um verdadeiro termômetro biológico. Quando está adequada, costuma indicar equilíbrio hormonal, boa saúde emocional, sono de qualidade, alimentação adequada e baixos níveis de inflamação. Quando desaparece sem explicação, muitas vezes está tentando nos contar alguma coisa.
E não, a culpa não é sempre da idade. Existe um mito curioso de que homens pensam em sexo o tempo todo e mulheres simplesmente “perdem o interesse” após determinada fase da vida. A realidade é muito mais complexa.
No homem, a libido depende principalmente da testosterona, mas também sofre influência do estresse, da qualidade do sono, da saúde cardiovascular, da glicemia, do excesso de gordura abdominal e até da saúde do fígado. Afinal, de que adianta produzir hormônios se o organismo está funcionando como um computador com vinte abas abertas, três travadas e uma atualização obrigatória acontecendo ao mesmo tempo?
Já na mulher, a situação é ainda mais sofisticada. Estrógeno, progesterona, testosterona, neurotransmissores, autoestima, cansaço mental, sobrecarga emocional e qualidade do relacionamento entram na equação.
Aliás, existe uma pergunta que merece reflexão: Como esperar que uma mulher esteja romanticamente inspirada depois de um dia resolvendo problemas da empresa, da casa, dos filhos, das contas, da escola, do cachorro e, de quebra, tentando lembrar onde colocou a própria sanidade?
A libido feminina não desaparece. Muitas vezes ela apenas fica soterrada sob uma pilha de boletos emocionais.
Mas a boa notícia é que existem estratégias capazes de ajudar.
O primeiro passo continua sendo o mais negligenciado: dormir melhor. Durante o sono ocorre parte importante da produção hormonal, da recuperação cerebral e do equilíbrio dos neurotransmissores relacionados ao desejo.
O segundo passo é controlar a inflamação. Uma alimentação rica em ultraprocessados, excesso de açúcar, álcool e sedentarismo cria um ambiente metabólico pouco favorável para a produção hormonal adequada.
E é aqui que entram alguns fitoterápicos bastante estudados.
Para os homens, a Tribulus terrestris é uma das mais conhecidas, auxiliando principalmente na melhora da função sexual e da vitalidade. A Maca peruana também merece destaque por atuar na energia física, disposição e desejo sexual. Já o Long Jack vem ganhando espaço por seu potencial de suporte à testosterona e ao desempenho masculino.
Nas mulheres, a estrela da vez costuma ser o Fenogrego , especialmente por sua ação adaptógena e moduladora do bem-estar. A Ashwagandha auxilia no controle do estresse e da ansiedade, dois dos maiores ladrões de libido da atualidade. Já o Shatavari, amplamente utilizado pela medicina ayurvédica, é conhecido por seu suporte à saúde hormonal feminina.
E existe um detalhe importante: muitas dessas plantas não atuam diretamente “aumentando o desejo”. Elas melhoram as condições fisiológicas que permitem que o desejo apareça naturalmente.
É como tentar organizar uma festa. Não adianta convidar os convidados se a energia acabou, a casa está bagunçada e ninguém comprou comida.
No fim das contas, libido não é apenas sobre sexo. É sobre vitalidade, entusiasmo. É sobre ter energia para viver, criar, amar, trabalhar, sonhar e se conectar.
Por isso, neste Dia dos Namorados, talvez a pergunta mais importante não seja “o que vou comprar para o meu amor?”.
Talvez seja: O que estou fazendo para cuidar da minha própria saúde?
Porque quando o organismo está em equilíbrio, o desejo deixa de ser um visitante raro e volta a ser um morador da casa.
E se a sua libido resolveu tirar férias sem avisar, talvez seja hora de investigar as causas. Seu farmacêutico pode ajudar a identificar deficiências nutricionais, alterações hormonais e estratégias personalizadas para que a chama volte a acender sem precisar de fogos de artifício.
Afinal, paixão é maravilhosa. Mas saúde é o combustível que mantém a fogueira acesa.

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