Trabalhadores responsáveis pela distribuição da Solar Coca-Cola em Manaus paralisaram as atividades nesta quinta-feira (17), deixando mais de 100 caminhões parados na sede da empresa, localizada na avenida Torquato Tapajós, no bairro Novo Israel, zona Norte da capital. A mobilização ocorre em meio a reivindicações por melhorias salariais e nas condições de trabalho.
Segundo os funcionários, a paralisação deve continuar até que a empresa aceite negociar as reivindicações. Eles afirmam que permanecerão de “braços cruzados” enquanto não houver uma resposta às demandas da categoria.
A mobilização afeta os serviços de armazenagem e distribuição dos produtos. A operação envolve diferentes funções, como operadores de empilhadeira, conferentes, manobristas, motoristas e ajudantes de entrega.
Os operadores de empilhadeira são responsáveis por organizar os paletes no estoque, enquanto os conferentes verificam se as cargas correspondem às notas fiscais. Já os manobristas posicionam as carretas nas docas de carregamento.
Nas entregas urbanas, os motoristas conduzem os caminhões pelas rotas comerciais, enquanto os ajudantes fazem o descarregamento das bebidas nos estabelecimentos.
Trabalhadores relatam problemas na empresa
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Cargas (SindCargas), Carlos Gonzaga, a paralisação não havia sido planejada inicialmente.
Segundo ele, representantes do sindicato foram até a empresa para uma visita de rotina. Durante as conversas com os funcionários, começaram a surgir denúncias sobre as condições de trabalho.
Entre as reclamações estão a falta de itens básicos, como copos descartáveis e papel higiênico, além de condições consideradas inadequadas para o transporte das cargas.
Gonzaga também afirmou que caminhões com cerca de cinco toneladas de bebidas circulam com apenas um ajudante. Conforme o sindicalista, a situação aumenta a sobrecarga dos trabalhadores durante as entregas.
Outra queixa apresentada envolve o pagamento de comissões. Segundo o presidente do SindCargas, os funcionários só recebem o valor comissionado quando atingem uma meta mínima de entregas, mesmo quando o salário está acima ou abaixo do piso da categoria.
Sindicato pretende negociar reivindicações
Após o primeiro contato com os trabalhadores, o sindicato passou a receber novos relatos por telefone e WhatsApp. Segundo Carlos Gonzaga, as informações motivaram a decisão de interromper os serviços.
O SindCargas informou que vai formalizar um documento com as reivindicações e pretende negociar cada ponto com a empresa. A expectativa é que as atividades sejam retomadas após a apresentação de uma resposta da Brasil Norte Bebidas, que presta serviço para a Solar Coca-Cola.
Outro lado
Em nota, a Solar Coca-Cola informou que as operações logísticas em sua unidade de Manaus já foram normalizadas, com a liberação dos caminhões para distribuição por volta das 11h desta quinta-feira (17).
A companhia informou ainda que realizou reunião de mediação com representantes do Sindicargas. A pauta de reivindicações foi recebida e está sob análise da empresa, que dará retorno ao sindicato em breve.
“A Solar reforça seu compromisso com o diálogo, com o cumprimento da legislação trabalhista, das normas de saúde e segurança e com a manutenção de um ambiente de trabalho pautado pelo respeito e pelo bem-estar de seus colaboradores. A companhia dispõe ainda de um Canal de Ética independente e confidencial, disponível a todos os colaboradores”, finaliza a nota.
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