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Pesquisa revela que 62% dos brasileiros relatam ação de facções criminosas onde moram

Apesar desse quadro, pesquisa mostra que os brasileiros não concordam com a tese do presidente Jair Bolsonaro de que a população deve se armar para enfrentar a criminalidade

Brasil – Pesquisa feita pelo Instituto Ideia sobre segurança pública revela que 62% dos brasileiros relatam algum tipo de ação de facções criminosas em seus bairros. Somente 9% dos entrevistados disseram não identificar nenhuma presença de grupos marginais onde residem e 29% dizem que essa atuação é baixa. A pesquisa foi feita para o Brazil Forum UK 2022, que é promovido pela Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Para Maurício Moura, CEO do instituto, essa é a revelação mais importante do levantamento. “Para a maior parte do país, conviver com criminalidade é algo comum”, diz Maurício. “Somos uma sociedade com medo”. A pesquisa foi feita com 1552 pessoas entre os dias 31 de maio e 9 de junho. A margem de erro é de 2.85% para mais ou para menos.

Quando perguntados se estão se sentindo mais seguros hoje do que há um ano, 53% dos pesquisados discordam e somente 20% concordam. Chega a 56% o percentual de entrevistados que dizem ter medo de andar nas ruas do próprio bairro ao anoitecer (20% responderam não ter medo).

O banditismo não é, porém, a única fonte de insegurança, já que 51% das pessoas que responderam à pesquisa disseram ter medo de sofrer violência da polícia.

A maior parte dos entrevistados (44%) responsabiliza os governos dos estados pela segurança pública, enquanto 15% culpam o presidente da República. Prefeitos são os responsáveis para 17%.

Apesar desse quadro, os brasileiros não concordam com a tese do presidente Jair Bolsonaro de que a população deve se armar para enfrentar a criminalidade. Para 46%, ter posse de arma não faria com que se sentissem mais seguros e 58% não acreditam que a sociedade ficaria mais segura se todas as pessoas andassem armadas. Além disso, 68% dos entrevistados nunca cogitaram comprar algum armamento para se proteger.

Ao responder sobre ações que podem reduzir a criminalidade, 57% dos pesquisados não acreditam que a sociedade seria mais segura se os policiais matassem mais suspeitos (14% acreditam que sim), mas 41% concordam com a frase “bandido bom é bandido morto”. Nessa aparente contradição, Maurício Moura acredita que as palavras “suspeito” e “bandido”, usadas nas duas perguntas, justifiquem a diferença das respostas.

Para 46%, ter posse de arma não faria com que se sentissem mais seguros Foto: Getty Images

Para 38%, quanto mais pessoas presas mais segura está a sociedade. Uma fatia de 54% não é favorável ao uso de tortura para extrair do preso informação que ajude a solucionar um crime (16% são a favor).

Sobre as milícias (grupos de extermínio), 51% dos pesquisados discordam que ajudem a diminuir o crime, 15% concordam com essa afirmação.

A maior parte dos brasileiros (55%) tem medo de ser atingida por bala perdida na cidade onde mora.

Avaliação do governo Bolsonaro

A pesquisa também consultou os entrevistados sobre outros temas, além da segurança. O principal deles foi a avaliação do governo federal. Para 30% a gestão de Bolsonaro é péssima e para 16% é ruim. Já 13% acham ótima e 16% classificam como boa.

O Brazil Forum UK ocorre desde 2016 e realiza pesquisas de opinião sobre assuntos diferentes a cada ano. Palestrantes brasileiros são convidados à Universidade de Oxford para compartilhar suas percepções pessoais e conhecimentos adquiridos. Esse ano, o evento começa no sábado (25), com palestras do ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso e da diretora-executiva da Anistia Internacional do Brasil, Jurema Werneck.

*UOL

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